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	<title>Rondônia &#8211; Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas</title>
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	<description>O GESP é uma entidade voluntária, sem fins lucrativos, que luta pela preservação do meio ambiente.</description>
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	<title>Rondônia &#8211; Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas</title>
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	<item>
		<title>2015: o ano que não acabou em Rondônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[GESP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Apr 2016 17:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[carta capital]]></category>
		<category><![CDATA[corte irregular de madeira]]></category>
		<category><![CDATA[CTP]]></category>
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		<category><![CDATA[invasão]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Rondônia]]></category>
		<category><![CDATA[sentinela dos pampas]]></category>
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					<description><![CDATA[Voltamos aos tempos das lutas no campo em que, acuados pelo poder do latifúndio, trabalhadores rurais, sem terras e posseiros eram mortos às dezenas &#160; Caminhões com madeira extraída de maneira irregular circulam livremente pelo estado, em um sinal do tamanho do problema A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou em 2015, ainda em números [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="content-core" style="text-align: center;">
<span style="color: #38761d;">Voltamos aos tempos das lutas no campo em que, acuados pelo poder do<br />
latifúndio, trabalhadores rurais, sem terras e posseiros eram mortos às<br />
dezenas</span></div>
<div id="content-core">
&nbsp;</div>
<div id="content-core">
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXqoO3yAv1ykefzdkibyWzNnwoCv7LlFP3zvvWbPbcUChVUqOtVUBhhbK-_gNIU02nORVPTqkfL8ibm0x4iEobXehPEVgoBpys7EuJcW1N1L9I-dmgEuBHbx9-_Q9KSgWmmuKNCS_pfOof/s1600/2ca86205-9b9e-43b2-899e-c120d608924d.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img fetchpriority="high" decoding="async" border="0" height="424" src="https://sentineladospampas.eco.br/wp-content/uploads/2016/04/2ca86205-9b9e-43b2-899e-c120d608924d.jpeg" class="wp-image-2584" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Caminhões com madeira extraída de maneira irregular circulam livremente pelo estado, em um sinal do tamanho do problema</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<div id="content-core">
<aside id="column-middle">
</p>
</aside>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou<br />
 em 2015, ainda em números parciais, um total de 50 assassinatos em<br />
conflitos no campo. Desses, 20 foram em Rondônia e 19 no Pará**. Foi o<br />
maior número de assassinatos já registrado pela CPT em Rondônia, desde<br />
1985, e o maior número registrado no Brasil nos últimos 12 anos.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">O Vale do Jamari é a região de Rondônia na qual aconteceram 14 dos 20<br />
 assassinatos. Marcado por grandes áreas griladas, presença de<br />
madeireiros, ações de pistoleiros, e a ausência e/ou conivência do<br />
Estado, o vale tornou-se um barril de pólvora prestes a explodir. Em<br />
2016 já foram 4 assassinatos na região.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Diferentemente de outras regiões no Brasil, para se entender os<br />
conflitos por terra no estado é impossível analisá-los de forma<br />
maniqueísta. Impressões de certo e errado, bem e mal, no sentido literal<br />
 dos termos não cabem aqui.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Inúmeras categorias e interesses permeiam a busca pela terra na<br />
região. Trabalhadores rurais sem terra seguem, muitas vezes, seu<br />
propósito, organizados ou não em movimentos e associações, de buscar a<br />
terra para produzir alimentos e nela viver.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Segundo informações da CPT Rondônia, há atualmente cerca de 80<br />
acampamentos no estado, e destes somente 26 seriam ligados a movimentos<br />
organizados. O restante são grupos independentes em busca de seu pedaço<br />
de chão. Comunidades tradicionais lutam pela garantia de seus<br />
