Uma sociedade que consome muito descarta seus resíduos sólidos na mesma proporção. O lixo é uma problemática relevante, principalmente quando fala-se naquele eliminado em local impróprio, causando danos irreversíveis ao meio ambiente. E não foi difícil para que o barco do Projeto Navegar II, que conduziu os seus idealizadores, pertencentes ao Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP), e alunos de algumas escolas pelas nascentes do Rio Jacuí, se deparasse com materiais despejados às suas margens.
Garrafas plásticas, isopor, pneus e embalagens de agrotóxicos compõe um cenário que sofre cada vez mais com as mãos humanas. “Vimos muitas coisas erradas. Para começar, a água está muito poluída. Os agricultores a utilizam, plantando quase em cima do rio. O gado tem grande presença e há pessoas canalizando a água com tubulações. Além disso, conforme fomos navegando, notamos a circulação de pescadores”, conta o coordenador do projeto, Jaimir Zamarchi.
Enquanto animais, como pacas e capivaras, contornavam as redondezas, resquícios de armadilhas foram encontradas pela equipe, que presenciou um lugar ameaçado. “No momento, não achamos as armas, mas três vestígios foram constatados”, recorda o supervisor.
Quanto à mata ciliar, que marca a geografia do local, a situação está cada vez mais complicada. O local, que era composto por variedades de vegetação, hoje, encontra-se revestido, essencialmente, por taquaras. “O desmatamento é perceptível, principalmente nos locais próximos ao rio, onde o satélite não consegue captar. Os agricultores não percebem, mas, ao desmatarem, acabam contribuindo com a falta de umidade, algo ruim às plantações”, declara Jaimir.
Todavia, da mesma maneira que muitos indivíduos não refletem acerca das consequências daquilo que fazem, há quem percebe a importância de cuidar dos recursos naturais. Segundo o coordenador, alguns agricultores se mostraram engajados em contribuir com o projeto. “Uma parcela representativa deles mantém os cuidados com a natureza. Inclusive, alguns agricultores nos agradeceram, dizendo que nossa visita foi eficiente e incomum”, relata.
Em meio a tantas descobertas, sob o olhar atento de quem quer mudar esta realidade, tira-se uma conclusão: “As pessoas precisam de tragédias para valorizar o que têm. São Paulo, cujo estado será abastecido com água de esgoto tratado, é um exemplo. Não podemos esperar apenas pelo outro. Temos que sair da sala de aula e ver cada coisa que acontece lá fora. Isso passa de geração para geração”, enfatiza Jaimir, entusiasmado com o que o projeto significa para as crianças comprometidas.
Dos 800 km do Rio Jacuí, mais de 20km foram percorridos pelo grupo. Esse importante curso de água cobre o coração do Rio Grande do Sul, sendo afluente de outros rios, como o Pardo, Iruí, Botucaraí, Piquiri, Colorado, São Bento e Butiá, o que encorpora ainda mais suas águas.
O projeto
As pesquisas pedagógicas do Projeto Navegar II: velejando pelas águas do Rio Jacuí estão incluídas no Projeto Ambiental Viver. O Navegar I aconteceu no final de 2013, pelos trechos do Rio Passo Fundo, com destino a Montevidéu, no Uruguai. A iniciativa é reproduzida a partir da exigência da Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que fez de 2012 o ano limite para cada município criar sua política e plano de resíduos.
Essa é a segunda etapa do Navegar II, que conta com a navegação ao longo das nascentes do rio, bem como a coleta de amostras da água. A primeira fase aconteceu entre junho e outubro, com pesquisas e práticas náuticas, incluindo a análise do percurso, história e geografia das regiões. O terceiro e quarto estágio estão previstos para o início do ano que vem, quando haverá o grupo velejará do Guaíba ao Oceano Atlântico através da Lagoa dos Patos e a apresentará as experiências, respectivamente.
Meio de transporte
No dia 30 de outubro, o barco que levaria o grupo foi apresentado com orgulho por Jaimir. O modelo Dingue, produzido com material naval reciclado, tem 4,20m x 1,75m. A sua proa, também chamada de parte frontal, tem 52cm de altura e a popa, ou parte traseira, mede 1,20m de comprimento. A bolina, instrumento que faz o barco avançar, tem 1,40 de cm.
A embarcação pesa em torno de 180kg, tendo capacidade para suportar 1.200kg. “Agora, queremos pintar o barco e colocar o nome dos colaboradores. Gostaria de deixá-lo verde” diz o coordenador.
Escolas participantes
O projeto Navegar é composto atividades que envolvem alunos de várias escolas da região. Da cidade, participam a Assistência Social Diocesana Leão XIII, o Instituto Estadual Cecy Leite Costa e a Escola Estadual de Ensino Fundamental Wolmar Salton. Em âmbito regional, há a parceria da Escola Estadual de Ensino Médio Nicolau Vergueiro, de Nicolau Vergueiro, a Escola Estadual de Ensino Médio Raimundo Corrêa, de Ernestina, e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Educarte, de Ernestina.
