O aeroporto Lauro Kortz foi construído em 29 de outubro de 1940, próximo a barragem de captação de água que abastece a cidade. O local é uma área de preservação ambiental. Agora, com mais de 44 milhões garantidos para as obras, o desenvolvimento do aeroporto gera debate. Por um lado, a vontade de reestruturar o espaço já existente. Por outro, o desejo de construir um terminal em local apropriado.
Se os projetos para a construção do aeroporto de Passo Fundo fossem feitos atualmente, eles não seriam aprovados por órgãos ambientais, de acordo com o diretor do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Paulo Cornélio. “É uma área extremamente sensível na questão ambiental. Toda a água que a população passo-fundense consome é originada no local”, alerta.
O processo de urbanização não pode ser desenvolvido na área, pois, qualquer atividade urbana pode prejudicar as nascentes que existem próximas ao aeroporto, segundo Cornélio. “Não somos contra o desenvolvimento do aeroporto, mas somos contra a localização dele”, esclarece o diretor do Gesp.
A questão debatida pelo ecologista é uma futura ampliação do espaço, que não será possível por causa da barragem de captação de água. “Vale a pena investir a verba pública de mais de 44 milhões de reais para mais tarde não poder ampliar o aeroporto?”, questiona Cornélio.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Eduardo Lopes da Silva, a resposta é sim. “Vamos lutar para que as obras de melhoria aconteçam, sempre avaliando as condições para que a área de preservação não seja afetada. Essas obras deverão, com certeza, suprir as demandas do município e da região por no mínimo oito anos, com mais operações, destinos e voos. Quando for necessário a construção de um aeroporto de carga ou a ampliação da pista do aeroporto Lauro Kortz, então sim, outra área deverá ser estudada para que essas obras ocorram”, comenta. O secretário ainda lembra que não autorizar construções próximas a área de preservação é um compromisso da gestão municipal atual e a ampliação da pista do aeroporto não é projetada pela Prefeitura, naquele ambiente.
Ampliar e preservar o meio ambiente é possível para o chefe do escritório do Ibama em Passo Fundo, Flabeano Lara de Castro. “Hoje, com a evolução da engenharia é possível fazer obras com baixíssimo potencial ofensivo ao meio ambiente. É tudo uma questão de custo benefício. Quem vai fazer a obra tem que decidir se é mais barato ampliar e realizar as medidas de questão ambiental ou construir o aeroporto em outro local”, comenta.
Para ampliar ou reformar um espaço como o aeroporto, algum órgão ambiental deve ser consultado. Flabeano ainda afirma que, pelo menos até agora, o Ibama não foi chamado para discutir a questão das obras no Lauro Kortz. “Muito se discute sobre o desenvolvimento do aeroporto, mas nada pode ser feito sem um licenciamento ambiental. O Ibama têm o dever de proteger os mananciais que existem próximos ao local, que abastecem toda população”.
Licitação para obras
O edital de licitação para obras de melhorias no aeroporto Lauro Kortz, de Passo Fundo deve ser lançado até outubro deste ano. Segundo o presidente da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, Márcio Patussi, o processo de licitação está na elaboração do termo de referência – embasamento jurídico e técnico que descreve o projeto, tamanho da área, custo da obra e prazos. Após a licitação, o prazo é de 14 meses até a conclusão das obras.
Liberação de 44 milhões
Recentemente, uma comitiva passo-fundense formada pelo deputado estadual e presidente da Frente Parlamentar da Aviação Civil, Diógenes Basegio, presidente da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, Márcio Patussi, reitor da UPF, José Carlos Carles de Souza e o secretario municipal de Desenvolvimento Econômico, Carlos Eduardo Lopes da Silva estiveram em Brasília em reunião com o Ministro Chefe da secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha. Na oportunidade, o Ministro anunciou a liberação de R$ 44,5 mil para o aeroporto Lauro Kortz. Está prevista a construção de novo terminal de passageiros, com 2,1 mil metros quadrados e pista de taxiamento para até seis aeronaves de grande porte.
Em prol da preservação
Formado por mais de 40 instituições, como universidades, prefeituras, câmaras de vereadores e sindicatos, o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica de Passo Fundo luta para que nenhum investimento ou obra seja aprovado na região próxima ao aeroporto. O diretor do Gesp, Paulo Cornélio afirma que o Comitê já negou a construção de autódromos, indústrias e até uma penitenciária no local. “Tentamos evitar no município os mesmos problemas que acontece atualmente no estado de São Paulo. Se urbanizarmos a região que abastece a cidade, sofreremos com a destruição dos recursos hídricos”, alerta Cornélio.
Via: Diário da Manhã
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Aeroporto: entrave ambiental
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