Por César Fraga / Publicado em 14 de abril de 2020

A ação do Ibama foi realizada em três terras indígenas no sul do Pará, onde vivem cerca de 1.700 índios. O que ensejou a ação do poder público foi o fato de as invasões de terras indígenas terem aumentado desde o início da pandemia de covid-19
Foto: Twitter/Reprodução
No dia seguinte ao programa Fantástico, da Rede Globo exibir uma reportagem sobre uma operação de combate ao garimpo ilegal em terras indígenas pelo Ibama, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, demitiu o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges de Azevedo.
A ação documentada pela reportagem não só foi coordenada pelo órgão ambiental, mas especificamente pela diretoria de Olivaldi.
Nos bastidores do Ministério do Meio Ambiente fala-se que a demissão tem relação com a veiculação da reportagem e foi uma determinação do presidente Jair Bolsonaro ao ministro Ricardo Salles.
A principal motivação do pedido teria sido o fato de os agentes terem queimado tratores e outros equipamentos usados no garimpo ilegal. A queima de tratores é operação padrão tanto para evitar que eles voltem a ser usados no desmatamento quanto pelo alto custo que significa para a União a retirada destes dos locais de apreensão.
Em novembro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro havia se comprometido com garimpeiros, em frente ao Palácio da Alvorada, que proibiria a queima de maquinário ilegal apreendido em ações de fiscalização. Olivaldi é major da Polícia de São Paulo foi indicação do próprio ministro Ricardo Salles e não é exatamente um ambientalista, pelo contrário, era conhecido por “segurar” operações do Ibama.
Num dois trechos da reportagem, o posseiro Arilson Brandão, que representa uma associação que pretende ocupar parte da terra indígena Trincheira-Bacajá, disse que se sentiu estimulado “com aquela conversa que saiu do governo federal, do ministro, de redução de 5% das áreas indígenas”.
“A gente está com essa esperança, essa expectativa, para que um dia aconteça isso e para realmente o governo legalizar o pessoal aqui dentro, né. Enquanto isso, a gente está ocupando aqui”, disse Brandão. De acordo com a reportagem, ele foi expulso junto com outros invasores.
COVID-19 – A ação do Ibama foi realizada em três terras indígenas no sul do Pará, onde vivem cerca de 1.700 índios. O que ensejou a ação do poder público foi o fato de as invasões de terras indígenas terem aumentado desde o início da pandemia de Covid-19. Como a doença oferece riscos ainda maiores às populações indígenas, o Ibama agiu para impedir o contato dos garimpeiros com os índios. Antes da operação, os fiscais cumpriram 14 dias de quarentena preventiva.

Olivaldi, major da Polícia de São Paulo foi indicação do próprio ministro Ricardo Salles e não é exatamente um ambientalista, pelo contrário, era conhecido por “segurar” operações do Ibama
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