territórios, pela produção sustentável e pela manutenção da floresta em<br />
pé.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Em contrapartida, madeireiros agem diante das vistas grossas dos<br />
órgãos fiscalizadores do governo. É possível ver caminhões circulando<br />
pelas rodovias do estado, com madeira sem certificação, mesmo à luz do<br />
dia. Durante a noite, segundo relatos de agentes da Secretaria de Estado<br />
 do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), pode-se contar 40 ou 50 caminhões<br />
 num único trecho de estrada próximo ao município de Machadinho D’Oeste.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Em Cujubim, alguns madeireiros até possuem certificados para<br />
exploração de madeira, dentro do Programa de Manejo Florestal,<br />
autorizado pelo Ibama, mas lá já não há mais madeira para explorar. Com<br />
isso, eles retiram madeira de outras regiões, “certificando-as” com os<br />
documentos que possuem. Parte dela vem de Unidades de Conservação, como a<br />
 Reserva Extrativista Rio Preto Jacundá, em Machadinho D’Oeste. &nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Em conversa com dois seringueiros que pediram anonimato por temer<br />
retaliações (ambos são ameaçados de morte), eles revelaram que a partir<br />
de 2005 surgiram na reserva mais de 100 frentes de invasão para retirar<br />
madeira.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Das 21 Unidades de Conservação Estaduais de Rondônia (UC’s), 16 ficam<br />
 na região de Machadinho D’Oeste. Conforme informações dos seringueiros,<br />
 de 2005 a 2014 teriam ocorrido 16 assassinatos nas UC’s, alguns com<br />
tortura e requintes de crueldade, informação essa que a CPT está<br />
buscando confirmar.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Em um dos casos, na busca por saber quem fazia as denúncias para a<br />
Sedam fiscalizar, um dos seringueiros teve mãos e língua cortadas, o<br />
tronco decepado na altura da cintura e as pernas queimadas.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhS6jKbzVDTQbPYAIBy3cykc72YP8GinHzEPjL52PCH5Z23iYlP-eHJBxbOtGx2xuLc_c9w3tFB_a0Gdc-kMQ0CAmLUPhKhMWmFb7GuzjMMLzgMGjU2iMBDPGMs_0bS5syS6oz3bOqMBOr4/s1600/9477f041-6dd6-4017-90c7-b90e6b81b767.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" border="0" height="450" src="https://sentineladospampas.eco.br/wp-content/uploads/2016/04/9477f041-6dd6-4017-90c7-b90e6b81b767.jpeg" class="wp-image-2585" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">O mapa das mortes em Rondônia</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">&nbsp; </span></div>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Ainda conforme estes relatos, exploradores de madeira incentivam<br />
grupos que se auto-denominam “sem terra” para “ocuparem” lotes na<br />
reserva, com a intenção de gerar conflito com os ocupantes tradicionais.<br />
 Eles demarcam os lotes, vendem a madeira e em seguida comercializam os<br />
lotes desmatados para terceiros. “Dos 95 mil hectares da reserva Rio<br />
Preto Jacundá, pelo menos em 80 mil hectares a madeira já foi retirada”,<br />
 denunciaram.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Cientes da situação, as autoridades praticamente nada fazem. Há atualmente nove lideranças ameaçadas de morte na região.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"><b>O campo como perspectiva e a morte prematura como certeza</b></span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Estar em Cujubim, assim como em outros municípios da imensa Amazônia,<br />
 é ter a certeza de que muitos brasileiros e brasileiras foram renegados<br />
 e renegadas pelos poderes políticos e pelo restante da sociedade.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Cheguei à região logo após um conflito, na fazenda Tucumã, em que<br />
cinco jovens sem terra foram atacados por pistoleiros. O fato ocorreu na<br />
 última semana de janeiro. Os cinco haviam entrado na área ocupada fazia<br />
 apenas 40 dias, após receberem a informação de que a terra seria<br />
desapropriada pelo Incra, por se tratar de área pública, e de que os<br />
lotes seriam distribuídos aos ocupantes.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Parecia ser uma boa oportunidade a quem na região não vê muita expectativa de educação ou formação profissional.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">O pretenso proprietário, conhecido como “Japonês”, conseguiu a<br />
