• Mudanças climáticas ontem e hoje, semelhanças e diferenças

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Por
Gisele Sana Rebelato, Dra. em Ambiente e Desenvolvimento, Mestre em Ecologia,
Bióloga e integrante do GESP.

 

O
universo desde o seu início e ao longo dos seus 13,7 bilhões de anos passa por
constantes alterações. O nosso planeta não é diferente. Esta natureza instável
provoca mudanças desde o surgimento da Terra a cerca de 4,5 bilhões de anos
atrás. A Terra tem uma história geológica rica e dinâmica resultado da complexa
interação entre a vida, a geologia e a atmosfera que propiciam mudanças, como
as mudanças climáticas.

As
mudanças climáticas têm o potencial de alterar os ambientes e ecossistemas,
contribuindo por exemplo para eventos de extinção em massa. O entendimento das
mudanças climáticas ao longo de seus 4,5 bilhões de anos nos propicia a
compreensão de como a Terra evoluiu e como estas alterações ocorreram e
modelaram o ambiente que conhecemos, proporcionando um vislumbre do futuro do
planeta.

A
Terra no início de sua formação no Arqueano (4,0 a 2,5 bilhões de anos)
apresentava altíssimas temperaturas, atmosfera com ausência de oxigênio (O2)
e presença de dióxido de carbono (CO2), de metano (CH4) e
de amônia (NH3). Neste ambiente foi que surgiram as primeiras formas
de vida, que acabaram por alterar tanto a temperatura quanto a composição
atmosférica.

Durante
o Proterozoico que durou de 2,5 bilhões a 538,8 milhões de anos (Ma), ocorreu o
maior evento de oxidação (2,4 e 2,3 bilhões de anos) através da introdução de
oxigênio na atmosfera e nos oceanos pelos primeiros organismos fotossintéticos.
Este aumento no oxigênio teve profundas consequências para a vida e a química
da Terra, incluindo a criação de uma atmosfera mais propensa à vida aeróbica.

A
atmosfera favorável à vida durante o Paleozoico (538,8 a 251,9 Ma), um clima
estável e quente contribuiu para a explosão cambriana, que é caracterizada pelo
surgimento de inúmeras formas de vida (Cambriano 538,8 a 485,4 Ma). Durante o
Paleozoico ocorreram diversas alterações climáticas, desde um ambiente quente e
estável a glaciações do final do Ordoviciano e início do Siluriano (460 a 430
Ma) e do Carbonífero-Permiano (330 a 290 Ma). Mudanças climáticas essas, que
foram umas das causas das extinções em massa e alterações significativas nos
ecossistemas terrestres.


o Mesozoico (251,9 a 66 Ma) foi caracterizado por um clima muito quente e
estável e com altos índices de CO2, no qual ocorreu o apogeu e a
extinção dos dinossauros (Cretáceo/Paleogeno) e a diversificação dos répteis e
das plantas.

Atualmente
estamos na Era Cenozoica (iniciada a 66 Ma), na qual a Terra passou por várias
mudanças climáticas, desde um período inicial no Paleoceno e Eoceno (65 a 34
Ma), com um clima relativamente quente, seguido por um resfriamento global que
propiciou o acúmulo de extensas áreas por gelo na Antártida e na Groenlândia. A
cerca de 35 milhões de anos a temperatura do planeta vem caindo e o clima da
Terra sofrendo flutuações. Na Época Pleistoceno (2,58 a 0,0017 Ma) o planeta
passou por glaciações alternadas e interglaciais, que influenciaram a
comunidade biológica atual, incluindo a evolução das espécies humanas.
Atualmente estamos em um estágio interglacial.

A
análise dos grandes acontecimentos no tempo profundo proporciona o entendimento
de que a Terra sofreu transformações ao longo dos seus 4,5 bilhões de anos
impulsionados por diversos fatores bióticos e abióticos associados e
interligados que alteraram e alteram a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a
biosfera.

Estas
diversas modificações, incluindo as mudanças climáticas são fenômenos naturais
e cíclicos, no entanto, a partir da Revolução Industrial, a humanidade tem
desempenhado um papel crescente, com o aumento das emissões de gases de efeito
estufa e a degradação ambiental. O rápido aquecimento global que observamos nas
últimas décadas é, em muitos aspectos, uma continuação da tendência de longo
prazo, mas com um ritmo e intensidade sem precedentes na escala histórica.

Entender
as mudanças climáticas ao longo do tempo profundo nos ajuda a colocar os
desafios atuais em perspectiva. A história da Terra é um testemunho das
complexas interações entre processos naturais e, mais recentemente, atividades
humanas. O estudo dessas mudanças nos proporciona percepções valiosas sobre
como o clima da Terra pode continuar a evoluir e como podemos, enquanto seres
humanos, trabalhar para mitigar os impactos das mudanças climáticas em nossa
sociedade.

(Debate
no Seminário Mudanças Climáticas, o ontem, o hoje e o amanhã, 19/08/2024, às
19h30min, no Teatro Municipal Mucio de Castro)


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