• Estudo aponta escassez de água em Passo Fundo a partir de 2020

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Foto: Matheus Moraes / DM

Plano de Bacia do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo e do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp) apresenta excesso de consumo de água na região da cidade e preocupação com recursos hídricos para o futuro

Há possibilidade de haver falta de água em Passo Fundo a partir de 2020. A informação é apontada pelo Plano de Bacia, um estudo que foi desenvolvido de 2010 a 2012 e diagnosticou a quantidade e a qualidade da água, além da demanda de  consumo dos 40 municípios da região que são abastecidos pela Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo. Atualmente 50% do volume de água disponível na bacia é para consumo humano, enquanto 23% é destinado para pecuária e agricultura, 18% para indústrias e 9% para outros fins.

As nascentes principais do Rio Passo Fundo são formadas em torno de Passo Fundo. De acordo com o diretor do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Paulo Cornélio, esse é um dos problemas que pode contribuir para que a cidade sofra com redução de água no futuro. ”Há um consumo muito extensivo de água em Passo Fundo. Como aqui temos as cabeceiras, o rio não é volumoso, tanto o Rio Passo Fundo quanto o Arroio Miranda, que são rios de produção de água de fragilidade. Não é um rio de grande quantidade de água em virtude de estarmos numa cidade em que ele se encontra no começo”, afirma. Ele diz, ainda, que o rio se torna mais caudaloso a medida que se distancia do município. ”A 40 ou 50 quilômetros, ele fica mais caudaloso porque tem outros tributários que vão alimentar o rio”, acrescenta.
Cornélio alega que o abastecimento público de água será maior que o de outros setores nos próximos anos. Por isso, já existe preocupação com possíveis conflitos. ”O estudo apresenta que a partir de 2020 há possibilidade de falta de água em virtude do consumo realizado atualmente. Os rios não vão comportar a retirada de água que é feita hoje, é maior que a capacidade”, declara. Segundo ele, o Rio Passo Fundo abastece cerca de 40% da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo, enquanto o Arroio Miranda fornece aproximadamente 60% da água.
O presidente do Comitê da Bacia de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo (CBHPF), Claudir Luiz Alves, destaca que 60% da população passo-fundense reside dentro da área da Bacia Hidrográfica do Alto Jacuí. Segundo ele, o estudo apresenta que a região de Passo Fundo, Erechim e Douradinhos – próximo a Itatiba do Sul – seriam as primeiras com problemas de escassez de água. ”O Plano de Bacia indica que em 2020 teríamos problema com água em três das cinco unidades de gestão dentro da Bacia Hidrográfica”, declara. Para Alves, o problema se deve em razão do aumento populacional e o crescimento de animais na pecuária da região.

Etapa C: próximos passos

Depois de diagnosticado, foi realizado o prognóstico de futuro, que indicou a possibilidade de escassez de água a partir de 2020. A próxima fase do CBHPF, denominada Etapa C, é desenvolver programas de ação para minimizar a falta de recursos hídricos nos próximos anos. De acordo com o presidente do Comitê, Claudir Alves, as açõe estão paradas desde 2012. ”Não estamos andando há quatro anos. O governo do Estado colocou esse problema nas prioridades para serem executadas dentro do programa para 2017”, relata.

Qualidade da água e fiscalização

Outra preocupação do Gesp é quanto a qualidade da água oferecida em Passo Fundo. Segundo o diretor Cornélio, a população não cumpre com suas responsabilidades. Além disso, ele reitera que a fiscalização – que é de responsabilidade da Prefeitura – não acontece no município. ”Dentro do perímetro urbano temos problemas na qualidade da água do Rio Passo Fundo. A população não cumpre com sua obrigação e o processo fiscalizatório não é feito. Mesmo com investimentos realizados pela Corsan, de possuir uma coletora para que o esgoto não ingresse no rio, tenha tratamento e caia no rio já tratada, a água não é bem cuidada por grande parcela da população”, reclama o diretor.

Frente Parlamentar Mista de Recursos Hídricos

O movimento criado para discussão sobre a água em Passo Fundo e propor ações de preservação e proteção dos recursos hídricos da cidade recebeu o estudo, que foi apresentado pelo CBHPF. Segundo Cornélio, houve uma necessidade de criar esse elo com a Câmara de Vereadores em razão da gravidade da situação. ”Não é cumprido o papel fiscalizatório e não estão dando a devida importância a um assunto extremamente importante como esse”, completa o diretor do GESP ao se referir da administração pública da cidade.

O estudo

O estudo, que contém centenas de páginas, foi realizado por uma empresa passo-fundense e apresenta dados econômicos, sociais e a disponibilidade de água da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo, que é abastecida pelo Rio Passo Fundo e o Arroio Miranda. O Plano de Bacia é uma ferramenta dentro do enquadramento de 2012, aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

via: Diário da Manhã
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