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Sentinela dos Pampas e Sociedade Botânica de Passo Fundo denunciam que de 14 entidades integrantes do Conselho Municipal do Meio Ambiente apenas uma se manifestou contrária a proposta de retirada dos valores do Fundo Municipal do Meio Ambiente, entre eles, R$ 500 mil para a construção da praça no Banhado da Vergueiro
Um susto na última reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente: o Fundo Municipal de cerca de R$ 1,2 milhão havia sido retirado pela administração municipal no final do ano passado, entre eles os R$ 500 mil destinados judicialmente para a construção da praça no Banhado da Vergueiro, primeiro passo para a constituição de um parque no local. Do total do Fundo, apenas o montante de R$ 12 mil permanece disponível.
Diante da situação polêmica, entidades do Conselho Municipal reclamam da falta de repasse neste ano e protocolam denúncia no Tribunal de Contas do Estado. Ex-secretário afirma que a quantia foi retirada para custeio de pagamento da coleta do lixo para a Codepas e baseada na lei complementar do município. Além disso, avalia que a retirada não interfere na continuidade dos projetos que tem recursos previstos pelo Fundo. A atual administração declara que não haverá investigação por parte da prefeitura pela ação ter sido informada ao Conselho. Ainda, entidades que se posicionaram contrárias na oportunidade declaram que dos 14 conselheiros presentes, apenas um manifestou contrariedade, as demais apenas pediram esclarecimentos e não manifestaram posição, segundo eles, sendo coerentes com a retirada.
(Banhado da Vergueiro terá praça em local que hoje serve de depósito irregular de lixo / FOTO ARQUIVO DM)

Reunião
A reunião de novembro ocorreu nas dependências do setor de vigilância em saúde da secretaria municipal de Saúde, foi a 13º reunião ordinária do Conselho Municipal do Meio Ambiente, gestão 2011/2013. A proposta da administração registrada em ata busca ao Conselho “a colaboração no custeio das despesas com o recolhimento dos resíduos sólidos domiciliares urbanos de nossa cidade, durante os meses de outubro novembro e dezembro”, diz escrito no documento.
GESP
O diretor do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP), Paulo Fernando Cornélio, afirma que na reunião ordinária do Conselho em novembro o secretário de Finanças esteve presente para apresentar a proposta de um projeto. “Na proposta os recursos financeiros que o Conselho Municipal possuía em conta e que não tinha sido destinado ao projeto ao qual havia sido encaminhado e aprovado, a administração iria recolher para destinar para outras atividades relacionadas ao lixo em Passo Fundo”, explica.
(Diretor do GESP, Paulo Fernando Cornélio / FOTO ARQUIVO DM)
Segundo ele, que estava presente na oportunidade, imediatamente os conselheiros perguntaram o porquê, mas não se manifestaram enfaticamente contrários a posição. “A Sociedade Botânica de Passo Fundo, que é membro conselheiro e o GESP, que não tem cadeira no Conselho, foram as duas únicas instituições que enfaticamente se posicionaram contrárias. As demais apenas fizeram indagações. Fizemos uma discussão e o secretário retirou a proposta afirmando que a administração tinha legalmente a competência de utilizar os recursos nas finalidades que desejava que era para destinação de problemas na área de recolhimento de lixo”, aponta Cornélio.
Entidades se calam
O direto do GESP afirma que o entendimento da entidade bem como o da Sociedade Botânica de Passo Fundo é que todo e qualquer projeto deve ser apresentado ao Conselho. “Existe uma câmara especial de análise e o projeto deve ser apresentado em assembléia e aprovado para que os recursos sejam destinados, o que não ocorreu”, observa.
Cornélio enfatiza a responsabilidade das entidades que fazem parte do Conselho Municipal, ao todo 18 entre governamentais e não-governamentais. “Além da administração ter agido de forma imoral, ficou evidente a omissão das entidades presentes e que tem cadeira no Conselho. Apenas a Sociedade Botânica se posicionou, as outras 13 não se pronunciaram, foram incompetentes e irresponsáveis no momento em que mais precisavam se manifestar, não foram contrárias ou favoráveis, se calaram, se omitiram”, declara.
Protocolo
O diretor afirma que o Fundo era investido nas mais diversas atividades da área ambiental como projetos para castração de animais, recursos para o CAPA, fundo para a construção da praça no Banhado da Vergueiro, projetos para o plano de manejo da Reserva Maragato, dentre outros.
Um documento será protocolado nesta sexta-feira, 15, no Ministério Público. “Temos a ata da reunião, conteúdo com provas para com esse documento poder resgatar os valore e que sejam destinados a todos os projetos aprovados democraticamente dentro do Conselho”, diz ele.
Prestando contas
O secretário do Meio Ambiente, Enilson Silva Gonçalves afirma que na última quinta-feira, 07, durante a reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente, foi apresentado o saldo do Fundo do Meio Ambiente aos conselheiros, bem como a situação a qual ele se encontra. “Tínhamos um valor R$ 1.219 milhão até novembro e o fundo acabou com R$ 12 mil até agora. Prestei contas aos conselheiros e abrimos um parecer na Procuradoria Geral do município sobre a condição de retirada do fundo e apresentamos a ata em que se deu a reunião, na oportunidade em 2012, com o parecer do pedido de retirada da quantia em novembro e dezembro, quando aconteceram os empenhos”, explica ele.
(Procurador Municipal, Adolfo de Freitas / FOTO ARQUIVO DM)
Conforme Gonçalves, a PGM está elaborando um parecer jurídico. “O fundo é controlado pelo conselho, que é quem destina e faz o gerenciamento do valor arrecadado. Prestei contas de como recebi o fundo, não utilizei nada, apenas fiz o relato de como recebi, informando a situação que se encontra”, informa.Segundo o secretário, com a retirada dos recursos ficaram comprometidos os projetos que já tinham sido aprovados e que teriam repasse para este ano de 2013. Do total arrecadado, 20% do valor provem da coleta do lixo e o restante é proveniente das taxas de licenciamentos ambientais e fiscalizações.