reintegração de posse ainda em janeiro. Ele e a polícia acordaram com os<br />
 ocupantes que eles poderiam retornar à ocupação para retirar seus<br />
pertences. Os jovens retornaram, então, no dia 31 e foram surpreendidos<br />
pelos pistoleiros. Três conseguiram fugir. Dois estão desparecidos e um<br />
corpo carbonizado e não identificado até o momento, foi encontrado no<br />
carro dos jovens.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Em 3 de fevereiro, uma patrulha policial na região encontrou quatro<br />
homens fortemente armados em uma caminhonete, que seriam pistoleiros na<br />
fazenda Tucumã. Os homens foram detidos, mas um deles, ex-policial<br />
militar, conseguiu fugir da viatura, onde estavam três policiais, e na<br />
fuga deixou cair uma espingarda.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"><b>Grilagem de terras: a jovem senhora da Amazônia</b></span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">“Grilagem de terras” é um termo impossível de ser descolado da ideia<br />
de colonização e ocupação da Amazônia. Durante anos a fio, áreas<br />
públicas foram indevidamente apropriadas pelo capital, nacional ou<br />
internacional, com interesses diversos. Somando-se a isso, grandes<br />
extensões de terras públicas foram divididas e transferidas para os<br />
interessados, através de Contratos de Alienação de Terras Públicas<br />
(CATPs).</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Esses poderiam, com isso, fazer o uso da terra e, se cumprissem as<br />
condicionantes previstas no contrato, adquiririam o título definitivo de<br />
 tais áreas. O Incra deveria fiscalizar o cumprimento dessas<br />
condicionantes. De meados dos anos 1970 ao início de 1980,<br />
desenvolveu-se em Rondônia a licitação dessas terras públicas.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"></span></div>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieoGtR5q4kZ-Hj-JRer_vTLwCl2rZb1z15F3aRdg7qkBnNNTqCJBdzJY0XEbGMvx3AbhhbeY_i6Hmzt468eC1Abnfb2bGNABQYrO4JBVTKcNcvUK3KdKP-1m-vk0CU7hTF9uZaWUCL_eax/s1600/image.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" border="0" height="384" src="https://sentineladospampas.eco.br/wp-content/uploads/2016/04/image.jpg" class="wp-image-2586" width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">O mapa das áreas invadidas, segundo a Associação Kanindé</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">&nbsp; </span></div>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">A informação do professor de Direito Agrário Hélio Roberto Novoa é de que foram <a class="external-link" href="http://www.abda.com.br/revista18/pdf/artigos/Retomada.pdf" target="_blank" title="">licitados no estado algo em torno a 1,5 milhões de hectares a 1.100 licitantes</a>&nbsp;(em<br />
 PDF). Até os dias de hoje, o pano de fundo dos conflitos de terra na<br />
região está costurado à grilagem de terras e às CATPs, cuja fiscalização<br />
 inoperante gerou um mercado irregular de terras na região.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Alguns vendem a área após um tempo, enquanto outros constroem seu<br />
latifúndio, acumulando CATPs em nome de “laranjas” ou de parentes.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"><b>Nenhum território escapa em Rondônia</b></span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Nem os territórios indígenas escapam à sanha dos invasores em<br />
Rondônia. Segundo denúncias, a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, à qual se<br />
sobrepôs o Parque Nacional de Pacaás Novos, e que abrange ao todo partes<br />
 de nove municípios da região, está sendo invadida. Lotes são demarcados<br />
 e revendidos. Além disso, os invasores estariam, também, extraindo ouro<br />
 da região.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Segundo a Associação de Defesa Etnoambiental de Rondônia, Kanindé,<br />
pelo menos 47 lotes estão sendo comercializados na área e os<br />
responsáveis por trazer esses invasores seriam empresários e fazendeiros<br />
 locais. Os Uru-Eu-Wau-Wau e a própria Kanindé já alertaram os órgãos<br />
competentes sobre a invasão. O ICMBio esteve no local e, segundo a<br />
