• Poluição, expansão imobiliária, turismo e embarcações expulsam golfinhos da Barra do rio Tramandaí!

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  O canal de água doce que faz ligação
entre as lagoas Tramandaí e Armazém e o mar, entre os municípios de Tramandaí e
Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, vem se tornando cada vez mais um
território de disputa entre a população local – com o crescimento da
urbanização e turistas nos meses de verão – e a fauna local que busca o local
por alimento, reprodução e fuga dos predadores naturais. O estuário abriga
diversas espécies de crustáceos, peixes aves e mamíferos, destacando-se os
cetáceos.
A Ordem Cetacea é composta por
espécies de mamíferos marinhos, compreendendo as espécies de baleias e
golfinhos. Estes indivíduos estão distribuídos de pólo a pólo ocupando águas
costeiras e oceânicas. Devido à ocupação e expansão no habitat marinho e fluvial,
este grupo sofreu uma grande pressão ecológica e com este resultado os cetáceos
atuais representam um grupo
extremamente heterogêneo cerca de
80 espécies (Bastida et al., 2007).
O
boto, Tursiops truncatus,
é avistado deslocando-se na zona costeira e
penetrando em estuários e rios em três localidades: nas desembocaduras dos rios
Mampituba (Torres), Tramandaí (Tramandaí) e na Lagoa dos Patos (Rio Grande)
(Simões-Lopes, 1991; Tabajara, 1991; Castello & Pinedo, 1977); sendo uma
das principais espécies ameaçadas neste canal.

Em Tramadaí a aparição do boto é de
grande importância na pesca artesanal da tainha, pois quando ele avista
cardumes de tainha nadando contra a corrente, do mar para o rio, ele arrasta o
cardume em direção aos pescadores que posicionam as tarrafas em punho ao longo
da margem do rio. Este ritual é secular e só acontece dessa forma em Tramandaí
e em Laguna. A pesca cooperativa ocorre com algumas variações na foz dos rios
Mampituba e Araranguá ou ainda na costa da Mauritânia, na África.
Atualmente o número destes indivíduos
está diminuindo cada vez mais. Os pesquisadores concluem que eles possam morrer
naturalmente ou presos a redes de pescas em alto mar; ou ainda, estes podem
estar abandonando o estuário fugindo da poluição e do ruído dos motores de embarcações
e jetskys.
Pesquisas a partir do ano de 2005 têm
revelado que animais vêm morrendo devido a uma doença chamada Lobomicose, a
qual está associada à contaminação ambiental e se manifesta por manchas brancas
na pele.  Investigações nas carcaças dos
animais mortos revelaram concentrações de compostos organopersistentes
(substâncias mutagênicas utilizadas na agricultura e na indústria de
inseticidas e pesticidas). Essas substâncias são absorvidas pelo fitoplâncton e
vão se instalando ao longo da cadeia alimentar e não podem ser quebradas por
nenhum ser vivo, ficando assim, depositadas na gordura de revestimento do corpo
dos mamíferos marinhos. Outro fator que vem contribuindo com a morte desses
animais é a ingestão de resíduos depositados no mar, como o plástico por
exemplo. 
Em uma visita realizada pela
acadêmica Fernanda Pereira Dias ao local, durante a disciplina “Manejo de Fauna
Silvestre” da Universidade de Passo Fundo – UPF foi visitado o Ceclimar e a
Barra da Lagoa, com presença do professor da UFRGS, Ignácio Benites Moreno. Ele
passou conhecimento sobre as pesquisas realizadas no Ceclimar em prol da
conservação e proteção dos ambientes costeiros para permanência da vida da
fauna marinha. Também relatou sobre os trabalhos feitos com os pescadores e veranistas,
sobre o cuidado com local para que os botos possam frequentar a Barra da Lagoa,
em Tramadaí, e assim garantindo o sustento das famílias ribeirinhas que vivem
do lucro pela pesca artesanal.                     
Diante do exposto e da gravidade da situação a partir da reportagem de agosto de 2014 no jornal Extra Classe (Jornal mensal do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul – Sinpro/RS) ,
o Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas entregou ao Promotor do Ministério
Público de Passo Fundo, um ofício a ser encaminhado para
promotoria da região de Tramandaí, solicitando o envolvimento e providências
desta Promotoria Especializada, para que esta tenha medidas mitigadoras aos
referidos impactos do avanço da urbanização e a poluição, fiscalização quanto aos
esportes de turismo e veraneio, e especialmente para a pesca predatória.
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