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O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas completa neste ano 30
anos de comprometimento com o meio ambiente.

 

Primeira manifestação pública do Gesp no Dia Mundial do Meio Ambiente em junho de 1984

Natália Fávero/ON


Há três décadas o Grupo Ecológico é um Sentinela dos Pampas.
O Gesp procura honrar a origem do
nome inspirado no pássaro Quero-Quero, também conhecido como
Sentinela dos Pampas. Quando alguém se aproxima deste pássaro,
ele levanta voo em bando fazendo
um ruído muito grande. O Gesp
também é assim. Faz muito barulho
e trabalha bastante para proteger as
questões socioambiental e cultural
do município. Participa de aproximadamente oito fóruns representativos ajudando a construir políticas
públicas, projetos de relevância
para o meio ambiente e educação
ambiental.


Integrantes da comunidade e profissionais de diversas áreas com
põem o grupo e desenvolvem o
trabalho voluntariamente. São mais
de 20 militantes e outros 60 colaboradores. Pisar no barro para registrar um crime ambiental, ir com o
próprio carro averiguar a denúncia,
pesquisar, estudar, passar as horas
de folga trabalhando, se doar sem
cobrar nada para um trabalho que
vale ouro.


O Gesp foi fundado em 21 de setembro de 1983 e é considerado de
Utilidade Pública pela Lei Municipal no. 2.543 de 7 de novembro de
1989. É uma organização não go
vernamental, ecológica, sem fins lucrativos, beneficente e assistencial de direitos privados, autônoma e
com personalidade jurídica, política, transpartidária, civil, social,
cultural, tecno-científica e de pesquisa, aberta a todas as pessoas da
comunidade.

Tem como missão lutar pela preservação do planeta de todos os
seres, a partir de uma sociedade
ecológica sustentável, socialmente
justa, inserida numa filosofia pacifista, buscando a construção de um
modelo alternativo de desenvolvimento.


O Gesp surgiu de uma consonância de ideias de dois movimentos.
Um movimento da comunidade
através de comerciantes e funcionários públicos e outro na Universidade de Passo Fundo (UPF) por
estudantes que acompanhavam as
lutas de movimentos sociais mundiais, discussões a respeito das
questões nucleares e das questões
armamentistas, bem como a preocupação com a utilização inadequada dos recursos naturais locais.


Conforme a vice-presidente do
Gesp, Flávia Biondo, neste momento o grupo busca novos horizontes e ferramentas que atinjam
o público ainda não conquistado. O Gesp está atuando em dois
projetos para poder atingir este
objetivo de educação ambiental.
“O GESP associa-se ao Fórum da
Agenda 21, pelo Projeto Goio-En,
para fortalecer o Coletivo Jovem
Educador e através da Sala Futura Meio Ambiente investe mais ainda
na educação ambiental”, salientou
Flávia.

Entre os principais desafios está
o de envolver e formar jovens militantes que abracem e garantam a
continuidade da cultura ambiental
que o GESP construiu e que marca
a caminhada do movimento ecológico gaúcho. 





Amor e dedicação


A bióloga Flávia Biondo, 41 anos, é técnica do Museu Zoobotâni-
co Ruschi (Muzar) da UPF, cuida da casa, do marido e dos dois filhos
e, além disso, ainda disponibiliza mais de 10 horas por semana para
se dedicar ao Gesp. Ela considera o grupo ecológico uma segunda
formação da vida dela. O primeiro contato com a entidade foi em
1989 quando era acadêmica do curso de Ciências Biológicas da UPF.
“Participei de uma palestra durante uma semana acadêmica onde o
Gesp estava apresentando denúncias ambientais. A partir deste mo
mento, fui conhecendo e interagindo, mas só me engajei definitivamente em 1996, quando fiz uma especialização na área de cultura e
tive que buscar no Gesp informações sobre o contexto arquitetônico
do museu, do teatro e da Academia Passo-Fundense de Letras”, ex-
plicou a vice-presidente do Gesp.


