Local usado para descarte por empresas de tele-entulho no bairro Petrópolis, a cada dia se torna um lixão na área urbana de Passo Fundo
| Por Álvaro Henkes |
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(Redação Passo Fundo / DM)
Rádio Diário AM 570 – policiadm@diariodamanha.net
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A antiga pedreira, localizada no bairro Petrópolis I, está servindo como depósito de lixo doméstico. O maior problema é a proximidade com o rio Passo Fundo, o que torna ação em agressão ao meio ambiente.
Durante os dias em que a reportagem acompanhou a movimentação da área, que fica no perímetro das ruas Olavo Bilac, Floresta, Caramuru, Mauricio Sobrinho e avenida Princesa Isabel, cinco diferentes empresas depositaram material no local, além de veículos da prefeitura municipal.
Para o leitor que revelou a situação da área, a preocupação é com o Rio Passo Fundo, pois a poucos metros do local existe uma barranca do rio que abastece a cidade: “De que adianta barreiras de contenção de lixo, se estamos criando um lixão ao lado do rio?” questiona o morador do bairro São Luiz Gonzaga.
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(Situação do rio Passo Fundo próximo ao depósito de entulho preocupa moradores / FOTOS ÁLVARO HENKES )
Entulho versus lixo
O entulho é resíduo da construção civil oriundo de demolições e restos de obras, solos de escavações, um material inerte ao meio ambiente, quase sempre passível de reaproveitamento, com grande volume na cidade devido às diversas obras provocadas pelo bom momento da economia no setor de empreendimentos, porém a população acaba depositando lixo doméstico nas caçambas que acabam sendo depositadas na antiga pedreira que está localizada em uma área urbana e próxima ao rio Passo Fundo.
De acordo com entidades não-governamentais estima-se que o Brasil perca, por ano, R$ 4,6 bilhões, ao não reaproveitar o lixo que produz e, que 40% dos municípios não recebem nenhum serviço de coleta de lixo.
“A antiga pedreira não é um aterro sanitário, nem local para depósito de lixo doméstico, desta forma a única solução será a interdição da área.
Com a palavra, o Ministério Público
Para Paulo da Silva Cirne, promotor da 1º Promotoria de Justiça Especializada de Passo Fundo, o assunto deve ser tratado com cautela. “A área em questão foi utilizada por empresas com conhecimento do Ministério Público, em alguns momentos recebemos denúncias de depósito de resíduos domésticos naquela área. As empresas foram informadas, muitas vezes o material foi retirado e a situação normalizada, mas estes fatos ocorrem de forma sucessiva”, disse.
Depois de verificar as fotos registradas pela reportagem, o promotor destacou que a situação está muito mais grave. “Em virtude disso estamos solicitando uma vistoria por parte Secretaria Municipal do Meio Ambiente”. Segundo Cirne, caso ocorra a comprovação deste contexto, a solução será a interdição da área. “Se não houver uma forma de controlar a entrada de resíduos domésticos e, um controle sobre a entrada e saída de pessoas daquele local, não será mais possível as empresas de tele-entulho usar a antiga pedreira para depositar seus resíduos”.
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(Antiga pedreira da Petrópolis é local de descarte dos materiais de entulho produzidos na cidade / FOTOS ÁLVARO HENKES )
A maior preocupação do Ministério Público é relativa à proximidade com o rio Passo Fundo, o que demonstra que área está desvirtuada, uma vez que os resíduos de construção civil não gerariam tanto interesse de pessoas para buscar materiais de reciclagem.
Um índice aceitável, de acordo com o promotor, seria de no máximo 5% do total descartado dos resíduos como garrafas plásticas, sacos de lixo, papelão, porém o que se verifica é um percentual maior do que o aceitável. “A antiga pedreira não é um aterro sanitário, nem local para depósito de lixo doméstico, desta forma a única solução será a interdição da área” afirmou o promotor.
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(Seis pessoas buscam o seu sustento no local pela reciclagem dos materiais recicláveis que chegam pelos entulhos / FOTOS ÁLVARO HENKES )
O que diz o Poder Público O secretário do meio ambiente, Clóvis Alves, afirma a preocupação com a situação: “Realmente estamos enfrentando algumas dificuldades. As empresas que trabalham com as caliças (contêineres de metal) e locam para o recolhimento dos resíduos da construção civil, estão com dificuldades no que se refere a separação do lixo que pode ou não ser depositado na pedreira. Temos controle do local, onde não deve ser aterrado lixo doméstico. Existe uma acordo e estamos acompanhando de perto. Na semana passada chamamos todos os proprietários que utilizam essa área , que hoje são cinco, mais a prefeitura, para reafirmar as responsabilidades de cada um. O acordo é de que as empresas que fazem a gestão dessa área, que pertence a uma britadeira de Erechim, devem manter cercado, com vigilância contínua para o controle da entrada de materiais, triagem do lixo, o uso de um trator esteira para a alojamento dos entulhos, o material que não for aproveitado colocado em contêineres impermeabilizado e fechados. Desta forma a ação da chuva não transforma o lixo em chorume, descendo para o rio Passo Fundo”.afirmou o secretário.
Outros locais merecem atenção
O secretário afirma que há outros locais clandestinos, onde a população deposita entulho e lixo, muitos servindo para aterramento de banhados, descarte em locais de preservação permanente, entre outras ações prejudiciais ao meio ambiente. “A secretaria consegue autuar, mas não é sempre, fizemos apelo para a comunidade para quem flagrar essa situação registrar e comunicar a secretaria” concluiu o secretário.
Secretaria do Meio Ambiente: 3311-5494.
FOTO FABÍOLA HAUCH/ Contêineres de entulho são confundidos frequentemente como latas de lixo
Via: Diário da Manhã