• Terras indígenas são responsáveis por chuva de 80% das áreas de agropecuária no Brasil

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Por Poliana Casemiro, g1

 

Veja lista de estados mais abastecidos por terras indígenas e índice de chuva
Estudo inédito mostra o quanto a agropecuária depende de TIs
Porcentagem de chuva vinda de TIs24,624,624,624,624,524,518,418,416,516,516,316,311,111,19,29,29,19,1ParanáAcreMato Grosso do SulRio Grande do SulSanta CatarinaSão PauloRondôniaAmazonasMato Grosso051015202530

Paraná
24,6

Fonte: UFSC e Serrapilheira

Mais do que saber que a floresta de pé é importante para o equilíbrio do clima, o estudo inédito feito pelo grupo de pesquisa em ecologia tropical do Instituto Serrapilheira aponta que ela é fundamental para a manutenção desses setores da economia.

  • 🌳 Segundo a pesquisa, a umidade que vem das terras indígenas na Amazônia foi responsável por abastecer as áreas produtivas no setor em 18 estados e no Distrito Federal.
  • 🌳 Da lista, os nove estados que mais receberam água de terras indígenas amazônicas produziram juntos R$338 bilhões – cerca de 57% da renda agropecuária nacional (dados de 2021).

Na contramão, mesmo a produção em Rondônia e Mato Grosso dependendo da água vinda das TIs, eles estão entre os estados que mais desmatam florestas desde 1985.

“O estudo mostra o quanto a produção precisa das terras indígenas para se manter e como a proteção desses povos está diretamente ligada à nossa economia. Não faz sentido um setor que depende da proteção do território indígena, ser uma ameaça.”
— Caio Mattos, autor do estudo e pesquisador em mudanças climáticas.

Como terras indígenas podem proteger a economia?

O estudo inédito analisou como a umidade gerada nas terras indígenas percorre o país através dos chamados rios voadores, resultando na formação de chuvas. Os pesquisadores rastrearam as partículas de chuva desde sua origem até os locais de destino.

➡️ Nesse processo, a água evaporada do oceano se transforma em chuva, sendo transportada por correntes de vento até a região amazônica. Lá, a vegetação absorve a água e a devolve gradualmente à atmosfera, permitindo que os ventos a distribuam pelo território brasileiro.

Segundo o IBGE, mais de 90% da agricultura brasileira depende das chuvas devido à ausência de sistemas de irrigação. Isso torna o setor altamente vulnerável a mudanças nos padrões de precipitação, o que pode comprometer a produção, com impactos econômicos que vão além das importações, mas ao preço da comida que chega ao prato dos brasileiros.

➡️ Um exemplo é o Paraná, grande produtor de soja e milho, duas das principais commodities brasileiras. Em 2023, o estado gerou R$ 90,5 bilhões com esses produtos, segundo o governo estadual. Contudo, neste ano, já registrou perdas agrícolas significativas devido à seca extrema, totalizando R$ 10 bilhões até setembro.


➡️Outro exemplo é o Acre, que enfrenta a seca que castiga de forma mais severa os estados do Norte. O estado tem uma grande rede de produção agrícola, sendo um grande exportado de soja. No ano passado, o estado chegou a US$ 18,8 milhões arrecadados com o grão, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e de Serviços.

O estado teve mais de 300 mil pessoas afetadas pela seca severa, o que não fez com que só a commoditie fosse afetada, como também a agricultura familiar. Sem chuva, chegou a faltar alguns legumes e verduras no estado.

“Ao todo, 57% da renda do país com a agropecuária está focada nos nove estados que mais dependem das chuvas das terras indígenas para ter água. A falta de chuva com a ameaça constante a essas terras, resultado do avanço do desmatamento, afeta a economia do país e das famílias brasileiras”, explica Caio Mattos, que é autor do estudo.
O estudo aponta que, em determinadas regiões desses estados, até um terço das chuvas têm origem nos territórios indígenas.

As terras indígenas são áreas protegidas, mas vem sendo ameaçadas pelo desmatamento ilegal feito, principalmente, pela especulação de terras para o agronegócio.

Um estudo recente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que apesar de não serem suscetíveis de exploração, foram identificados mais de 200 mil registros de propriedades em áreas sobrepostas, ou seja, sobre terras indígenas.

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