Dez dias: esse é o tempo estimado para que o Parque Banhado da Vergueiro seja entregue. No entanto, quem passa pelo local já pode vê-lo. Na tarde de ontem (30), uma visita técnica apresentou à comunidade o projeto, o que ele significa para a cidade e o que se pretende deixar com ele.
O local, por muito tempo, permaneceu abandonado. Por lá, lixo era depositado, queimadas eram feitas e pessoas estavam construindo suas casas. O banhado é um dos principais ecossistemas do Rio Grande do Sul e deve ser preservado por abrigar fauna e flora nativas. A situação do Banhado da Vergueiro passou a ser analisada após a solicitação de um professor de Biologia, com apoio do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), ao Ministério Público. Começou-se a planejar o que poderia ser feito para que ele estivesse inserido no dia a dia das pessoas sem que as suas características naturais fossem prejudicadas.
Segundo o promotor Paulo Cirne, muitos projetos foram apresentados, mas o único que completou todos os quesitos esperados foi esse. “É a concretização de um sonho de muitos ecologistas. O banhado sempre foi motivo de preocupação e esse projeto foi o que melhor formou a combinação de parque e preservação ambiental, atendendo tanto à comunidade quando ao meio ambiente”, enfatiza.
Quem pode falar melhor sobre isso é o representante do Gesp, Paulo Cornélio, que, como ecologista, lidera discussões para proteger os recursos naturais da degradação humana. “O Sentinelas dos Pampas tem, desde o início de suas atividades, no início da década de 80, tentando desenvolver trabalhos para solucionar esse grave problema que havia. A partir da década de 90, com o Ministério Público, começamos a discutir no Conselho Municipal do Meio Ambiente uma previsão do que queríamos desse espaço. A administração conseguiu consolidar um projeto para garantir espaço como um espaço público, de lazer e preservação, adicionando a educação ambiental”, diz.
Se fala em lazer, preservação e educação porque o parque, embora trouxe uma mudança física no cenário de 14.000m², provocou pouca intervenção na natureza. Piso permeável, uma passarela que pode ser usada para conhecer o ecossistema e o reflorestamento foram algumas das coisas pensadas e que farão parte da rotina da Secretaria de Meio Ambiente, que terá a sua sede administrativa no parque.
A secretária de Planejamento, Ana Paula Wickert, explica que a questão da secretaria foi pensada para não agredir o solo e prejudicar os animais, como preás e ratos. “Foi um projeto que nos desafiou no sentido de propor uma arquitetura que respeitasse a ideia de meio ambiente e do banhado. O prédio é elevado do solo, com captação de água da chuva e energia solar. É o primeiro edifício público concluído que estamos apresentando com essas estratégias”, identifica.
A utilização das energias renováveis considera as necessidades do país e significa o primeiro passo de mudança na cidade. O secretário de Meio Ambiente, Rubens Astolfi, destaca o papel da secretaria diante do incentivo. “São soluções técnicas possíveis. Discutimos, no Conselho Municipal do Meio Ambiente, se um dia faltar água. A sede pensa nisso reutilizando a água da chuva. O nosso sol nasce todos os dias e precisamos utilizar. O utilizamos nos painéis fotovoltaicos. Podemos aliar a teoria à prática”, defende.