É incrível o sucesso que as estórias de zumbi e vampiro têm feito entre os adolescentes. Tanto no cinema, literatura como televisão proliferam produções com esta temática. Isto pode ser um sinal de alerta de algo que se manifesta no inconsciente coletivo dos nossos dias.
Vivemos um tempo de muito medo nas relações interpessoais. Ao mesmo tempo assistimos uma série de pestes modernas que assustam nosso dia a dia. A maior de todas é a violência que diariamente ceifa vidas no crime, no trânsito e nas guerras localizadas.
Parte delas diretamente vinculadas com o flagelo das drogas. Em especial o crack tem tido um efeito devastador entre as pessoas de baixa renda. A ela se soma um medo repressivo das doenças sexualmente transmissíveis, em particular a SIDA, que vem criando um medo muito grande de ter trocas afetivas.
Se olharmos estes fatos que diariamente nos são bombardeados pela mídia se pode fazer algumas inferências. Os drogados crônicos, em particular os viciados em crack jogados pelas ruas, se parecem muito com zumbis. Pessoas de tal modo dominadas pela droga que se comportam de uma forma agressiva e descoordenada que se assemelha com os mortos vivos da ficção.
A repressão decorrente do medo de pegar uma DST gera uma forte tensão sexual. Por um lado há o desejo alimentado por milhares de formas de exploração da sensualidade com fins comerciais. Por outro lado o medo de morrer de uma doença que destrói a capacidade de nossa capacidade de combater as infecções.
Mais ou menos o que representa o arquétipo do vampiro. Misto de sedução e morte esta figura representa muito bem este estado de angústia.
Tanto no caso dos zumbis como nos vampiros a solução proposta pela ficção para salvar o herói é a violência. Somente com a morte destas criaturas é que o mocinho se safa. Uma clara manifestação de apoio à violência como solução dos males que é apontada como remédio para acabar com bandidos, terroristas e estranhos em geral.
Este sucesso comercial espelha uma identificação e uma cultura que tem muito medo e prefere o extermínio do outro à compaixão com seu sofrimento.
Ao invés de tentar nos aproximar do dependente químico, do doente ou do que sofre na miséria se promove a solução da violência como forma de afastar estes problemas e trazer paz ao indivíduo.
Um reflexo claro de uma sociedade hedonista e egoísta que aceita sem questionamento a idéia de que se pode passar por cima dos outros para alcançar o sucesso pessoal. Não importa o quanto possa trazer de sofrimento a vida dos outros. E a si mesmo na última conseqüência.
Arno Kayser
Agrônomo, Ecologista e Escritor
Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *