• TODA A EDUCAÇÃO DEVERIA SER AMBIENTAL

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Por Flávia Biondo da Silva, bióloga, Mestra em Educação e Presidenta do GESP.
Se a educação fosse ambiental desde o princípio, não enfrentaríamos tantas catástrofes humanitárias.
A preocupação com a educação ambiental surgiu a partir da iminência de extinção da humanidade, seja por bombas atômicas, mudanças climáticas, repressão, superpopulação, poluição e destruição da natureza, onde a educação ambiental (EA) se apresenta como uma proposta alternativa para melhorar a convivência entre humanos e a natureza. Preocupação de Silva (2005) ainda atual.

A repressão e dominação humana, representada na segunda guerra mundial e nos regimes ditatoriais da seqüência, tornaram-se inadmissíveis e contestados mundialmente, sendo hoje a ameaça nuclear global umas das maiores preocupações planetárias. Após os últimos ataques terroristas e principalmente o de 11 de setembro de 2001 no World Trade Center nos Estados Unidos, a garantia do controle das armas nucleares fica cada vez mais difícil, que associada à ameaça terrorista de auto-aniquilamento e a cobiça do poder de dominação do planeta, torna-se vulnerabilidade mundial. Também, a contribuição humana na aceleração degradatória do planeta, no uso irrestrito dos recursos naturais e na multiplicação das poluições em todos os continentes, é uma ameaça global a vida do planeta.

A ideia ganhou força a partir do primeiro evento mundial, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano de 1972, em Estocolmo, e se consolidou em 1977 na Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, organizada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, criado em 1972) onde foi estabelecida na Declaração de Tbilisi, onde o evento ocorreu. No Brasil, a EA foi influenciada pelo movimento ecológico liderado por José Lutzenberger, no Rio Grande do Sul. Segundo Isabel Carvalho (2024), “a educação ambiental é uma prática que, ao menos na América Latina e no Brasil em particular, se construiu em sintonia com a prática social dos movimentos ecológicos, num contexto de difusão da temática ambiental na sociedade.” Em que, o sujeito ecológico brasileiro se destaca pela sua condição de sujeito político.
A participação de universidades e movimentos populares resultou na criação do Artigo 225 da Constituição Nacional, que responsabiliza governo e sociedade pela proteção do meio ambiente e estabelece a educação ambiental como necessária em todos os contextos, formais ou não. Em 1999, a Política Nacional de Educação Ambiental ampliou e fortaleceu essa proposta, instituindo como princípios básicos:

• Enfoque humanista, holístico, democrático e participativo;
• Concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, socioeconômico e cultural, sob a perspectiva da sustentabilidade;
• Pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da interdisciplinaridade;
• Vinculação entre ética, educação, trabalho e práticas sociais;
• Garantia de continuidade e permanência do processo educativo;
• Avaliação crítica permanente do processo educativo;
• Abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais;
• Reconhecimento e respeito à pluralidade e diversidade individual e cultural.
Antes e após a implementação dessa política, a EA foi foco de constante pesquisa e aperfeiçoamento. Contudo, nos últimos tempos, a EA sofreu estagnação devido aos retrocessos na legislação ambiental no Brasil, com governos e legisladores antidemocráticos desarticulando processos participativos e não promovendo conferências ambientais ou financiando pesquisas na área.

Apesar disso, os princípios da EA ressurgem diante das catástrofes ambientais no país, onde a vida humana está em risco devido as secas e enchentes, devido principalmente pelas ações humanas de destruição florestal na Amazônia e no Pantanal, seguindo no do Cerrado e da Caatinga, além da desvalorização dos Biomas, não sendo diferente a devastação da Mata Atlântica e do Pampa. A negação das mudanças climáticas resulta em enchentes e alagamentos pela falta de prevenção de processos naturais de retenção de águas e a não manutenção estruturas de controle de cheias nas cidades.

A educação ambiental é um processo de transformação de consciência que envolve a participação da sociedade na construção de soluções respeitosas à natureza, a democratização do acesso aos recursos naturais, a busca de criar cidades humanitárias, na produção de alimento por agriculturas alternativas, no cultivo da paz entre todos os territórios e no controle e prevenção das mudanças climáticas.
Referências bibliográficas
1.CARVALHO, Isabel Cristina de Moura O “Ambiental” como valor substantivo: uma reflexão sobre a identidade da EA. Disponível em: . Acesso em: 03 jun 2024.
2.SILVA, F. B. da. A dinâmica de um museu de ciências naturais: a transformação paradigmática do museu zoobotânico Augusto Ruschi. 2005. 173 f.: Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade de Passo Fundo, 2005.

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