• Parte da história de Passo Fundo garantida

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Monumentos históricos de Passo Fundo são tombados pelo poder público municipal e têm garantida sua integridade estrutural
Alessandra Pasinato

(Redação Passo Fundo / DM)

A edificação principal da escola Protásio Alves, a Igreja Matriz, a Caixa d’água e a ruína no Parque da Gare, além do muro, guarita e as três edificações do Quartel do Exército são as edificações antigas de Passo Fundo que passam a ser bens integrantes do patrimônio histórico cultural da cidade. O tombamento definitivo foi publicado em edital nesta terça-feira, 07, garantindo a preservação das características arquitetônicas, volumétricas e fachadas, sendo preservadas ainda, as características internas e externas dos mesmos.
Além destas edificações, o município já têm tombados em caráter definitivos os prédios do Moinho e do Silo. Conforme o historiador Paulo Monteiro, o tombamento representa a preservação desses prédios e edificações que encerram toda uma história da cidade. “Não são apenas um amontoado de telha, cimento e tijolos”, aponta ele, lembrando que uma preocupação da comunidade é que não devem ser preservadas apenas as fachadas, mas sim todas as características arquitetônicas dos locais.
Para o historiador Mauro Gaglietti, Passo Fundo é preciso preservar a memória, evitar que o mercado imobiliário tome conta com edifícios em lugares que são referenciais para a cidade. “Claro que a indústria tem as suas razões, mas temos que definir que tipos de prédios realmente tem valor histórico”, frisa ele. Uma diferenciação importante, apontada por Gaglietti é entre prédio antigo e prédio com valor histórico. “Temos que valorizar os prédios com valor ligado à economia da cidade de outros tempos, à diversão e forma como as pessoas usavam o seu tempo livre. Quero dizer, essas situações que dialogam com o imaginário de uma cidade que foi passagem dos tropeiros, isso tem valor histórico”, conclui o historiador.
FOTO ARQUIVO DM/ Prédio do Moinho, uma das edificações que já haviam sido tombadas em caráter definitivo pelo município
Tombamento
O tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público, com o objetivo de preservar, por intermédio de legislação específica, bens de valor histórico, cultural e arquitetônico. Conforme Cibele Dal Zotto, do Núcleo de Patrimônio Histórico e Cultural, o tombamento é a primeira ação a ser tomada para preservação de um bem cultural, na medida em que impede legalmente a sua destruição. “No caso de bens culturais, preservar não é só memória coletiva, mas todos os esforços e recursos já investidos para sua construção”, explica.

O tombamento pode ser feito nas três esferas de poder: federal, estadual e municipal. Segundo Dal Zotto, no caso de Passo Fundo, o primeiro passo é a análise do valor histórico que a edificação representa, ainda, a segunda etapa é a indicação através de um processo administrativo destinado ao órgão responsável pelo Patrimônio Histórico de Passo Fundo, o qual se encontra na Secretaria de Planejamento (SEPLAN). “No processo, deve constar um inventário do bem a ser tombado, que é basicamente uma ficha técnica constando todos os dados do bem e sua história”, informa ela.
No Núcleo de Patrimônio Histórico, o processo é avaliado. “Se o bem realmente for importante para a história da cidade e o órgão executivo decidir, há o tombamento provisório do bem”, observa ela. No prazo de 30 dias a partir da publicação, procede a notificação ao proprietário possuidor ou detentor do bem, que tem o prazo de 15 dias para opor-se ao tombamento definitivo. Os proprietários de bens tombados definitivamente poderão usufruir da venda do potencial construtivo do terreno em que o Bem Tombado se encontra, de acordo com o decreto 203/2010, como informa Dal Zotto.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição 
Localização: Rua Uruguai, nº 1717
Tombamento Provisório: Decreto n° 231/2006
Uso: Critério 01 – Uso religioso
Construção: final do século XIX
Descrição: A Igreja Nossa Senhora da Conceição é a mais antiga paróquia da cidade. Construída no final do século XIX, tem características neoclássicas observadas através do uso do frontão, das pilastras, do friso e do arco romano no acesso principal.

Conforme Monteiro, a Igreja Matriz é uma igreja muito antiga. “Meu trisavô Joaquim Mendes Monteiro casou-se em 1858 com minha trisavó nesse local”, conta. Segundo ele, a igreja existe desde a emancipação de Passo Fundo. “É um prédio antigo que fica bem no local onde começou a povoação da cidade, com o cabo Manoel José das Neves em fins de 1827, aqui no entrono da praça Tamandaré, então é interessante a preservação desse local, uma edificação com cerca de 150 anos e onde começou a cidade de Passo Fundo”, destaca o historiador.

