Cada carazinhense utiliza cerca de 265 litros de água por dia. Número é considerado um pouco alto conforme o gerente da Corsan, Sandro Loureiro. Alternativas como utilizar água da chuva são opções para reduzir o desperdício. Palestras realizadas pela Corsan nas escolas estão motivando as crianças e adolescentes a mudares seus hábitos e usar o recurso de forma consciente
Matéria de Priscila Devens e Mariana Raimondi
Segundo a Declaração Universal dos Direitos da Água não é correto desperdiçar, poluir ou envenenar o recurso hídrico. Diariamente, vários litros de água são desperdiçados por descuido da população. Conforme o gerente da Corsan em Carazinho, Sandro Loureiro, na cidade cada habitante tem um gasto diário de aproximadamente 265 litros. “Este é um número um pouco alto, mas o cálculo do desperdício é diferenciado, pois envolve diversos fatores”, explica ele, acrescentando que, mesmo assim, as perdas na cidade então dentro do normal.
Segundo ele, uma das formas da perda do recurso é através de vazamentos subterrâneos. “Em Carazinho, a maioria da rede de distribuição é antiga, mas isso não significa que o sistema tenha problemas de vazamentos, mas pela idade dos canos acreditamos que rompimentos podem acontecer com frequência devido ao trabalho do solo, a temperatura e até mesmo a pressão da água. Em cidades como Erechim, que enfrenta a falta de água, foi feita a troca de quase toda a rede, para evitar que mais água potável seja perdida”, destaca, salientando que em Carazinho não existem problemas com escassez de água, mas caso isso ocorresse, a rede deveria ser trocada.
Principais formas de desperdício
Outras formas de desperdício mais comuns são as do dia-a-dia, como fazer a barba e escovar os dentes com a torneira aberta, regar a grama, lavar as calçadas e o carro com a torneira ligada. “Esta questão é basicamente de conscientização”, observa ele. A Corsan realiza constantemente palestras nas escolas, falando sobre o desperdício, o papel da Companhia, curiosidades, entre outros assuntos. Loureiro lembra que a atenção dos alunos é muito grande, com questionamentos e dúvidas sobre o assunto. “Nós falamos sobre o uso consciente da água, que podemos escovar os dentes usando apenas um copo, ao invés de abrir a torneira e colocar até 15 litros fora”, destaca.
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(A cisterna alocada em baixo do tablado de
madeira,
impulsiona através de uma bomba a água da chuva
é transportada para a
residência através da tubulação
/ FOTO DM/MARIANA RAIMONDI)
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Para lavar uma calçada, conforme Loureiro, são gastos cerca de 300 litros de água, o que pode ser reduzido caso seja utilizado um balde, por exemplo. “Um aparelho que é muito bom é o lavajato, que utiliza pouca água e tem bastante pressão”, indica. Outra dica importante é utilizar a água que a máquina de lavar roupas joga fora após a lavagem para limpar as calçadas ou o carro, sendo uma forma consciente e que cuida do meio ambiente.
Outra alternativa é segurar a água da chuva para estes usos elementares e, como muitas vezes as famílias não possuem recursos para instalar uma cisterna, Loureiro sugere que pode-se usar até mesmo baldes. “Pode ser apenas um balde de água da chuva, mas será um balde a menos na sua conta de água”, salienta ele, orientando que, se a água ficar parada por muitos dias é fundamental fechar o recipiente, para não atrair o mosquito da dengue.
Conscientização
Os hábitos que se adquire na infância e juventude são aqueles levados para toda a vida. Pos isso, Loureiro ressalta a importância em realizar estas atividades com os alunos da cidade. “Temos visto que a receptividade dos alunos de várias idades é muito boa, e sempre que a gente conclui uma palestra ouvimos comentários como: eu não sabia disso, eu vou fazer diferente”, comenta, esclarecendo que este é um trabalho de ‘formiguinha’, sempre insistindo e fazendo com que a informação chegue aos jovens, que repassarão para os mais velhos, para que todos fiquem engajados nesta corrente.
