Falar do GESP é falar da história do movimento ambientalista e ecológico de Passo Fundo e da construção das principais políticas ambientais do município.
Por Flávia Biondo da Silva e Paulo Fernando Cornelio
Entre os anos de 1950, 1960 e 1970, diante da preocupação com o rápido crescimento populacional mundial, a industrialização desenfreada sem controle de poluição e o uso de agrotóxicos sem noção da toxicidade, que resultou em poluição dos rios, solos, mares e florestas, e a contaminação de pessoas, além dos graves problemas de desmatamento.
Neste momento histórico, muitos ativistas surgiram, como: Martin Luther King, Raquel Carson, Greenpeace, Henrique Roessler, José Lutzenberger, Magda Renner, Giselda Castro, Ana Maria Primavesi, Sebastião Pinheiro, entre outros, que iniciam ações tentando reverter os caminhos que a humanidade estava trilhando, de destruição rápida, imoral e descontrolada do Planeta.
Aqui em Passo Fundo, com o acompanhamento das discussões mundiais e a preocupação com a destruição dos ecossistemas naturais, o mesmo aconteceu. Com a liderança do Dr. Paulo Fragomeni, foi fundada a organização em defesa do meio ambiente, chamada Sociedade Botânica de Passo Fundo, e com o Sr. Adão das Chagas, a Associação Passo-Fundense Protetora dos Animais, duas entidades pioneiras em nossa cidade.
Ao final da década de 1970, o GESP surge de uma consonância de ideias de dois movimentos: um movimento da comunidade, formado por estudantes secundaristas, comerciários, funcionários públicos, escoteiros, donas de casa e artistas, e outro, de estudantes universitários. Que se uniram em um grupo muito heterogêneo, começando a discutir e movimentar Passo Fundo, com concepções pacifistas, manifestações ambientalistas e ecológica e atuação essencialmente política.
Assim, em 21 de setembro de 1983, constituiu-se oficialmente, Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas – o GESP.
O GESP é uma organização não governamental ecológica aberta a todas as pessoas, que atua principalmente no recebimento e encaminhamento de denúncias, na proposição de políticas públicas de meio ambiente, sociais e culturais, na educação ambiental e na conservação da natureza.
Que tem como missão lutar pela preservação de todos os seres, a partir de uma sociedade ecológica sustentável, socialmente justa, inserida numa filosofia pacifista, buscando a construção de um modelo alternativo de desenvolvimento e uma sociedade responsável.
PRIMEIROS MOVIMENTOS
Década de 1980
Acompanhamento das lutas de movimentos sociais mundiais, nacionais e integração com o Movimento Ecológico Gaúcho (MEG).
Discussões a respeito das questões nucleares e armamentistas e a preocupação com a utilização indiscriminada dos recursos naturais.
Apoio à luta dos povos indígenas e dos sem-terra pela reforma agrária.
Participação na Constituinte em 1988 e na constituição estadual e na lei orgânica de Passo Fundo em 1989,
Participação na construção do Plano Diretor de Passo Fundo – com a Sociedade Botânica de Passo Fundo – garantiu-se as Zonas de Preservação Ecológicas –– um exemplo é área chama Invernadinha e após se tornou conhecida como Reserva Biológica Arlindo Haas e Hoje Parque Urbano Municipal Arlindo Haas
E, denúncia da poluição dos córregos, arroios e rios, em especial do Rio Passo Fundo, principalmente na área urbana.
Exposição do lixo retirado do Rio Passo Fundo
na Pç Marechal Floriano
05/06/1984 – 1ª Manifestação Pública do GESP no Dia Mundial do Meio Ambiente
MOVIMENTOS
Década de 1990
Participação na RIO 92, com o lançamento do tratado de Educação ambiental e da Agenda 21 Global em Passo Fundo.
Marcou a Educação ambiental através do teatro – Projeto Circo Marimbondo, coordenado por nossa querida Ana Carolina Martins.
Nacionalmente, representou a Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai na Construção do Plano Nacional de Recursos Hídricos.
No Rio Grande do Sul contribuiu na construção da Lei de criação dos Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas e do Código Estadual de Meio Ambiente,
e no Município de Passo Fundo, na construção das primeiras políticas públicas de Meio Ambiente em especial, a criação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente – SMAM.
Reconhecimento da região de cabeceiras, que denominou “Berço das Águas”, primeiras nascentes do Rio Passo Fundo, Jacuí, Apuaê, Taquari e do Arroio Miranda.
