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| Foto: Divulgação / GESP |
O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas vistoriou as áreas ambientais da cidade no domingo e encontrou dois incêndios. A falta de bombeiros disponíveis preocupa para o futuro
O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP) realizou vistorias na cidade no último domingo (16) devido a alta temperatura dos últimos dias. A equipe encontrou uma área de cinco hectares de banhado e vegetação herbácea e arbustiva atingida. Os danos ambientais foram nas nascentes do Arroio Miranda, na BR-285 (sentido Passo Fundo/Mato Castelhano), nas proximidades do Aeroporto Lauro Kortz e também na Perimetral. O GESP encaminhou documentos para o Ministério Público e para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM).
O grupo voluntário monitorou os locais junto com o Corpo de Bombeiros e recolheu dados sobre o incidente. De acordo com o grupo, o efetivo combateu o fogo durante três horas. Segundo os bombeiros, a queimada começou na área interna em direção a BR-285. Outra ocorrência aconteceu no final de tarde de domingo na Perimetral, próximo a entrada da Roselândia. Segundo informações do grupo, o incêndio foi tomado em vegetação rasteira.
A bióloga Carla Grasiele Zanin Hegel estava presente nas marges do Arroio Miranda na hora do incêndio. Segundo ela, o incêndio demorou a ser controlado devido a falta de efetivo. ”Chegamos no local por volta das cinco da tarde, e dois bombeiros estavam lá desde as duas horas. Com a vegetação seca estava bem fácil para as chamas se alastrarem por causa do vento. Foi uma situação complicada, é pouca gente trabalhando para controlar o estrago. A ação demorou e nós do GESP não tínhamos como ajudar”, explica a voluntária do grupo.
De acordo com o GESP, os recursos disponíveis liberados pelo Estado ao Corpo de Bombeiros são considerados escassos. Além disso, a falta de profissionais concursados para o atendimento de ocorrências e das queimadas no município e região foi um dos motivos para a equipe solicitar uma intervenção da Promotoria de Justiça Especializada para resolver essa realidade.
Carla Hegel garante que nesta época de seca a tendência é que as denúncias aumentem, e sem a presença do efetivo, a situação ambiental pode se complicar. ”Sempre recebemos muitas ligações, e nós vamos voluntariamente nos locais para dar um retorno à quem denuncia. O nosso documento encaminhado ao MP alega a situação dos incêndios e também sobre os poucos recursos disponíveis dos bombeiros, queremos uma posição para que haja cobrança para o Estado. Falta equipamento e efetivo”, conclui.
A preocupação para o futuro tem base no que aconteceu no domingo. No segundo incêndio do dia, na Perimetral, os bombeiros só conseguiram chegar após controlar o primeiro. ”O efetivo estava em um lado da cidade para controlar o fogo e não tinha como mandar um caminhão para apagar o outro incêndio. Portanto, eles controlaram um para depois chegar ao outro. Se continuar assim, vários casos parecidos podem acontecer”, reclama a bióloga.
Ministério Público atento aos casos
A esperança é que as providências sejam tomadas. Conforme Carla Hegel, o Ministério Público geralmente retorna as solicitação dos GESP. Ela diz que dependendo o caso, a resposta não é tão rápida, mas sempre entram em contato. ”O MP nos fala sobre o andamento do processo. Às vezes não é rápido, como em casos com empresas, mas voltam para nos comunicar”, relata.
Via: Diário da Manhã