Abelhas, ameaçadas como nunca.
Registros arqueológicos do Norte da África de 9 mil anos
mostram o cultivo de abelhas em vasos de cerâmica. Um dos países do norte da
África, o Egito, armazenava o mel em jarras de cerâmica, conforme achados na
tumba do Faraó Tutancamon.
A apicultura foi introduzida no Brasil pelo Padre Antônio
Carneiro, que trouxe abelhas Apis melífera
da região do Porto, Portugal, por volta de 1839, para a região do Rio de
Janeiro. Entretanto a criação de abelhas, só se tornou uma atividade
economicamente viável no Sul do Brasil, com outras espécies de abelhas
europeias. Já na década de 50, houve uma revolução no trabalho com as abelhas,
pela introdução de abelhas africanas, Apis
melífera scutelata, acidentalmente do criatório que o pesquisador Warvik
Kher, mantinha com rainhas trazidas da África. As abelhas africanas, eram muito
mais produtivas, mas muito mais agressivas, chegando a serem chamadas “Abelhas
assassinas”. Em pouco tempo a maioria das abelhas da América Latina estavam
“africanizadas”.
É importante ressaltar que não é apenas o mel, um produto
nobre da apicultura, mas outros derivados, como própolis, e o grande benefício
ambiental proporcionado pela polinização de culturas anuais e perenes. Nas regiões
de cultivo de maçãs e outras culturas é comum os produtores contratarem apicultores
para introduzirem colmeias nas suas propriedades na época da floração.
Pesquisas científicas, já constaram que em culturas anuais como soja, chega a
aumentar entre 18 e 25% o aumento da produtividade com a polinização por
abelhas. Nas culturais anuais, chegam a 30% os índices de aumento na
produtividade em áreas polinizadas por abelhas.
Entretanto, nunca as abelhas estiveram tão ameaçadas como
agora, inclusive com risco de extinção, ocasionado pelo desmatamento, as
queimadas, as mudanças climáticas, aquecimento global e o uso de agrotóxicos
como o glifosato, a permetrina e o famigerado fipronil.
Existem cerca de 600 espécies de abelhas espalhadas pelo
mundo, há muitos séculos domesticadas e trabalhadas por tribos de nativos de
cada região que, não possuem ferrão, fáceis de manejar e extremamente dóceis.
São as chamadas Meliponinis, com produção de mel muito inferior que as abelhas europeias,
mas um mel com propriedades físico-químicas distintas e muito apreciadas, até
para fins medicinais. Durante muitos anos essas abelhas eram chamadas de
Abelhas Indígenas, por serem trabalhadas pelos nativos e de forma empírica. Por
isso existe pouco estudo técnico-científico sobre elas, em relação as abelhas
europeias.
No Brasil, os estudos, pesquisas e práticas com abelhas sem
ferrão vem aumentando exponencialmente, pela praticidade e pela função
ecológica que essas abelhas desempenham, na polinização de plantas e na
facilidade de manejo. Cada região tem as suas espécies dominantes de abelhas,
indo desde as Mamangavas até a popular Jatai (Tetragonisca angustula). Com a expansão do cultivo de Pitayas, a
mamangava ficou mais conhecida, por ser responsável pela polinização dessa
planta.
Por serem nativas de cada região, esses meliponídeos, são
perfeitamente inseridos no meio ambiente com importantes funções ecológicas
sendo manejadas em jardins, hortas e pomares somente para polinização das
plantas. Embora muito menos estudadas que as europeias, sabe-se que essas
abelhas apresentam peculiaridades específicas, especialmente ao comportamento
das rainhas, o que torna o manejo mais fácil e simples. Existem diversos tipos
de caixas para cada espécie de Jatai, Mirim, Mandassaia. Muitas dessas caixas
vem sendo instaladas em escolas para demonstração para crianças, nas aulas de
ciências e educação ambiental uma vez que essas abelhas podem ser manejadas por
crianças.
A tendência é que sejam desenvolvidos muitos estudos e
pesquisas no Brasil sobre meliponídeos pela importância dessas abelhas para o
equilíbrio ambiental, pela facilidade de socialização e pela geração de
trabalho e renda, uma vez que o mel de meliponídeos tem muito mercado e é muito
mais valorizado que o mel das abelhas europeias.