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Em 15 dias, aumentou 150% a capacidade de triagem na esteira da Recibela e os trabalhadores estão motivados com as mudanças
Por Alessandra Pasinato

Depois que as atividades de destinação de resíduos sólidos do município passaram a ser operada por uma empresa contratada de forma emergencial pelo poder público municipal, os trabalhadores que fazem a triagem e reciclagem na usina da Associação dos Recicladores do Parque Bela Vista, a Recibela, tiveram uma nova motivação. De todo o resíduo destinado para o aterro, as cerca de 140 toneladas diárias, apenas o equivalente a cinco caminhões passava pela esteira de reciclagem. Em 15 dias, depois da tomada das atividades por parte da empresa Reciclar Passo Fundo, a capacidade de triagem aumentou 150%, limpando o pátio do local, que antes estava cheio de material para ser reaproveitado.

As histórias são inúmeras e eles sabem bem como é fazer o trabalho diário de reciclagem. Muitos dependem exclusivamente da renda que advém da usina, já outros a utilizam como um complemento na renda familiar. Há dois anos, quando iniciou o trabalho na Recibela, cerca de 60 pessoas trabalhavam no local, que devido às condições estava com apenas 17 associados. Depois do dia 01 de junho, quando a Recicla Passo Fundo começou operar, foi adaptada a metodologia do trabalho, que aumentou significativamente. Hoje, são 27 pessoas, 10 a mais, o que representar um aumento significativo no trabalho e também na renda dos associados.


(Pátio da usina já não apresenta mais a grande quantidade de material / FOTO ALESSANDRA PASINATO)




Renda às famílias

Mãe de sete filhos, seis deles biológicos e um adotado, a presidente da Recibela, Catarina da Rosa, de 47 anos trabalha desde o início da associação. Em dezembro do ano passado, ela perdeu dois filhos e no trabalho encontrou uma forma de superar a perda. Para ela o trabalho é bom. “Gosto muito. Tem que gostar, senão, não fica. Os amigos são ótimos, somos uma família, porque um representa o outro. Quando precisamos sair para resolver alguma coisa, eles ficam trabalhando e a gente vai por eles”, conta ela.
Aos 32 anos e pai de quatro filhos, o coordenador da associação, Nelson Claros de Ramos conta que quando iniciou na usina adquiriu um automóvel e pode comprar eletrodomésticos para sua casa. Com a queda na produção, sua renda ficou comprometida e o Chevette ano 1987 teve que ser vendido. Além disso, ele comenta que em períodos de dificuldade teve que vender até uma televisão, mas com o trabalho árduo conseguiu comprar um aparelho novo.



(Empresa busca das mais condições aos recicladores / FOTO ALESSANDRA PASINATO)

Condições de trabalho

De acordo com Nelson, agora estão conseguindo trabalhar. “Tínhamos dificuldade. Até para prensar, como todo mundo tinha que estar na esteira, era prensado apenas a cada três dias. Todos que entravam iam embora porque não tinha renda”, declara ele, apontando que aumentou o trabalho e com as condições que estão sendo dadas em razão da parceria, até tem como ter mais pessoas trabalhando na usina.

Para Catarina, depois que a nova empresa assumiu a operação da usina, o trabalho de reciclagem melhorou bastante. “O material está saindo mais, antes não tinha condições, arrumava uma coisa estragava outra. Já começou a melhorar, mas temos a expectativa que melhore cada vez mais”, declara ela. Segundo Nelson, o trabalho só dá certo porque todos trabalham em cooperação.

Recicla Passo Fundo
As primeiras alterações de fluxo de carregamento de produto final para aterro foram feitas, como informa um dos sócios da Recicla Passo Fundo, Cleber Bordignon. “Essa mudança já proporcionou passagem de 50% de todo o lixo pela esteira de triagem. O volume aumentou consideravelmente e queremos dar mais condições de trabalho para a Recibela”, diz ele. Enquanto que o trabalho rendia em media 3h por dia, com o novo sistema os recicladores estão operando o dia todo, sem parada. 


(Mais 10 pessoas foram necessárias para fazer o trabalho da Recibela, que hoje conta com 27 associados / FOTO ALESSANDRA PASINATO)

O trabalho é possível em razão da parceria de três entidades, sendo que o local é da prefeitura e a cooperativa é independente e faz a triagem. “O nosso contrato é receber o produto, ou seja, o lixo recolhido e dar condições de triagem para a Recibela. Ter esteira funcionando e que eles possam ter condições de coletar o material”, salienta ele. De todo o material que passa pela esteira, o que não for coletado é destinado para um aterro devidamente licenciado, que atualmente ainda é o de Minas do Leão.”Temos três opções de aterro licenciado, seria Giruá, Palmeira da Missões e o de Marau”.

O investimento que vai ser feito pela empresa é de R$ 300 mil a R$ 400 mil. “Queremos, com novos equipamentos que estão chegando, aumentar o volume de reciclado que ainda está passando, o que aumenta ainda mais a receita da Recibela. A nossa previsão é que em no máximo 90 dias tenhamos esses equipamentos funcionando”, finaliza Bordignon.

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