• A Floresta e o Petróleo estão queimando

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O fogo une muitos pontos do mapa geopolítico mundial nesse segundo semestre de 2019. De um lado as queimadas em vários ecossistemas nativos e cultivado do mundo. Noutro os campos de petróleo no Oriente Médio.
De um modo geral os fatos ocorrem em regiões periféricas na política das grandes potencias, mas centrais para importantes temas na perspectiva ambiental.
A vegetação nativa esta queimando na Amazônia, no Cerrado, na Sibéria, na África, Indonésia, Austrália e até na Península Ibérica. Face triste de uma visão de mundo que vê os ecossistemas nativos como espaços vazios a serem ocupados de forma predatória.
Em muitos pontos o fogo é agravado por conta das mudanças climáticas que facilitam sua expansão em função de secas extremas. Noutras é consequência de governos, como o brasileiro, que, em nome do “progresso” estimulam criminosos ambientais a destruir paisagens únicas, plantas, animais e povos tradicionais. A desorganização, enfraquecimento e mesmo repressão da fiscalização ambiental tem facilitado a vida dos agentes dessa ponta de lança do modelo de sociedade inimigo da natureza que ainda domina o mundo.
Já nos campos de petróleo incendiados vemos os efeitos de uma política energética poluente que, além de alterar o clima global, tolera Estados autoritários e bolsões de miséria econômica. Regiões onde famílias podres de ricas e corporações multinacionais centradas no lucro vivem ao lado de povos empobrecidos e alijados dos benefícios da riqueza do óleo que move o mundo. Estes últimos, num gesto de desespero, têm partido para a violência contra essas situações injustas e agindo como peões no grande xadrez das potências mundiais.
É irônico, que tanto aqui no Brasil, como no oriente, os americanos e seus aliados locais, ao invés de reconhecer suas responsabilidades, tentam culpar nos oprimidos e nas entidades que defendem uma sociedade em que haja harmonia entre a proteção da natureza e justiça social. Quem conhece as ONGs e os grupos rebeldes mundo afora sabe que eles não são os responsáveis pela catástrofe ambiental ou miséria social que caracteriza nosso tempo em benefício do consumo de luxo de poucos.
Esses grupos da base da sociedade, de um modo geral, querem um modelo de sociedade em que as riquezas naturais sejam usadas com sabedoria gerando vida plena para todas as formas de vida desse planeta.
Por isso o fogo tem que ser controlado tanto nas selvas como nos campo de petróleo. É o primeiro passo para um projeto de desenvolvimento ecologicamente sustentável que copie a lógica de ação da natureza visando atingir um estado clímax social e natural.
Àquele que todas as forças e recursos da natureza estejam a serviço da manifestação plena de todas as formas de vida do Planeta. Um modelo em que a beleza da vida humana e natural possa expor todo seu potencial negando esse estado de horror e sofrimento que os grandes incêndios têm provocado mundo afora.
Arno Kayser
Agrônomo, ecologista e escritor
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