BIODIVERSIDADE X HUMANIDADE
O termo biodiversidade refere-se, de maneira simplificada, à diversidade de vida existente na Terra. Essa diversidade é composta pelos diferentes biomas, ecossistemas, espécies e genes que existem. A variedade de genes permitiu e ainda permite que a vida se adapte e sobreviva nas mais diversas e extremas regiões do planeta. Esses genes se alteram e se adaptam a cada novo ambiente ou mudança que encontram, e a partir dessas alterações, novas espécies surgem, criando assim novas formas de vida.
Esse processo, no entanto, leva milhares de anos para acontecer. Cada espécie existente hoje passou por diversas adaptações resultantes de mudanças na geografia, umidade, predadores, competidores, secas, enchentes, ambientes e outros fatores que permitiram sua sobrevivência e a continuidade de seus genes como espécie. E o principal objetivo dessas adaptações é a sobrevivência, e é graças a esse processo que cada espécie, conhecida ou desconhecida, existe hoje.
Diversos fatores promovem adaptações, incluindo os ambientes onde cada espécie se desenvolve. Quando várias espécies se adaptam e se desenvolvem em um mesmo ambiente, além de sofrerem mudanças, elas também criam dependências mútuas e um equilíbrio entre si, por terem evoluído juntas ao longo do tempo. Mas mudanças externas podem causar muitos danos a esse ambiente e às espécies que se adaptaram durante milhares de anos.
Com o aumento das alterações feitas pelo ser humano nos ambientes e a aceleração dessas mudanças, a biodiversidade está sofrendo danos cada vez mais significativos. Essas mudanças repentinas e drásticas dificultam a adaptação de muitas espécies aos novos climas e ambientes que substituem seus habitats originais. O desmatamento, a poluição, a expansão urbana, a introdução de espécies exóticas e o uso excessivo dos recursos naturais são algumas das causas que provocam a diminuição da biodiversidade, afetando a vida de todos.
As atividades humanas têm um impacto profundo na biodiversidade e no equilíbrio dos ecossistemas. A conversão de florestas e outros habitats naturais em áreas agrícolas e urbanas, conhecida como desmatamento e fragmentação de habitats, resulta na perda direta de biodiversidade e na fragmentação dos ecossistemas, isolando populações de espécies e dificultando sua sobrevivência. Além disso, a poluição do ar, água e solo com substâncias tóxicas prejudica a saúde dos ecossistemas e das espécies que neles vivem, sendo os produtos químicos, como pesticidas e metais pesados, profundamente danosos.
As mudanças climáticas, causadas pela emissão de gases de efeito estufa, alteram os padrões climáticos globais, afetando a distribuição e o comportamento das espécies, com essas mudanças rápidas no clima elas tem dificuldade em se adaptar o que pode levar à extinção de muitas delas. A expansão urbana e a construção de infraestruturas destroem habitats naturais, criam barreiras físicas e aumentam a poluição, reduzindo os espaços disponíveis para a vida selvagem e comprometendo os ciclos naturais.
Outro fator é a introdução de espécies exóticas, que competem com as espécies nativas, introduzem doenças e alteram os ecossistemas, levando ao declínio ou extinção de espécies locais. A superexploração de recursos naturais, como a pesca excessiva, a caça, a coleta de plantas e a exploração de minerais e madeira, esgota os recursos naturais, reduzindo as populações de espécies e desestabilizando os ecossistemas.
A produção de monoculturas, que envolve o cultivo intensivo de uma única espécie vegetal, impacta negativamente a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas de várias maneiras. Essa prática leva à perda de habitats naturais, reduzindo a variedade de plantas e animais locais. A diversidade genética também diminui, tornando as culturas mais vulneráveis a pragas e doenças. O uso intensivo de pesticidas e fertilizantes contamina o solo e a água, prejudicando organismos não-alvo e contribuindo para a degradação do solo. Além disso, monoculturas alteram as interações ecológicas e os serviços ecossistêmicos, como a polinização e a saúde do solo. Para mitigar esses efeitos, é essencial adotar práticas agrícolas mais sustentáveis, como a rotação de culturas e a agroecologia, que ajudam a preservar a biodiversidade e a promover um equilíbrio ecológico saudável.
Essas alterações humanas comprometem a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas, afetando a saúde e a sustentabilidade do planeta. Para mitigar esses impactos, é crucial implementar práticas de conservação, promover o uso sustentável dos recursos naturais e aumentar a conscientização sobre a importância da biodiversidade.
Proteger e manter a biodiversidade oferece diversas vantagens para a humanidade. Além de garantir a estabilidade dos ecossistemas e a provisão de serviços essenciais, como a regulação do clima e a purificação da água, a biodiversidade também é fundamental para a segurança alimentar, a saúde humana e a sustentabilidade econômica. Além disso, a preservação da biodiversidade valoriza aspectos culturais e recreativos, promove a resiliência dos ecossistemas e impulsiona o avanço do conhecimento científico. Em resumo, a conservação da biodiversidade é essencial para garantir um futuro sustentável e saudável para toda a vida na Terra.
Por Rhaíssa Biondo da Silva, bióloga e integrante do GESP.
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