Garrafas plásticas, isopor, pneus e embalagens de agrotóxicos compõe um cenário que sofre cada vez mais com as mãos humanas. “Vimos muitas coisas erradas. Para começar, a água está muito poluída. Os agricultores a utilizam, plantando quase em cima do rio. O gado tem grande presença e há pessoas canalizando a água com tubulações. Além disso, conforme fomos navegando, notamos a circulação de pescadores”, conta o coordenador do projeto, Jaimir Zamarchi.
Enquanto animais, como pacas e capivaras, contornavam as redondezas, resquícios de armadilhas foram encontradas pela equipe, que presenciou um lugar ameaçado. “No momento, não achamos as armas, mas três vestígios foram constatados”, recorda o supervisor.
Quanto à mata ciliar, que marca a geografia do local, a situação está cada vez mais complicada. O local, que era composto por variedades de vegetação, hoje, encontra-se revestido, essencialmente, por taquaras. “O desmatamento é perceptível, principalmente nos locais próximos ao rio, onde o satélite não consegue captar. Os agricultores não percebem, mas, ao desmatarem, acabam contribuindo com a falta de umidade, algo ruim às plantações”, declara Jaimir.
Todavia, da mesma maneira que muitos indivíduos não refletem acerca das consequências daquilo que fazem, há quem percebe a importância de cuidar dos recursos naturais. Segundo o coordenador, alguns agricultores se mostraram engajados em contribuir com o projeto. “Uma parcela representativa deles mantém os cuidados com a natureza. Inclusive, alguns agricultores nos agradeceram, dizendo que nossa visita foi eficiente e incomum”, relata.
Em meio a tantas descobertas, sob o olhar atento de quem quer mudar esta realidade, tira-se uma conclusão: “As pessoas precisam de tragédias para valorizar o que têm. São Paulo, cujo estado será abastecido com água de esgoto tratado, é um exemplo. Não podemos esperar apenas pelo outro. Temos que sair da sala de aula e ver cada coisa que acontece lá fora. Isso passa de geração para geração”, enfatiza Jaimir, entusiasmado com o que o projeto significa para as crianças comprometidas.
Dos 800 km do Rio Jacuí, mais de 20km foram percorridos pelo grupo. Esse importante curso de água cobre o coração do Rio Grande do Sul, sendo afluente de outros rios, como o Pardo, Iruí, Botucaraí, Piquiri, Colorado, São Bento e Butiá, o que encorpora ainda mais suas águas.
O projeto
As pesquisas pedagógicas do Projeto Navegar II: velejando pelas águas do Rio Jacuí estão incluídas no Projeto Ambiental Viver. O Navegar I aconteceu no final de 2013, pelos trechos do Rio Passo Fundo, com destino a Montevidéu, no Uruguai. A iniciativa é reproduzida a partir da exigência da Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que fez de 2012 o ano limite para cada município criar sua política e plano de resíduos.
Essa é a segunda etapa do Navegar II, que conta com a navegação ao longo das nascentes do rio, bem como a coleta de amostras da água. A primeira fase aconteceu entre junho e outubro, com pesquisas e práticas náuticas, incluindo a análise do percurso, história e geografia das regiões. O terceiro e quarto estágio estão previstos para o início do ano que vem, quando haverá o grupo velejará do Guaíba ao Oceano Atlântico através da Lagoa dos Patos e a apresentará as experiências, respectivamente.
Meio de transporte
No dia 30 de outubro, o barco que levaria o grupo foi apresentado com orgulho por Jaimir. O modelo Dingue, produzido com material naval reciclado, tem 4,20m x 1,75m. A sua proa, também chamada de parte frontal, tem 52cm de altura e a popa, ou parte traseira, mede 1,20m de comprimento. A bolina, instrumento que faz o barco avançar, tem 1,40 de cm.
A embarcação pesa em torno de 180kg, tendo capacidade para suportar 1.200kg. “Agora, queremos pintar o barco e colocar o nome dos colaboradores. Gostaria de deixá-lo verde” diz o coordenador.
Escolas participantes
O projeto Navegar é composto atividades que envolvem alunos de várias escolas da região. Da cidade, participam a Assistência Social Diocesana Leão XIII, o Instituto Estadual Cecy Leite Costa e a Escola Estadual de Ensino Fundamental Wolmar Salton. Em âmbito regional, há a parceria da Escola Estadual de Ensino Médio Nicolau Vergueiro, de Nicolau Vergueiro, a Escola Estadual de Ensino Médio Raimundo Corrêa, de Ernestina, e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Educarte, de Ernestina.
Via: Diário da Manhã