Bem como, preocupação com o barramento do Rio Passo Fundo, para captação de águas para abastecimento da nossa cidade
Cabeceira Rio Passo Fundo
Foto: Paulo Fernando Cornelio
MOVIMENTOS
Década de 2000
O início dos anos 2000, foi marcado pela chegada do Promotor Paulo da Silva Cirne no Ministério Público Estadual de Passo Fundo, iniciando uma parceria de ações integradas com o GESP e outros órgãos.
Movimento em defesa da coleta seletiva junto ao Ministério Público Estadual, com a parceria do Comitê de Cidadania e Ação Comunitária
Criação do Projeto Rio Passo Fundo: sociedade e cidadania com o Ministério Público Estadual e Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (DEFAP/SEMA)
Defesa pela proteção e preservação da nascente-mãe do Rio Jacuí
Apoio a criação do Programa Uirapuru Ecologia da Rádio Uirapuru
Participação na criação do Fórum da Agenda 21 pelo decreto lei nº 131/2006
Além, do recebimento e encaminhamento de denúncias, em destaque, de podas irregulares.
E, da participação do movimento na criação do Parque Natural Municipal Pinheiro Torto
Foto: Paulo Fernando Cornelio
2000 – Ação civil pública para Coleta Seletiva de Lixo
MOVIMENTOS
Década de 2010
Participação na fundação da Assembleia Permanente pela Preservação Ambiental – APPA e nas diversas manifestações, como o Abraço ao Rio Passo Fundo, chamando a atenção para a responsabilidade com importante rio da cidade.
Convênio do GESP e a Agenda 21 Local com a Fundação Roberto Marinho para a instalação da 1ª Sala Futura do Meio Ambiente no Brasil
Participação no projeto Corsan nos Bairros
Iniciativas de proteção, conservação e restauração do patrimônio histórico, arquitetônico, paisagístico e de memória
Realização do Projeto Lixo problema seu com o recebimento de 140 denúncias
Junto ao Ministério Público a realização dos Seminários da Avaliação Ambiental, Projeto Jornal Via Eco e a entrega do Troféu Via Eco
Realização do Projeto Navegar I, II e III em parceria com o Instituto Estadual Cecy Leite Costa, destacando o ativista Prof. Antônio Rodrigues
Participou incansavelmente na luta de muitos anos pela criação do Parque Urbano Banhado da Vergueiro, efetivado em 2016
Proposição do tombamento do Rio Passo Fundo como Patrimônio Ambiental, apoiando o Projeto Rio Passo Fundo da Universidade de Passo Fundo
Parque Urbano Banhado da Vergueiro (depois)
MOVIMENTOS
Década de 2020
Participação ativa na construção de políticas públicas, junto ao Conselho Municipal do Meio Ambiente, Câmara de Vereadores e sugestões à Administração Municipal
Coleta de material escolar e doação para comunidades de ocupações e escolas públicas
E, em especial, o apoio aos Povos Indígenas em Passo Fundo, na busca de seus direitos.
Apoio aos Povos Indígenas em Passo Fundo
POR FIM, PALAVRAS PROFERIDAS PELA ATUAL PRESIDENTE DO GESP, A BIÓLOGA FLÁVIA BIONDO DA SILVA.
“Esta importante história de 40 anos de luta, foi e é construída por muitas mãos, pensadas por homens e mulheres comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável, justa, fraterna e inclusiva.
E, lembramos de algumas instituições e pessoas que contribuíram conosco
Sociedade Botânica de Passo Fundo
Caixa Econômica Estadual do Rio Grande do Sul
Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (DEFAP/SEMA)
Ministério Público Estadual – 1ª Promotoria de Justiça Especializada
Companhia Rio-grandense de Saneamento (Corsan)
Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar/UPF)
3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar
6ª Coordenadoria Regional de Saúde
Fórum Agenda 21 Passo Fundo
Agência de Publicidade Núceo.com
Grupo Ecológico Guardiões da Vida
In memoriam lembramos de Marco Hoffmann, Valentin Gasperin (Chico), José Sampaio Teixeira e Ademir Pinto Ribeiro
E os pioneiros ainda presentes conosco, João Manuel Camargo Filho, Carlos Sander, Francisco Bethoven Cruz, Joslei Pereira, Adelino Macarine, Claudia Mendes, Mário Vernes, entre outros.
Gostaríamos de citar um por um, mas em nome de todos, para finalizar, esse que nos representa muito bem e que se mantém e mantém o GESP sempre ativo, Paulo Fernando Cornelio, idealizador do GESP e atuante permanentemente pelos 40 anos, MUITO OBRIGADO!”
Fotos: Arquivo GESP









