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Bichos como as tartarugas-verdes sofrem com a poluição humana, mas, por sorte, há gente tentando corrigir os erros dos outros

por Lara Ely

06/02/2015 | 08h01

Animais marinhos do litoral gaúcho pedem socorro Bruno Alencastro/Agencia RBS
Tartaruga-verde precisou ter uma nadadeira amputada depois de ficar presa em uma rede de pescaFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS


Em vez de algas e outros organismos marinhos, as tartarugas-verdes que frequentam o litoral gaúcho estão se alimentando de plástico, canudos, tampas de garrafas, pedaços de rede e bitucas de cigarro. Além de perfurar partes do intestino, os itens da refeição indigesta causam uma falsa sensação de saciedade nos répteis. Esse é apenas o começo do processo de extinção.
O impacto no trato intestinal é o princípio de uma série de infecções secundárias, como a pneumonia, explica Derek Blaese de Amorim, veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com o intestino cheio de plástico e as fezes duras, eles têm dificuldade de defecar e de mergulhar, sendo impedidos de buscar alimento. O resultado já se sabe: sobra apenas o casco para contar a história.
Nos últimos meses, o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), em Imbé, recolheu seis exemplares da espécie para reabilitação. Elas são hidratadas e tratadas com antibióticos, mas a maioria não resiste, diz Blaese. Três delas, mortas recentemente, passaram por necropsia na tarde desta quinta-feira. O exame confirmou a previsão. A causa de morte era a poluição. Para evitar casos como esse, alerta o veterinário, não há outra saída:
– Só deixarão de morrer quando melhorar a consciência ambiental das pessoas – resume Amorim.
A Tartaruga-Verde perdeu uma nadadeira para uma rede.
Necropsia comprovou que a tartaruga havia se alimentado de lixo.
O Gato-do-mato-pequeno mal conheceu seu habitat, quem dirá a mãe
Tartaruga sem nadadeira recebe tratamento no Ceclimar.
O Leão-marinho-do-sul perdeu a disputa para os pescadores e sofre com uma lesão nos olhos


Das outras três tartarugas que seguem em observação no Ceclimar, duas tiveram nadadeiras amputadas por problemas causados pelo contato com redes de pesca, mas estão sendo tratadas e passam bem. Outra só flutua, e por não conseguir mergulhar, seu casco está seco e cheio de limo.
Vida dura longe de casa
Este foi o primeiro ano em que os animais do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres e Marinhos do Ceclimar não puderam ser visitados. Uma resolução interna do grupo decidiu restringir o acesso, pois os animais são impactados pela presença humana. 

Até o leão-marinho-do-sul, batizado como Gordo, que vive ali há 12 anos devido a uma lesão nos olhos, ficou longe do público neste ano. Deve estar com saudade. Quando a equipe se aproximou, logo saiu da piscina para exibir o corpanzil.
Além de Gordo, o centro de reabilitação hospeda atualmente animais como um cágado-de-barbela que engoliu um anzol e foi operado, uma marrequinha piadeira que teve suas penas cortadas, e um gato-do-mato-pequeno que foi removido do hábitat e do convívio com a mãe.
– Difícil um animal desses ter sucesso na natureza depois que foi retirado do seu ninho. É a mãe quem ensina como se movimentar, se alimentar.
Para evitar que estejam fadados ao cativeiro, a dica é que, quando encontrados, esses animais sejam mantidos onde estão.
Museu reabre com novidades
Longe dos olhos dos visitantes desde maio, quando o Museu de Ciências Naturais passou por um incêndio que levou ao seu fechamento, a ossada da baleia jubarte – principal atração do local – poderá ser revista a partir do final do mês. Após a retirada da fuligem que ficou impregnada nos ossos, a reforma está perto do fim. 

Quando reabrir, o museu trará novidades aos seus visitantes. O período de fechamento serviu para a coordenação repensar a estrutura, e o resultado é que, neste mês, os visitantes encontrarão uma proposta mais interativa – e pela primeira vez com uma museóloga contratada. A exposição terá um percurso dirigido, que vai mostrar o Litoral Norte, suas belezas e fragilidades.
– Investimos em recursos visuais para diminuir a quantidade de texto. Vamos colocar maquetes, fotos e representações do mar, lagoas, rios e estuários. A ideia é que o visitante possa não apenas contemplar, mas interagir por meio da reflexão – explica a museóloga Aline Portella Fernandes.
No novo trajeto, os antigos aquários cederão lugar a um roteiro que passa pela planície costeira e desce a serra até chegar ao litoral. Haverá um jardim vivo, com espécies da área de Mata Atlântica em Maquiné, além de animais empalhados, como gambá, ouriço caixeiro, coruja, tamanduá, borboletas e jacaré de papo amarelo. No segundo andar, uma área será destinada a exposições temporárias.

Ossada de baleia jubarte poderá ser vista de novo a partir do final do mês
Foto: Bruno Alencastro


Via: Zero Hora
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