• Bioma Caatinga diversidade esquecida

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A região das Caatingas, localizada no nordeste do Brasil, abrange uma área estimada em cerca de 800.000 km², conforme dados do IBGE de 1985. Esta área engloba os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, a maior parte da Paraíba e Pernambuco, além do sudeste do Piauí, oeste de Alagoas e Sergipe, a região norte e central da Bahia e uma faixa que se estende em Minas Gerais ao longo do rio São Francisco, incluindo um enclave no vale seco da região média do rio Jequitinhonha. Além da ilha de Fernando de Noronha, conforme documentado por Andrade-Lima (1981).

O termo “caatinga” tem origem na língua Tupi-Guarani e significa “floresta branca”, descrevendo de forma precisa a aparência da vegetação durante a estação seca, quando as folhas caem (Albuquerque & Bandeira, 1995), deixando apenas os troncos brancos e reluzentes das árvores e arbustos na paisagem ressequida.

O Bioma Caatinga realmente abriga um número considerável de espécies. O que a diferencia das outras regiões é que ela tem sido pouco estudada, evidenciando, nos estudos mais recentes, a grande diversidade endêmica.

A Caatinga é a única grande região natural brasileira cujos limites estão inteiramente restritos ao território nacional, além de ser a menos estudada entre as regiões naturais brasileiras e é a menos protegida, pois as unidades de conservação cobrem menos de 2% do seu território. Um dos Bioma que continua passando por um extenso processo de alteração e deterioração ambiental provocado pelo uso insustentável dos seus recursos naturais, o que está levando à rápida perda de espécies únicas, à eliminação de processos ecológicos chaves e à formação de extensos núcleos de desertificação em vários setores da região.

A Caatinga se destaca como a única grande região natural brasileira cujos limites estão totalmente contidos no território nacional. No entanto, é a menos estudada e protegida entre as regiões naturais do Brasil, com menos de 2% de seu território coberto por unidades de conservação. Este bioma continua enfrentando um amplo processo de alteração e deterioração ambiental devido ao uso insustentável de seus recursos naturais. Esse cenário tem causado a rápida perda de espécies únicas, a eliminação de processos ecológicos fundamentais e a formação de extensas áreas de desertificação em vários setores da região. De acordo com Garda (1996), somente a presença da vegetação adaptada da Caatinga pode impedir a transformação do nordeste brasileiro num imenso deserto.

Conforme Prado (1991) as Caatingas tem um nível de endemismo de cerca de 42% de espécies de plantas suculentas e lenhosas. Onde se destacam plantas como cactos (mandacaru, xique-xique e facheiro), bromélias e leguminosas (catingueiras, juremas e angicos). Árvores que armazenam água, como a barriguda e o umbuzeiro, também fazem parte dessa rica flora.

A Caatinga abrange 182 animais ameaçados de extinção. Desses, 46 existem apenas neste bioma. Um deles é a ararinha-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), que está sendo reinserida na natureza.

Os habitantes da Caatinga, conhecidos como catingueiros, abrangem uma variedade de grupos como sertanejos, vaqueiros, agricultores, comunidades indígenas, quilombolas, entre outros. Essa região é o lar de comunidades tradicionais como os indígenas Tumbalala, Xukuru, Pankararu e os quilombolas de Conceição das Crioulas. Essas comunidades desenvolveram estratégias próprias de sobrevivência e adaptação às condições específicas da Caatinga. São detentores de conhecimentos sobre o cultivo e as propriedades medicinais das plantas locais, dominam a antiga arte de encontrar águas subterrâneas usando forquilhas (conhecida como hidroestesia), e interpretam os sinais da natureza que antecedem secas prolongadas ou períodos de chuvas. Uma rica cultura que merece atenção, principalmente em época de mudanças climáticas, onde muitos ensinamentos podem ser aproveitados.

Imagens: Minas Gerais à Crato/Ceará
Fotos: Gisele Sana Rebelato

Fonte Bibliográfica

LEAL, Inara R.; TABARELLI, Marcelo; SILVA, José Maria Cardoso da (Edit.). Ecologia e conservação da caatinga. – Recife : Ed. Universitária da UFPE, 2003. 822 p.

Povos e Comunidades Tradicionais da Caatinga

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