Banhado da Vergueiro
O diretor do GESP aponta que dentre os valores um fator importante é o recurso destinado para a praça no Banhado da Vergueiro. “O Fundo Municipal estava detendo de R$ 500 mil de um termo de ajustamento de conduta realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) e a administração municipal, destinado ao início das obras na praça. Era o primeiro elemento para se concretizar o parque e hoje não existem mais recursos”, explica ele, frisando que “o valor de R$ 500 mil obrigatoriamente deveria estar no Fundo”, conclui.

O recurso havia sido decidido judicialmente e só não foi utilizado ainda porque a licitação acabou sendo deserta. “A administração abriu licitação e não houve nenhuma empresa interessada para iniciar as obras, isso que dizer que a prefeitura fez seu papel, entretanto não justifica a retirada desse valor como dos demais”, ressalta. O projeto para construção da praça foi aprovado há anos e a atualmente encontra-se na secretaria de Planejamento.

CAPA
Segundo a presidente do Clube dos Amigos e Protetores dos Animais (CAPA), Zulma Marques, houve a retirada sem autorização dos conselheiros de um valor de R$ 1.216 milhão no final do ano passado. “Tínhamos em 30 de outubro R$ 1.246 milhões. Em novembro na reunião do Conselho a administração solicitou a retirada de R$ 1.2 milhões para pagamento das empresas de recolhimento de lixo e a retirada não foi autorizada. Mesmo assim o conselho foi comunicado que independente da autorização o valor seria retirado”, comenta ela.

Para Zulma, a retirada foi indevida e na opinião dela, não só o CAPA foi prejudicado, mas também outras entidades como a UPF, a Convidas e a própria administração com a questão do Banhado da Vergueiro. “A grande dificuldade do CAPA é que a verba anual que recebemos como auxílio da prefeitura vinha dessa conta que era R$ 200 mil ao ano”, declara ele.
Segundo Zulma, o convênio terminou em dezembro. “Tínhamos uma ata aprovada por cinco anos que inclui 2013. Temos ata aprovada e valor aprovado que deveria ter sido respeitado, assim como o convênio do Convidas”, ressalta. Ela explica que a grande preocupação é que é março e a entidade não recebeu o repasse dos valores do ano. “A prestação de contas já foi aprovada, a solicitação de renovação do convênio foi feita. Estamos preocupados em como fazer para manter os animais, cerca de 400 cães e 35 gatos, sendo que quase 200 deles foram recolhidos pela secretaria de Meio Ambiente”, observa a presidente do CAPA.

Polêmica
O procurador geral do município, Adolfo de Freitas afirma que o valor foi usado para uma finalidade específica. “Não vamos fazer investigação para onde foi o valor porque é ato feito pelo governo passado, informado pelo conselho. A informação que temos é que o valor foi usado para pagamento de contas da prefeitura”, comenta.

Freitas explica que existe uma lei municipal que institui a coleta da taxa de lixo, que determina que do total dos valores arrecadados, 20 % sejam destinados a secretaria de Meio Ambiente para atividades relacionadas com o lixo. “O valor do Fundo tem regramento próprio, mas não tem especificidade se deve ir a alguma entidade ou outra, ele tem destinação que depende da constituição de cada fundo, através de deliberação, mas é um recurso do município”, observa. Segundo ele, a posição do município é que “vamos acompanhar o caso, vamos aguardar se for requisitada alguma documentação”.

Explicação
O ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Clóvis Alves, era presidente do Conselho na oportunidade e afirma que a retirada não foi indevida. “A lei que cria a taxa de lixo que é a lei complementar 233 de 03 de novembro de 2009, ela prevê no artigo 7º uma destinação do produto arrecadado da taxa de 20% semestralmente para a secretaria com objetivo específico de aplicações em atividades da pasta relacionadas com o lixo. Quando a secretaria de Finanças foi na reunião do Conselho e informou os conselheiros que estaria retirando o recurso para custeio da coleta, naquele momento foi acordado que nenhum dos projetos ou convênios estariam comprometidos”, justifica ele.

Alves explica que a prefeitura municipal não é obrigada a depositar o valor no Fundo do Meio Ambiente. “Sempre disponibilizamos por uma opção da administração para fechamento de contratos foi retirado e foi registrado em ata, mas que não seria comprometido nenhum convênio. Ficou registrado em ata que todos os compromissos seriam honrados. Isso é uma questão legal”, frisa.


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