Entidades lutam para manter prédios que registram a história de Passo Fundo. Largo Roseli Dolesk Pretto, no centro da cidade, reúne edificações centenárias e únicas na região
Boa parte da história de Passo Fundo está registrada e armazenada em um conjunto de prédios localizados na Av. Brasil, bem no centro da cidade. Em um terreno que se estende até a Rua Moron, estão edificações centenárias como a que abriga o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) da Universidade de Passo Fundo e o Museu Histórico Regional – prédio construído entre 1909 e 1911, de propriedade da prefeitura de Passo Fundo, tombado pelo poder publico municipal, Lei n° 2608/90 de 25/09/1990, e integrante do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio Grande do Sul, Lei 12.993 de 13/06/2008- e o da Academia Passo-Fundense de Letras onde também funciona a secretaria de Desporto e Cultura (SEDEC). Além disso, o complexo histórico também abriga várias entidades governamentais e não governamentais. A esse local dá-se o nome de Largo Roseli Dolesk Pretto. “Um patrimônio extremamente importante e único em nossa região”, disse um dos diretores do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP), Paulo Cornélio, durante entrevista ao programa Realidade dessa quinta-feira (02)
O GESP luta pela revitalização desse ponto importantíssimo do município. Paulo Cornélio contou que “em uma homenagem a professora e artista Roseli, que fez trabalhos belíssimos e desenvolveu muitas atividades, principalmente, em relação ao MAVRS, deu-se o seu nome ao largo, que é todo o conjunto interno e externo que vai da Av. Brasil a Moron”.
(Integrante do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP), Paulo Cornélio / FOTO ÉDSON COLTZ)
Cornélio destacou que além de ter um papel arquitetônico e histórico, o complexo é hoje marcado pela cidadania, pois as organizações ali instaladas desenvolvem ações, em sua maioria, de forma voluntária junto à sociedade. “Alguns anos atrás nós preocupados com isso, principalmente, com o processo de abando que se encontrava aquele espaço, começamos a desenvolver atividades junto com aquelas instituições. Formamos um grupo de trabalho para tentar procurar um plano diretor para o espaço físico, a partir daí as entidades começaram a desenvolver atividades em defesa do local. Tanto que hoje já tem um inquérito civil aberto no Ministério Público Estadual que está acompanhando todo o processo de revitalização”, contou ele. Mesmo assim, de acordo com Cornélio, não ocorreram grandes avanços em relação à melhoria da estrutura dos prédios.
“Um exemplo é o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, a antiga Intendência do Município, tem 100 anos e até recentemente ainda tinha goteiras, problemas de infiltração e com a fiação elétrica. E não podemos esquecer que ele abriga um acervo fantástico, único em nossa região, tanto de arte como também de elementos históricos extremamente importantes. Ao lado o Teatro Municipal, que também está em situação lamentável. O único prédio que apresenta melhor situação é o da Academia Passo-Fundense de Letras que teve melhoria na parte frontal por intermédio do Ministério Público”, afirmou o integrante do GESP, ao lamentar que é preciso recorrer ao MP quando não existem outras alternativas para manter a estrutura.
Parque da Gare
O GESP juntamente com a União das Associações de Moradores (UAMPAF) também recorreu ao Ministério Público, em 2009, pedindo que houvesse intervenção para a conservação do Parque da Gare. Em 2011, outro relatório foi feito apontando os problemas existentes na área de lazer. Segundo Cornélio, a intenção é chamar a atenção da administração para a necessidade de guarda-parques, de funcionários capacitados e um departamento para resguardar esses espaços, mas ele também alerta que é preciso a população tomar para si a responsabilidade de manter o que é público. “A população tem responsabilidade nisso. Temos que criar mecanismos para que a população utilize as praças e para que as pessoas ajudem a cuidar desses locais”, enfatizou.
Via: Diário da Manhã