FOTO ALESSANDRA PASINATO/ Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
Caixa d’água metálica – no Parque da Gare

Localização: Av. Sete de Setembro
Tombamento Provisório: Decreto n° 227/2006
Uso: Critério 01 – Uso monumental
Construção: 1865

FOTO ALESSANDRA PASINATO/
Caixa d’água metálica,
localizada no Parque da Gare
Descrição: A caixa d`água metálica está localizada junto à estação férrea, no Parque da Gare. Considerada o principal ícone da paisagem férrea, caracteriza as edificações industriais da época, pela sua estrutura metálica. Um dos mais fortes ícones urbanos da cidade.
Para o historiador Paulo Monteiro, a Gare significa muito para Passo Fundo, tanto que a chegada da estrada de ferro representou um grande avanço para a cidade, que se tornou um centro econômico pelo transporte de madeira e agrícola. “Foi um núcleo comercial que funcionou como uma central de compra da rede ferroviária, movimentando grande quantidade de dinheiro”, aponta ele, enfatizando que a vinda e estabelecimento de ferroviários com suas famílias no entorno significou o avanço dos loteamentos. “A vila Schell, a vila Rodrigues, o bairro Cruzeiro e outros bairros, abrigaram essas pessoas e isso contribuiu para o crescimento e a urbanização”, pontua ele, que acredita que a caixa d’água é o símbolo visível dessa ocupação.

Ruína – no Parque da Gare


Localização: Av. Sete de Setembro


Tombamento Provisório: Decreto n° 234/2006

Uso: Critério 01 – Uso monumental

Descrição: As ruínas fazem parte das edificações técnicas do complexo ferroviário da Praça da Gare. Era usado como depósito e, hoje, foi incorporado ao projeto do parque, ganhando importância paisagística no mesmo.

De acordo com Monteiro, as ruínas eram parte do complexo da Gare, um conjunto de escritórios, de depósito de produtos que chegavam e saiam e de suprimentos para a própria rede ferroviária. “A rede ferroviária trouxe grande produção de dormentes, enfim, a indústria madeireira se desenvolveu muito”, argumenta. 
FOTO ALESSANDRA PASINATO/ Ruína no Parque da Gare

Muro, guarita e as três edificações do Quartel do Exército Brasileiro
Localização: Rua Teixeira Soares, s/nº
Tombamento Provisório: Decreto n° 229/2006
Uso: Critério 01 – Uso Institucional
Construção: 1922-1926
Descrição: Os edifícios possuem uma austeridade arquitetônica que caracteriza edificações militares e constitui testemunho de um período histórico de apogeu e desenvolvimento da cidade.

O Quartel do Exército Brasileiro, com a presença dos militares, foi reconhecido como produção estratégica de Passo Fundo, como explica Monteiro. “Aquele prédio chegou a ser tomado em 1923 pelas Forças Revolucionárias, as forças libertadoras da Revolução de 23, que foi tramada em Passo Fundo, sob a liderança do deputado Artur Caetano. A estratégia para o cerco e tomada da cidade, que só não se concretizou pela presença armada da Brigada comandada pelo General Firmino de Paula”, descreve o historiador. No local houve a presença de autoridades e personalidades e grande militares, como o General Setembrino de Carvalho.
FOTO ALESSANDRA PASINATO/
Muro, guarita e as três edificações do Quartel do Exército Brasileiro

Edificação Principal da Escola Estadual de Ensino Médio Protásio Alves


Localização: Av. Brasil, s/nº


Tombamento Provisório: Decreto n° 229/2006

Uso: Critério 01 – Uso institucional

Construção: 1927-1929

Descrição: Edificação monumental com estilo neoclássico, imbuídos com o racionalismo presente no governo da época.

Como conta Monteiro, o prédio é do inicio do século passado e foi a Escola Estadual de Passo Fundo, que representou um marco em termos de educação. “Ali funcionou o teatro de Lojas Caminha, num galpão, uma espécie de salão que tinha ao lado, com uma série de atividades comunitárias”, constata ele. De acordo com o historiador, grandes personalidades passaram pelo prédio, que era originalmente uma continuidade da praça ErnestoTocchetto, que foi desafora, ou seja, deixou de ser praça por lei e foi transformada em um espaço para a escola.

FOTO ALESSANDRA PASINATO/
Edificação Principal da Escola Estadual de Ensino Médio Protásio Alves 
 

Via: Diário da Manhã

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