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Publicada em: 12/02/2013 – 09:05 
 
    
Natália Fávero
 

Comunidade em Ação: O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas completa neste ano trinta anos

Créditos: Divulgação Gesp


Três décadas de comprometimento com o meio ambiente

Educação ambiental na nascente mãe Rio Jacuí e Rio Passo Fundo

Há três décadas o Grupo Ecológico é um Sentinela dos
Pampas. O Gesp procura honrar a origem do nome inspirado no pássaro
Quero-Quero, também conhecido como Sentinela dos Pampas. Quando alguém
se aproxima deste pássaro, ele levanta voo em bando fazendo um ruído
muito grande. O Gesp também é assim. Faz muito barulho e trabalha
bastante para proteger as questões socioambiental e cultural do
município. Participa de aproximadamente oito fóruns representativos
ajudando a construir políticas públicas, projetos de relevância para o
meio ambiente e educação ambiental.

Integrantes da comunidade e
profissionais de diversas áreas compõem o grupo e desenvolvem o trabalho
voluntariamente. São mais de 20 militantes e outros 60 colaboradores.
Pisar no barro para registrar um crime ambiental, ir com o próprio carro
averiguar a denúncia, pesquisar, estudar, passar as horas de folga
trabalhando, se doar sem cobrar nada para um trabalho que vale ouro.

O
Gesp foi fundado em 21 de setembro de 1983 e é considerado de Utilidade
Pública pela Lei Municipal nº. 2.543 de 7 de novembro de 1989. É uma
organização não governamental, ecológica, sem fins lucrativos,
beneficente e assistencial de direitos privados, autônoma e com
personalidade jurídica, política, transpartidária, civil, social,
cultural, tecno-científica e de pesquisa, aberta a todas as pessoas da
comunidade.

Tem como missão lutar pela preservação do planeta de
todos os seres, a partir de uma sociedade ecológica sustentável,
socialmente justa, inserida numa filosofia pacifista, buscando a
construção de um modelo alternativo de desenvolvimento.
O Gesp surgiu
de uma consonância de ideias de dois movimentos. Um movimento da
comunidade através de comerciantes e funcionários públicos e outro na
Universidade de Passo Fundo (UPF) por estudantes que acompanhavam as
lutas de movimentos sociais mundiais, discussões a respeito das questões
nucleares e das questões armamentistas, bem como a preocupação com a
utilização inadequada dos recursos naturais locais.

Conforme a
vice-presidente do Gesp, Flávia Biondo, neste momento o grupo busca
novos horizontes e ferramentas que atinjam o público ainda não
conquistado. O Gesp está atuando em dois projetos para poder atingir
este objetivo de educação ambiental. “O GESP associa-se ao Fórum da
Agenda 21, pelo Projeto Goio-En, para fortalecer o Coletivo Jovem
Educador e através da Sala Futura Meio Ambiente investe mais ainda na
educação ambiental”, salientou Flávia.

Entre os principais
desafios está o de envolver e formar jovens militantes que abracem e
garantam a continuidade da cultura ambiental que o GESP construiu e que
marca a caminhada do movimento ecológico gaúcho.

Diretoria atual
Tiago Debona – Presidente
Flávia Biondo da Silva – Vice-Presidente
Lucinda Gonçalves Pinheiro – 1ª Secretária
Verônica Daniela Conceição – 2ª Secretária
Paulo Fernando Oliveira Cornélio – 1º Tesoureiro
Marines Marcolin – 2º Tesoureiro
Conselho Fiscal
Andréia Benetti Moraes
Carla G. Zanin Hegel
Aline Schú
Waner Sanches Barreto
Juliano Garcez
Ricardo Assumpção

Ações do Gesp
 –
Fóruns representativos: colaboração na construção de políticas públicas
ambientais, sociais e culturais, com atuação atualmente nos Conselhos e
Fóruns a seguir relacionados: Conselho Municipal do Meio Ambiente,
Conselho Consultivo da Floresta Nacional de Passo Fundo (Flona),
Assembleia Permanente pela Preservação Ambiental (APPA), Comitês de
Gerenciamento das Bacias Hidrográficas do Rio Passo Fundo (CBHPF) e do
Alto Jacuí (COAJU), Assembleia Permanente de Entidades de Defesa do Meio
Ambiente (Apedema) e Conselho Municipal de Cultura e Fórum da Agenda
21.

– Denúncias e laudos: contribuição na fiscalização de crimes e
abusos ambientais e no recebimento de denúncias da sociedade, fazendo
os encaminhamentos aos órgãos competentes e Ministério Público Estadual e
ou Federal. Em 2012, com a campanha “Lixo, Problema Seu”, recebeu mais
de 140 denúncias de depósitos irregulares de lixo, espalhados pela
cidade de Passo Fundo. Já foram encaminhados para os órgãos competentes
70 ofícios com fotos e descrição de cada situação, obtendo-se resultados
de limpezas e responsabilização.

