No dia 23 de julho, a Associação Passofundense de Cegos comemora seus 13 anos. Por meio de atividades e parcerias, ela ajuda a pessoas com diferentes graus de deficiência visual a garantir sua independência e mobilidade
Criada em 23 de julho de 1999, a Associação Passofundense de Cegos (Apace) iniciou com o objetivo de amparar cegos e deficientes visuais na luta da inclusão social. Desde então, ela atende à comunidade de Passo Fundo e região, trabalhando com a educação, reabilitação e buscando promover a independência, mobilidade e garantia dos direitos civis, políticos e sociais.
Conforme Fábio Flores, Secretário da Apace, um dos principais trabalhos é em relação à mobilidade. Por questões de espaço, os alunos são ensinados a caminhar sozinhos diretamente nas ruas, com acompanhamento direto. “Também temos aulas de braile, artesanato, trabalhos manuais, hidroginástica, que é em convênio com a UPF, musicografia em braile, violão popular e clássico e atendimento psicológico”. O secretário explica que só não conseguem fazer mais coisas pela limitação de espaço que encontram, que atualmente é restrita.
A associação conta com uma biblioteca com material adaptado e, para os assuntos que não tem, dois professores voluntários fazem as leituras. Possuem também cozinha, refeitório e uma sala, onde se intercalam para fazer os diferentes trabalhos da associação, como o atendimento psicológico.
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(Apace completa 13 anos na segunda-feira (23) / FOTO BIBIANE MOREIRA)
Recentemente, a Apace recebeu doação de brinquedos adaptados para estimulação de crianças e para montar uma brinquedoteca. A meta, no entanto, é que possam conseguir uma sede adequada para realizar maiores atendimentos e com melhor qualidade. “O nosso sonho mesmo é termos um centro de habilitação ou reabilitação que atenda a pessoas com deficiência, abrangendo Passo Fundo e região e atendendo desde crianças de colo até idosos”, comenta Fábio.
Para essa ideia, eles sonham com uma sala em que possam ter simulação de obstáculos – como escada, buracos e outros – de modo que as pessoas possam aprender primeiro em um local fechado para depois ir sozinho ao ambiente externo. Também espaços específicos, como uma sala de brinquedos – a brinquedoteca – e de atendimentos psicológico, fonoaudiológico e outros, são vontade da diretoria da Apace.
Luciana Ricci Cairos, psicóloga e psicopedagoga da associação, explica que a base do trabalho com o deficiente visual é em relação à mobilidade, principalmente na infância. “Na infância, é através do brincar que vão aprender coisas do dia a dia. Através do brinquedo eles vão conhecer coisas do mundo, como os animais, ou os jogos. Muitas vezes, eles não sabem brincar e, para que cheguem ao letramento, para que aprendam a ler um dia, eles se desenvolver, aprender e ter o domínio corporal, motor. Mas se não tem espaço pra isso, fica limitado o trabalho”, comenta.
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(Associação fornece aulas de braile, artesanato, trabalhos manuais, hidroginástica, musicografia em braile e atendimento psicológico / )
Seria necessário, segundo a psicóloga, que para um trabalho ainda melhor houvesse um espaço de convívio para os alunos. “Para muitos deles não há espaço em casa, e vir até aqui é muito bom. Só que não existe muito espaço para isso”, lamenta.
Novos associados
Para os novos que chegam na associação, o primeiro passo é ver se a pessoa é cega total ou de baixa visão, e dentro disso fazer uma triagem. “Além de conversar, ver o que essa pessoa tem de dificuldades, suas potencialidades, e explicar que a associação veio para promover e defender os direitos, em qualquer âmbito, das pessoas cegas, e propiciar atividades que dêem uma independência maior a elas, melhor qualidade de vida, de modo a tornarem-se sujeitos de si próprios. Não pescar o peixe para eles, mas ensinar a pescar”, explica Fábio. Além do trabalho com os adultos e crianças, a associação fornece atendimentos individuais, avaliação e trabalho de adaptação. “A gente sempre diz que a dificuldade ou ausência de visão é uma limitação a mais que a pessoa tem, mas ela não é incapaz”, complementa.
Como ajudar
A Apace sobrevive a partir de um convênio com a prefeitura, que libera verba para contratação de profissionais, e promoções que arrecadam dinheiro, além rifas e venda de cachorros-quentes, por exemplo. Por não ter conseguido ainda o certificado de filantropia, são muitos os encargos sociais que precisam ser pagos. Assim, a associação também participa da Nota Solidária (arrecadação de notas fiscais), e aceita doações, sejam elas em dinheiro, serviços ou outros, conforme explica o secretário Fábio.
Via: Diário da Manhã