• Criação de reserva indígena dentro da Floresta Nacional segue preocupando entidades

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A criação de uma reserva indígena dentro da área da Floresta Nacional de Passo Fundo (Flona), localizada em Mato Castelhano, foi debatida no sábado durante o programa Uirapuru Ecologia. Caso seja criada, a reserva absorveria 1 mil 327 hectares da Flona. Situada a pelo menos 20km do centro de Passo Fundo, a reserva é umas das maiores do Planalto Médio e conta com 195 espécies diferentes de aves, uma grande biodiversidade na região.
Com a entrada da população indígena, a sustentabilidade na Floresta será afetada. Para a bióloga Flávia Biondo, a preservação da área evita a ameaça de extinção da floresta de araucária. Além disso, a floresta é importante para manter um espaço de recolonização da fauna, principalmente das várias espécies em extinção na região.
Conforme o chefe da FLONA, Adão Güllich, a preocupação é que os mais de 300 indígenas possam causar alterações nesta área de preservação. E, segundo ele, a partir do momento da declaração de terra indígena, os proprietários das áreas na região da floresta não terão indenização das terras, somente das benfeitorias, prejudicando os mais de 80 % dos agricultores familiares.
Para o analista ambiental da Flona, Remi Weirich, boa parte da floresta nativa é conservada e há uma área de plantios de araucária e de pinos. Ele destacou que a floresta é de uso sustentável e permite o manejo madeireiro na área de 300 hectares de pinos plantados, recursos disponível para a União e que pode gerar impostos para o município de Mato Castelhano.
O procurador do Estado, Rodinei Candeia, que faz parte da assessoria técnica na CPI que investiga no Congresso a atuação da Funai e do Incra na demarcação de terras indígenas e quilombolas, também participou do programa Uirapuru Ecologia. Ele destacou que ao analisar o estudo envolvendo a Flona, é visível a total impropriedade na demarcação da área.
Segundo ele, baseado na Constituição, a área da floresta nacional e o entorno não se enquadram como uma área tradicional indígena, pois nenhum índio viveu lá de acordo com os moldes da sua cultura e sobrevivência. Para ele, trata-se de uma vergonhosa manipulação grosseira, causando problemas para todas as pessoas e beneficiando terceiros, instituições e ONGS.
Na última semana um movimento de conscientização para  situação da Floresta Nacional de Mato Castelhano foi realizado com a coleta de mais de duas mil assinaturas num abaixo-assinado que será entregue ao Ministério do Meio Ambiente.
Via: Uirapuru
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