A união de esforços envolvendo escola, comunidade e poder público transformam o Bairro Bom Jesus em uma das comunidades mais preocupadas com a questão ambiental
Por: Alisson Dozza
(Redação Passo Fundo / DM)
O Bairro Bom Jesus, por muitos anos, ficou conhecido como uma das regiões mais violentas de Passo Fundo. Considerado por alguns como a periferia da cidade, a comunidade tenta mudar esse estigma através de diversos projetos. Com aproximadamente 1,3 mil habitantes, os moradores buscam na conscientização ambiental uma maneira de melhorar a imagem do bairro.
E essa mudança só foi possível devido à dedicação e empenho de um professor, que deu o passo inicial. Há 17 anos, o técnico agropecuário e professor Jaimir Zamachi, começou um trabalho de conscientização na escola, o Projeto Viver, que depois de um tempo, atingiu todo o bairro. “Nós começamos a trabalhar a questão com os alunos no turno inverso, onde eles aprenderam a importância de preservar o meio ambiente, a reciclagem, a importância de sujar os rios, e isso eles irão colher no futuro”,explica o professor.
(Projeto Sala Verde Itinerante visita escolas falando sobre o meio ambiente / FOTO ALISSON DOZZA)
Com essa iniciativa, as mudanças foram percebidas rapidamente. Uma das principais queixas que existia era em relação ao cheiro que vinha do córrego, que corta o bairro. Com o apoio dos alunos, o professor Zamachi estimulou que eles plantassem algumas árvores, que iriam eliminar o problema: “Ninguém mais comentou sobre o cheiro, por que isso foi resolvido. Nós temos mais árvores, com isso mais oxigênio, o que ajuda a acabar com o mau cheiro”.
Para quem vive o dia-a-dia da comunidade, como os alunos, pais e professores do Ciep da Bom Jesus, também percebem essa mudança. Segundo a professora Josete Mari Barrismello, os alunos estão trabalhando para ter um planeta melhor: “A nossa região tem essa preocupação e eles estão plantando hoje para colher amanhã”.
O projeto tem dado tão certo que até um teatro já foi montado para mostrar a importância de preservar o meio ambiente. Todo o material, desde o cenário até as roupas dos alunos que encenam a peça é de material reciclado. O sucesso é tão grande, que eles estão se apresentando em outras escolas. “Nós temos alunos que estão em sintonia com a questão ambiental, tanto que falam até do Rio+20, que está sendo realizado no Rio de Janeiro. Então é importante ver como eles estão assumindo essa responsabilidade”, salienta o professor.
“Nós temos que trabalhar de forma paliativa. Eles estão começando um projeto que daqui 50 anos os filhos deles estarão aproveitando um meio ambiente mais limpo. Então é bem válido o que estamos fazendo aqui, pelos nossos alunos, comunidade e planeta”, explica o professor Zamachi.
Além da escola, existem outros projeto importantes, que ajudam a preservar o meio ambiente. Um deles é realizado por alguns moradores, que são catatores de material reciclado, que acabam sendo vendidos depois. Além disso, dentro dos próximos dias eles terão um galpão de reciclagem, que irá receber todo esse lixo, gerando renda para os moradores.
Existe também a Associação Mulheres em Busca da Vitória, que há 13 anos realiza trabalho junto com a comunidade, onde são desenvolvidos trabalhos com material reciclado e depois são vendidos. Mais uma forma de renda e preservação do meio ambiente.
(Alunos participam do Projeto Viver / FOTO ALISSON DOZZA)
Sala Verde
Nessa terça-feira, 19, o CIEP da Bom Jesus recebeu o Projeto Sala Verde Itinerante, que é vinculado ao Muzar, Museu Zoobotânico Augusto Ruschi, e que tem por objetivo ir até as instituições de ensino e passar a importância de se cuidar o meio ambiente.
A coordenadora do Muzar, Flávia Biondo explica que o Circuito Tela Verde apresenta, através das Salas Verdes, vídeos que foram produzidos em diferentes cidades do Brasil, por pessoas, entidades, instituições de ensino, que mostram o diferencial em relação aos cuidados com o meio ambiente: “A ideia é multiplicar esse material para que outras pessoas possam utilizar isso como instrumento de sensibilização na preservação ambiental”.
Para a professora de geografia e história, Iara Alves Nadal, toda a comunidade acaba ganhando com o trabalho da Sala Verde: “Essa é uma conscientização para o futuro do planeta, até por que isso tem sido debatido todos os dias, e a gente têm que tomar providências para ter um planeta melhor”.
Segundo a diretora Sely Feja, há 18 anos não existia uma árvore plantada no bairro. Com o início desse engajamento com a comunidade, hoje a realidade é totalmente diferente. “Hoje nós temos área verde, vegetação e procuramos sempre trabalhar com a reciclagem, saber aproveitar o lixo, conscientizando os alunos”, destaca a diretora.
(Material que iria para o lixo vira artesanato / FOTO ALISSON DOZZA)
Via: Diário da Manhã
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