Areais no Sudeste do Rio Grande do Sul/https://sema.rs.gov.br/areais
Por Waner Sanches Barreto, Professor, Doutor, integrante do GESP.
O combate à desertificação dos solos foi definido pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), da qual o Brasil é signatário. A preocupação global tem aumentado devido aos impactos das mudanças climáticas e à miserabilização dos povos que vivem nessas áreas. Essas regiões, como partes da África, China, Austrália, Nordeste do Brasil, EUA/México, Aral no Uzbequistão e Cazaquistão, Ásia Central e Oriente Médio, além do sul da Península Ibérica, são caracterizadas por clima árido, alta temperatura e baixa precipitação.
Um exemplo notável é o Egito, onde uma civilização desenvolveu-se historicamente em apenas 4% de seu território, na planície do Nilo. Atualmente, o país está envolvido em um projeto de reflorestamento no deserto, usando esgoto de 500 mil habitantes localizado a 20 km de Cairo. O projeto inclui o plantio de árvores nativas como carvalho e mogno, com irrigação duas vezes ao dia por planta, obtendo resultados surpreendentes.
No Brasil, 16% do território está suscetível à desertificação, especialmente nas regiões nordeste e sudeste, e nos Biomas Caatinga e Cerrado. O Rio Grande do Sul enfrenta um problema conhecido como “arenização”. Esse processo, embora tratado de maneira diferente pelos especialistas governamentais, tem consequências semelhantes à desertificação: redução da capacidade de retenção de água, perda de biodiversidade e inviabilidade para produção.
Apesar das causas serem tanto climáticas quanto humanas (antrópicas), como desmatamento, supressão vegetal, queimadas, manejo inadequado e uso de agrotóxicos, ainda não foi elaborado um projeto abrangente e contínuo para recuperar essas áreas degradadas. O solo não pode ser visto isoladamente do contexto natural, sendo que qualquer esforço de recuperação deve considerar o ambiente como um todo.
Para enfrentar a degradação dos solos, incluindo arenização, salinização e desertificação, estratégias devem priorizar o reflorestamento, revegetação, manejo sustentável, práticas agrícolas diversificadas, rotação de culturas, eliminação de queimadas, uso reduzido de agrotóxicos, além de modelos eficientes de irrigação. É crucial que instituições como Embrapa, Emater, universidades públicas e privadas, órgãos governamentais e entidades empresariais se unam em uma campanha nacional e contínua contra a degradação dos solos.
Tudo começa e depende de um projeto amplo e contínuo, incluindo a educação ambiental, envolvendo pessoas de todas as idades na conscientização de que todos se beneficiarão, especialmente com a melhoria do clima, preservação da biodiversidade e aumento da capacidade produtiva. Em um mundo onde a fome é uma epidemia crescente, não podemos ignorar a recuperação de solos degradados, mesmo que seja um processo lento e custoso. Os danos ambientais causam prejuízos sociais e econômicos incalculáveis, e é imperativo agir agora para reverter essa tendência.