Ser integrante do Gesp exige dedicação. “Muitas vezes, no horá
rio em que eu poderia estar com a minha família ou me divertindo
com atividades de lazer estou trabalhando no Gesp. Me sinto feliz
fazendo este trabalho voluntário e solidário. A essência está em sa
ber que você está contribuindo para a
humanidade.
O meio ambiente tem o
mesmo valor que o ser
humano. As
coisas são interdependentes e temos
que pensar
no futuro”,
justificou a bióloga. 
Lutas e conquistas 

Entre as principais e inúmeras defesas em prol do meio ambiente realizadas pelo Gesp está a questão
dos recursos hídricos. A vice-presidente citou o movimento feito para proteger a região de Povinho Velho e Efrica. “Esta região é muito visada pelos empreendedores para a construção de edificações com o
argumento de desenvolvimento. Teve uma época que queriam construir um autódromo em cima da água
que a gente bebe. Lá é onde existe a captação de água do Rio Passo Fundo que alimenta a cidade. Aquela
região é o nosso presente e o futuro das águas. Impedir que o autódromo fosse concretizado foi uma grande
conquista”, salientou Flávia.

Outra bandeira do Gesp foi a proteção das áreas verdes consolidadas por lei como a Reserva Municipal
Pinheiro Torto e Reserva Biológica Arlindo Hass. “Construímos principalmente nos últimos 20 anos uma
cultura ambiental e o Gesp tem uma grande influencia nisso”, declarou a vice-presidente do Gesp.

Passo Fundo através do grupo ecológico foi escolhido para receber a Sala Futura Meio Ambiente que servirá para divulgação e conscientização das questões ambientais. Uma parceria entre o Gesp, a Agenda 21 e
o Canal Futura. O espaço vai oferecer estrutura para produção de programas, possibilidade de participar ao
vivo de alguns programas da emissora, além da exibição de DVDs e material informativo para estudantes,
empresas e público em geral. A sala está sendo montada nas dependências do Gesp, localizado nos fundos
da antiga prefeitura,e deverá ser inaugurada ainda neste primeiro semestre.

Recursos Hídricos

– Rio Passo Fundo – Proteção, preservação e conservação do Rio Passo Fundo;
– Preservação do berço das águas – Região localizada na comunidade de Povinho Velho, divisa dos
municípios de Passo Fundo e Mato Castelhano. Em um raio de menos de mil metros estão as cabeceiras
de quatro sub-bacias hidrográficas, a do Rio Passo Fundo que banha 30 municípios, a do Rio Apuaê Inhandava que banha 52 municípios, a do Rio Jacuí que banha 55 municípios e a do Rio Taquari-Antas

que banha 120 municípios.

Agroecologia

– Apoio a agroecologia e a Feira Ecológica de Passo Fundo.

– Retirada de propaganda da Monsanto da rede televisiva por propaganda enganosa e abusiva o Tribunal Regional Federal da 4a Região condenou a empresa Monsanto do Brasil a pagar indenização e a
divulgar uma contrapropaganda esclarecendo as consequências negativas que a utilização de qualquer
agrotóxico causa à saúde dos homens e dos animais.

– Apoio a Feira Regional de Economia Popular Solidária (Fresol);

Arborização urbana

– Educação ambiental, fiscalização e construção de políticas pública sobre a arborização urbana de Passo
Fundo e cidades vizinhas;

Proteção ao patrimônio histórico

– Fiscalização e denúncias contra a destruição o patrimônio histórico e arquitetônico;

Acessibilidade

– Fiscalização e denúncias pela falta de
aplicação das políticas públicas de acessibilidade, convênio com a Associação Passo Fundense de Cegos (APACE);

Resíduos sólidos

– Acompanha as políticas públicas de resíduos sólidos, apoiando a coleta seletiva e
apoiando a organização de cooperativas e
associações de recicladores – incentivando
a redução de resíduos e apoiando a formação dos cooperativados e associados
para conquistarem maior dignidade.

Educação ambiental na nascente mãe Rio Jacuí e Rio Passo Fundo

 Postado em: O Nacional

 

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