Empresa estimula uso racional dos recursos
Por entender que é necessário cuidar dos recursos naturais do planeta que empresa Água e Luz está a cada ano se aprimorando na comercialização de produtos que protegem o meio ambiente, incentivando o uso racional da água e da energia. Por uma ideologia pessoal, o proprietário da empresa, Fabrício Tomé, partiu para a venda de itens nesta linha, com o objetivo também, de conscientizar os consumidores a não desperdiçarem os recursos. “Temos que deixar um planeta apropriado para as próximas gerações. E, assim como eu tenho esta consciência queremos disseminar esta ideia, fazendo com que mais pessoas pensem assim também”, salienta ele, observando quem se cada um fizer a sua parte é possível atingir um bom resultado.
Dentre os produtos que auxiliam no cuidado do meio ambiente estão os que utilizam a água racionalmente, como as torneiras de pressão ou com sensores que evitam o desperdício. “Hoje existem torneiras fabricadas para não ficarem gotejando, por exemplo. Também temos válvulas de descarga com dois tipos de acionamento, com só três ou seis litros de água conforme a necessidade”, explica ele.
Outra novidade é o reaproveitamento de água da chuva, que pode ser desde um projeto mais simples ao mais elaborado. Conforme Tomé, a Água e Luz auxilia na produção do projeto, além de possuir os equipamentos para a execução e também acompanha a instalação. “O projeto mais simples só precisa ter uma caixa d’água que coleta água da chuva através da calha, utilizando este recurso para lavar a calçada ou molhar a grama, por exemplo”, destaca, observando que, também existem projetos mais elaborados, onde além de coletar a água da chuva é feita uma pré filtragem nela, que se desloca para uma segunda caixa d’água que pode ser acionada pelas válvulas de descarga, no tanque da lavanderia, dentre outras formas. “A água é limpa, mas só não é apropriada para o consumo”, pontua.
| (Na pia da residência possui duas torneiras, cada uma ligada a um reservatório / FOTO DM/MARIANA RAIMONDI) |
Consciência que começa em casa
Utilizar a água consciente em nossas residências já é um grande passo para a preservação deste bem na natureza. Contudo a economia hídrica realizada por muitos ainda não é suficiente devido o aumento da demanda pelo recurso natural e a crescente escassez nos lençóis subterrâneos. Este quadro traz uma à necessidade de novas alternativas. A reutilização da água, principalmente através da captação da chuva aparece como uma saída economicamente viável, e ecologicamente correta.
A Hoffmann Empreendimentos já realiza projetos com cisternas em residências urbanas a fim de minimizar a utilização da água nas moradias. Para que o projeto hídrico tomasse consistência, e pudesse ser comprovado pelos clientes, o empresário Cláudio Hoffmann, proprietário da empresa imobiliária, realizou as instalações em sua própria residência familiar. “A consciência de que se preservar é necessário se começa em casa, se cada um de nós fizer a sua parte, poderemos juntos perpetuar estes bens naturais. Após o projeto de captação que implantei aqui em casa, utilizo a água sem culpa”, explica Hoffmann.
Na residência do empresário foram instalados canos para a captação da água das chuvas através das calhas dos telhados. Como a residência possui jardim e calçadas, é realizada também conduções com decantação para facilitar o escoamento. Esta água é armazenada em um reservatório alocado junto à superfície, em uma cisterna. Através de uma bomba a água é transportada até um filtro, que após a filtragem é conduzida até os reservatórios instalados acima do forro. “A casa possui dois reservatórios, um recebe a água direta da Companhia de Água e Saneamento Básico, que normalmente é utilizada nas pias de cozinha, pias e chuveiro dos banheiros”, comenta o proprietário.
O outro reservatório recebe a água da chuva armazenada através das cisternas. “Esta água filtrada é utilizada para os vasos sanitários, em torneiras externas para a lavagem das calçadas, irrigação do jardim, para lavar carro, e também na área de serviço para a lavagem de roupas. Inclusive a roupa lavada sem o cloro não desbota tão facilmente, ela se conserva muito mais”, explica Hoffmann.
Anteriormente a reformulação dos sistemas hidráulicos, a família consumia em água o valor aproximado de R$200,00/mês, hoje é utilizada apenas a cota mínima disponibilizada pelo Serviço terceirizado. “Em um ano você recupera o investimento nos processos de captação, porém a questão não é apenas econômica, é uma questão de atitude ecologicamente correta. E usar sem culpa”, finaliza Cláudio.
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| (Outra novidade é o reaproveitamento de água da chuva, que pode ser desde um projeto mais simples ao mais elaborado / FOTO PRISCILA DEVENS) |
Via: Diário da Manhã
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