• Impactos das mudanças climáticas na dengue no Brasil

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 Por Flávia Biondo da Silva e Rhaíssa Biondo da Silva

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as temperaturas anuais no Brasil têm superado a média histórica desde a década de 1990. Esse aquecimento progressivo tem favorecido a adaptação do Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus da dengue. No sul do país, por exemplo, o aumento das temperaturas médias combinado com chuvas acima da média fez a região atingir a segunda maior taxa de incidência de dengue em 2022, de acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Até 2015, a presença da doença na região era considerada variável e pouco significativa, conforme estudo da Universidade Federal do Paraná. (Reportagem de Guilherme Castro/Instituto Butantan). No Rio Grande do Sul, ocorreram 267 óbitos confirmados, somente no primeiro semestre de 2024, conforme Informativo Epidemiológico Semestral do Centro Estadual de Vigilância em Saúde RS (CEVS) .

                                                    Desvios* de Temperatura Média do Ar no Brasil por década. 

* Desvio é a diferença entre o observado e a climatologia (média histórica)
                                                                                  Fonte: INMET

 

Os impactos das mudanças climáticas no aumento de
arboviroses, como a dengue, têm despertado crescente atenção de cientistas.
Estudos indicam que fatores climáticos, socioeconômicos e ambientais convergem
para ampliar a distribuição geográfica do mosquito Aedes aegypti, principal
vetor da dengue, chikungunya e zika. As mudanças globais podem intensificar
surtos e expandir os territórios infestados.

 Um artigo liderado por Felipe Soek e equipe, publicado na
revista GeoUERJ, detalha como o aumento das temperaturas médias anuais,
projetadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC),
ampliará áreas de infestação do mosquito no sul do Brasil. O estudo analisou
cenários otimistas e pessimistas de emissões de gases e concluiu que, mesmo sob
condições favoráveis de mitigação, o vetor terá maior capacidade de reprodução
e adaptação, agravando a incidência de doenças em áreas atualmente livres de
dengue​(admin_depext,+74550-268…).

 Outro estudo conduzido por Tamara Nunes Lima-Camara, da USP,
publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, reforça que condições urbanas
precárias, aquecimento global e períodos chuvosos favorecem a proliferação do
Aedes aegypti. Iniciativas como o uso de tecnologias inovadoras, como drones, e
métodos biológicos, como a bactéria Wolbachia, oferecem esperanças para o
controle populacional do vetor. No entanto, a autora alerta que apenas
políticas públicas integradas e ações comunitárias podem conter efetivamente os
impactos da dengue.

 Por fim, um relatório da Revista Gestão e Sustentabilidade
Ambiental alerta para o agravamento global das arboviroses, destacando que
atividades humanas como desmatamento e urbanização desordenada intensificam a
vulnerabilidade das populações. O texto sugere uma abordagem intersetorial,
combinando dados climáticos, ambientais e de saúde, para prevenir surtos e
proteger bilhões de pessoas ameaçadas até o final do
século).

 

Autores citados:

Felipe José Soek, Fernanda Evelyn Ferreira, Martina Victoria
Klein, Natália Chudzik Bauer, Paulo Sérgio Caikoski, Wilson Flávio Feltrim
Roseghini, Francisco Mendonça (Universidade Federal do Paraná).

Tamara Nunes Lima-Camara (Universidade de São Paulo).

Josiane Somariva Prophiro (Universidade do Sul de Santa
Catarina).

Guilherme Castro (https://butantan.gov.br/noticias/aumento-historico-de-temperatura-leva-a-disseminacao-da-dengue-em-todo-o-brasil#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Instituto,da%20dengue%2C%20o%20Aedes%20aegypti.)

Informativo Epidemiológico Semestral do Centro Estadual de Vigilância em Saúde RS (CEVS) (https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202407/09141104-informativo-epidemiologico-arboviroses-se-01-a-26-2024-1.pdf)

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