Associação, <a class="external-link" href="http://www.kaninde.org.br/3605-2/" target="_blank" title="">alegou não ter encontrado vestígios dos invasores</a>.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Entretanto, os relatos que ouvi descreveram como é visível, a partir<br />
de um simples passeio de carro pela região, a entrada e ação desses<br />
invasores na área. A Kanindé afirma, ainda, que fará uma nova denúncia<br />
no Ministério Público Federal sobre o caso.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"><b>Estão tentando fechar os olhos do mundo para a região</b></span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Durante os dias que estive em Rondônia, dois profissionais da<br />
imprensa internacional estavam no estado trabalhando em pautas para as<br />
revistas <em>Americas&nbsp;Quarterly</em> e <em>US News &amp; World Report</em> sobre a onda de violência no campo na Amazônia.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">No dia 9 de fevereiro, eles&nbsp;planejavam visitar Ariquemes, a porta de<br />
entrada para o Vale do Jamari, onde entrevistariam o chefe da<br />
Polícia&nbsp;Militar do Estado.&nbsp;Mas, antes de a entrevista acontecer, um<br />
porta-voz do governo de&nbsp;Rondônia ligou para informar que a polícia tinha<br />
 sido&nbsp;instruída a não cooperar, porque um relatório internacional&nbsp;sobre o<br />
 assunto teria &#8220;repercussões terríveis para o Estado&#8221;.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">No dia seguinte, já em Porto Velho, ao deixar estacionado por alguns<br />
instantes o carro que utilizavam, este teve os vidros quebrados e seus<br />
equipamentos, cartões de memória, arquivos de vídeo e&nbsp;notebooks,<br />
furtados. A mala do fotógrafo, contendo roupas, passaporte e outros<br />
itens e o GPS do veículo não foram levados.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">A atmosfera desse estranho furto levou a Associação de<br />
Correspondentes da Imprensa Estrangeira (ACIE) a divulgar uma nota<br />
manifestando sua preocupação pelo fato da polícia local ter sido<br />
instruída a não cooperar com a equipe.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Preocupação essa que, em suas palavras, “só pode ser reforçada<br />
pelas&nbsp;recentes declarações públicas, tanto do chefe da polícia e&nbsp;do<br />
governador, que têm chamado os trabalhadores sem&nbsp;terra de ‘terroristas’ e<br />
 ‘criminosos’, pessoas que devem&nbsp;ser ‘colocadas em seu lugar’&nbsp;e pelo<br />
fato que esta <a class="external-link" href="http://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/geral/3107-acie-emite-nota-sobre-furto-a-jornalistas-que-cobriam-conflitos-por-terra-em-rondonia" target="_blank" title="">ameaça&nbsp;foi estendida ‘àqueles que os apoiam</a>’”.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"><a href="https://www.blogger.com/null" id="_ftnref3" name="_ftnref3" title=""><br /></a></span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">O governo do estado mostra claramente o lado que assumiu nessa<br />
disputa. Os sem terra e os extrativistas tentam se defender da forma que<br />
 lhes cabe. Os fazendeiros se articulam em associações de produtores, em<br />
 que reúnem a verba necessária para armar trincheiras nas terras com<br />
seus pistoleiros, ou guaxebas, como são conhecidos em Rondônia.</span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Uma faísca não tardará em explodir esse barril de pólvora.</span></div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;"><em>*Cristiane Passos é jornalista, antropóloga e assessora de<br />
comunicação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Secretaria Nacional.</em></span></div>
<p><span style="color: #38761d;"><br />
</span></p>
<div style="text-align: justify;">
<div id="ftn3">
<span style="color: #38761d;"><em>**O Ministério do Desenvolvimento Agrário contesta o<br />
levantamento da CPT e fala em 19 mortes neste período. De acordo com a<br />
CPT, o MDA e a pastoral usam metodologias diferentes, o que explica a<br />
diferença entre os dados</em></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;">
</div>
<div style="text-align: justify;">
<span style="color: #38761d;">Via: Carta Capital </span></div>
</div>
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