O Pantanal é
o menor bioma do Brasil, ocupando apenas 1,76% do território nacional. No
entanto, é a maior área úmida continental do planeta, com 65% de sua extensão
no Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. Influenciado por outros quatro
grandes biomas — Mata Atlântica, Cerrado, Amazónia e Chaco (Pantanal do norte
do Paraguai e leste da Bolívia) —, o Pantanal possui características únicas.
Anualmente,
as cheias naturais cobrem cerca de 80% do Pantanal, transformando a região em
um vasto lençol d’água. Este ambiente favorece uma biodiversidade riquíssima,
abrigando pelo menos 4.700 espécies de fauna e flora, entre elas 3.500 espécies
de plantas, 325 espécies de peixes, 53 de anfíbios, 113 de répteis, 656 de aves
e 159 de mamíferos. Notavelmente, o Pantanal é o lar de várias espécies
ameaçadas em outros biomas, como o tuiuiú, ave que se tornou símbolo da região.
Infelizmente,
o Pantanal enfrenta hoje uma situação alarmante. Nos últimos anos, o bioma tem
registrado recordes em focos de incêndio, gerando dias consecutivos de céus
cobertos de fumaça, que chegaram a alcançar estados distantes, como o Rio
Grande do Sul. Essa crise ambiental é agravada pela seca, queimadas e
desmatamento, resultando na maior tragédia ambiental do bioma em décadas.
A ação humana
tem causado alterações significativas no clima, interferindo no ciclo natural
de chuvas, inundações e secas que sustentam a biodiversidade e riqueza do
Pantanal. Essas mudanças estão ameaçando todo o ecossistema, incluindo a fauna,
a flora e as comunidades que vivem na região, a ponto de tornar esta situação
crítica o “novo normal” do bioma Pantanal.
Por Rhaíssa
Biondo da Silva, bióloga e integrante do GESP.