Lutas e conquistas
Entre
as principais e inúmeras defesas em prol do meio ambiente realizadas
pelo Gesp está a questão dos recursos hídricos. A vice-presidente citou o
movimento feito para proteger a região de Povinho Velho e Efrica. “Esta
região é muito visada pelos empreendedores para a construção de
edificações com o argumento de desenvolvimento. Teve uma época que
queriam construir um autódromo em cima da água que a gente bebe. Lá é
onde existe a captação de água do Rio Passo Fundo que alimenta a cidade.
Aquela região é o nosso presente e o futuro das águas. Impedir que o
autódromo fosse concretizado foi uma grande conquista”, salientou
Flávia.

Outra bandeira do Gesp foi a proteção das áreas verdes
consolidadas por lei como a Reserva Municipal Pinheiro Torto e Reserva
Biológica Arlindo Hass. “Construímos principalmente nos últimos 20 anos
uma cultura ambiental e o Gesp tem uma grande influencia nisso”,
declarou a vice-presidente do Gesp.

Passo Fundo através do grupo
ecológico foi escolhido para receber a Sala Futura Meio Ambiente que
servirá para divulgação e conscientização das questões ambientais. Uma
parceria entre o Gesp, a Agenda 21 e o Canal Futura. O espaço vai
oferecer estrutura para produção de programas, possibilidade de
participar ao vivo de alguns programas da emissora, além da exibição de
DVDs e material informativo para estudantes, empresas e público em
geral. A sala está sendo montada nas dependências do Gesp, localizado
nos fundos da antiga prefeitura, e deverá ser inaugurada ainda neste
primeiro semestre.

Recursos Hídricos
 – Rio Passo Fundo – Proteção, preservação e conservação do Rio Passo Fundo;

Preservação do berço das águas – Região localizada na comunidade de
Povinho Velho, divisa dos municípios de Passo Fundo e Mato Castelhano.
Em um raio de menos de mil metros estão as cabeceiras de quatro
sub-bacias hidrográficas, a do Rio Passo Fundo que banha 30 municípios, a
do Rio Apuaê-Inhandava que banha 52 municípios, a do Rio Jacuí que
banha 55 municípios e a do Rio Taquari-Antas que banha 120 municípios.
Agroecologia
– Apoio a agroecologia e a Feira Ecológica de Passo Fundo.

Retirada de propaganda da Monsanto da rede televisiva por propaganda
enganosa e abusiva – o Tribunal Regional Federal da 4ª Região condenou a
empresa Monsanto do Brasil a pagar indenização e a divulgar uma
contrapropaganda esclarecendo as consequências negativas que a
utilização de qualquer agrotóxico causa à saúde dos homens e dos
animais.
– Apoio a Feira Regional de Economia Popular Solidária (Fresol);
Arborização urbana

Educação ambiental, fiscalização e construção de políticas pública
sobre a arborização urbana de Passo Fundo e cidades vizinhas;
Proteção ao patrimônio histórico
– Fiscalização e denúncias contra a destruição o patrimônio histórico e arquitetônico;
Acessibilidade

Fiscalização e denúncias pela falta de aplicação das políticas públicas
de acessibilidade, convênio com a Associação Passo-Fundense de Cegos
(APACE);
Resíduos sólidos
– Acompanha as políticas públicas de
resíduos sólidos, apoiando a coleta seletiva e apoiando a organização de
coopeerativas e associações de recicladores – incentivando a redução de
resíduos e apoiando a formação dos cooperativados e associados para
conquistarem maior dignidade.

Amor e dedicação
A
bióloga Flávia Biondo, 41 anos, é técnica do Museu Zoobotânico Ruschi
(Muzar) da UPF, cuida da casa, do marido e dos dois filhos e, além
disso, ainda disponibiliza mais de 10 horas por semana para se dedicar
ao Gesp. Ela considera o grupo ecológico uma segunda formação da vida
dela. O primeiro contato com a entidade foi em 1989 quando era acadêmica
do curso de Ciências Biológicas da UPF. “Participei de uma palestra
durante uma semana acadêmica onde o Gesp estava apresentando denúncias
ambientais. A partir deste momento, fui conhecendo e interagindo, mas só
me engajei definitivamente em 1996, quando fiz uma especialização na
área de cultura e tive que buscar no Gesp informações sobre o contexto
arquitetônico do museu, do teatro e da Academia Passo-Fundense de
Letras”, explicou a vice-presidente do Gesp.

Ser integrante do
Gesp exige dedicação. “Muitas vezes, no horário em que eu poderia estar
com a minha família ou me divertindo com atividades de lazer estou
trabalhando no Gesp. Me sinto feliz fazendo este trabalho voluntário e
solidário. A essência está em saber que você está contribuindo para a
humanidade. O meio ambiente tem o mesmo valor que o ser humano. As
coisas são interdependentes e temos que pensar no futuro”, justificou a
bióloga.


Por:  O Nacional

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