• RESÍDUOS SÓLIDOS, ENTIDADES AMBIENTALISTAS DISCUTEM O TEMA NO LEGISLATIVO

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 Na tarde da última terça-feira (14), foi realizada uma reunião na Câmara Municipal para debater modos de tratamento adequado de resíduos sólidos e a adoção de políticas públicas no município. O vereador Israel Kujawa (PT) comandou o encontro que contou com a participação de representantes de entidades ambientalistas e gestores ambientais.

O vereador Kujawa ressaltou que o tema ambiental é uma das prioridades do mandato e um dos temas aos quais ele mais se dedica enquanto político e professor. Também colocou que são três pilares que devem conduzir o tema dos resíduos sólidos e seu modo de coordenação, que são educação, cultura e mudança comportamental. Ele lembra que itens como a educação alimentar também se relacionam com o tema e seu tratamento e deve ser muito discutido junto à sociedade. “Na minha opinião, é uma questão de mudança cultural, mudança comportamental e de políticas públicas”, colocou.

O representante do Projeto TransformAção, Iltomar Siviero, observou sobre média de 94% de desperdício de resíduos sólidos que não são aproveitados de forma adequada. Também que o município tem condições de melhorar muito esses índices, apontando que é preciso o município reverter essa despesa com resíduos sólidos em ações voltadas à educação ambiental. “A questão é estrutural pois é preciso investir em ações que abordem a importância de uma educação ambiental para que não haja gastos excessivos para gerir desperdícios”, completou.  

O representante do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Paulo Cornélio, lembrou que o município tinha ações voltadas para gerir resíduos sólidos desde anos atrás, mas que foram sendo secundarizadas com o passar do tempo. Relata que reuniões periódicas com entidades foram realizadas para elaboração de um plano municipal da gestão de resíduos e alertou sobre a necessidade em avançar neste plano. “Este plano municipal contém todas as coordenadas, de modo que precisamos bater nesta tecla. Há metas que não vêm sendo cumpridas e que o plano contribuirá para realizar esses avanços, chamando os atores e apontando os fatores”, pontuou.

O representante da Agenda 21, Ademar Marques, sublinhou sobre a lei municipal sobre a política de resíduos sólidos aprovada há alguns anos em Passo Fundo. Ele também salientou a importância em cumprir a legislação e que não há monitoramento da implementação de políticas públicas para os resíduos sólidos. Ademar entende que o projeto transformação tem capacidade em realizar esse monitoramento. Ainda observou que é preciso intensificar políticas públicas para o tema, de forma a colaborar com o trabalho de coleta e reciclagem, além de endossar o foco em educação ambiental. “É importante que se faça uma revisão na legislação e que se tenha o foco na coleta seletiva, pois representará um avanço prático neste tema. Além disso, não temos uma legislação sobre educação ambiental em âmbito municipal”, afirmou.

O professor e especialista em gestão ambiental, Rudimar Pedro, considera a gestão atual do tema algo muito grave, pois prejudica muito o trabalho de catadores e recicladores. Atentou que não é apenas o problema da gestão pública, mas também sobre o trabalho de separação do lixo. Ele advertiu que o alto índice de desperdício dos resíduos resulta em altos custos para os cofres públicos com base em estudos realizados. “Mensalmente, jogamos fora aproximadamente R$ 500 mil em materiais recicláveis que poderiam ser transformados em emprego e renda, além de aproximadamente 5% de água suja que pagamos para transportar. Por isso precisamos aprofundar as questões de gestão e educação ambiental”, apontou.

A representante do Gesp, Flávia Biondo, salientou que a carga de trabalho nos locais de coleta e reciclagem é muito alta e que os envolvidos ficam sobrecarregados. Ela ainda reforçou que se deve discutir sobre qual educação ambiental se quer e se precisa e que ela deve ser constante na sociedade. “A educação ambiental deve acontecer o tempo todo e ela se encontra inexistente atualmente na política pública como um todo. É preciso que haja ações constantes, estando na mídia o tempo inteiro, na comunidade em realização de projetos, assim se implanta uma educação ambiental”, concluiu.

O vereador Kujawa, junto dos demais participantes, apontaram um investimento em educação ambiental como uma alternativa viável e necessária para que se tenha uma evolução prática na gestão de resíduos sólidos. Eles entendem que este caminho apresentará grandes resultados, desde que se implemente uma conscientização para mudança de conduta na comunidade no descarte e na separação do lixo.

Foto: Comunicação Digital / CMPF

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