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CARTA ABERTA À COMUNIDADE
PELA CONTINUIDADE DO PROJETO MULHERES DA PAZ

Nós, Mulheres da Paz, reunidas no
Segundo Encontro das Mulheres da Paz de Passo Fundo, no Salão do Júri do Fórum
de nossa cidade, no momento em que lembramos o Dia Internacional da Mulher,
vimos apresentar, através desta Carta Aberta, as razões pelas quais estamos
convencidas de que QUEREMOS CONTINUAR ATUANDO COMO MULHERES DA PAZ. A sociedade
passo-fundense não pode ver este Projeto ser encerrado no mês se abril. Queremos
que o Projeto continue nas MESMAS CONDIÇÕES NAS QUAIS VEM SENDO DESENVOLVIDO
porque confiamos no trabalho feito pela Comissão de Direitos Humanos de Passo
Fundo em parceria com a Prefeitura Municipal de Passo Fundo. O Projeto Mulheres
da Paz precisa continuar:
1. PORQUE através dele aprendemos que “somos defensoras de direitos
humanos” e que o melhor caminho para enfrentar a violência é organizar as
comunidades para que exijam os direitos humanos;
2. PORQUE as ações que desenvolvemos em nossas comunidades nos
aproximaram de cada morador e de cada moradora e nos despertaram para o
compromisso com a vida comunitária e a construção da paz através da mediação
dos conflitos;
3. PORQUE o acompanhamento da Equipe Multidisciplinar e dos
facilitadores que nos capacitaram, sob a coordenação da Comissão de Direitos
Humanos de Passo Fundo, foram essenciais para que pudéssemos aprender os
melhores caminhos para que nossa atuação atendesse aos objetivos do Projeto;
4. PORQUE as condições disponibilizadas pelo governo federal através do Ministério
da Justiça e a coordenação da Prefeitura Municipal nos puseram no mapa dos
municípios que trabalham a segurança pública com cidadania, pela implementação
do Pronasci;

5. PORQUE o projeto nos fez entender que somos sujeitos que têm
direitos, nos fez agentes defensoras dos nossos próprios direitos e mediadoras
para a construção de lutas pela garantia dos direitos de todas as pessoas;
6. PORQUE o projeto nos empoderou e nos encorajou a seguir firmes na
luta contra todas as formas de violência, de modo particular a covarde
violência contra as mulheres, entre outros motivos, para honrar o nome de nossa
colega Sílvia Aparecida de Miranda que deu sua vida
para proteger sua filha que sofria violência doméstica, tornando-se mais uma
nessa triste estatística que coloca nossa cidade na 12ª posição estadual e na
219ª posição nacional no número de homicídios de mulheres, o que por si só
justifica e prova a necessidade de políticas públicas e sociais de prevenção e
combate à violência contra a mulher;

7. PORQUE a população dos 20 bairros e vilas
nos quais atuamos há mais de um ano, depois de aproximadamente Cinco mil
encaminhamentos por nós realizados, sabe que a vida ficou bem melhor e, com
certeza, poderá ficar melhor ainda se pudermos continuar a multiplicar informação,
ação, mobilização, cidadania;


Por tudo
isso, temos certeza de que podemos contar com o apoio da comunidade
passo-fundense, das autoridades e das lideranças sociais, religiosas e
culturais. Temos certeza de que o governo municipal fará todos os esforços para
viabilizar a continuidade do Projeto através da aplicação dos recursos que
sobraram ou que resultaram dos rendimentos de aplicação (R$ 142 mil) e através
da disponibilização dos recursos previstos no orçamento municipal (R$ 200 mil)
para serem conveniados com a Comissão de Direitos Humanos para a continuidade
do Projeto. Estamos certas de que, além das condições para o acompanhamento do
trabalho das mulheres e de sua capacitação permanente (feita pela Equipe
Multidisciplinar da Comissão de Direitos Humanos), as mulheres poderão continuar
a contar com a bolsa pela qual recebem pequena ajuda de custo para a atuação no
Projeto. Temos certeza de que, o que vai acontecer em abril será apenas o
encerramento de uma fase num dia e a abertura de outra fase no dia seguinte,
sem interrupção. Para isso confiamos que as autoridades e os nossos apoiadores
farão todos os esforços para que isso aconteça.

Enfim, não pedimos nada que não seja o mínimo para que nós possamos
continuar ajudando Passo Fundo a ser uma cidade na qual as pessoas possam viver
melhor.

Passo Fundo, 06 de março de 2013.

Mulheres da Paz de Passo Fundo

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