Data escolhida para celebrar a constituição do Grupo
Ecológico Sentinela dos Pampas foi 21 de setembro de 1983, após já alguns anos
de caminhada. Caminhos que se cruzaram de vertentes diferentes, um do ambiente
da sociedade outro da universidade, que encontraram o mesmo foco, agir diante
da destruição da natureza, para salvar o Planeta.
Trinta e sete anos de sobrevivência, é a mais constante
organização não governamental, trabalhando ininterruptamente em Passo Fundo.
Mas, o que o GESP fez em todo esse tempo?
Muitas árvores foram plantadas, mas principalmente, muito
contribuiu para que Passo Fundo fosse um dos maiores municípios do norte do Rio
Grande do Sul, em proteção da natureza, das águas, do patrimônio cultural, na
luta pelos direitos civis e no desenvolvimento de uma cultura ambiental e da
paz.
Muitos só vão perceber a contribuição quando a história for
reconhecida. Pois, o GESP, já passou em quase 40 anos de existência,
acompanhando as diferentes fases que o movimento ecológico gaúcho e brasileiro vivenciou:
– viu e contestou a industrialização sem medidas, regras e/ou
limites, na soterramento de Cubatão pela poluição atmosférica;
– protestou com Lutzenberger pelo tratamento dos efluentes
nocivos, que a indústria da celulose despeja nas águas do Guaíba;
– foi contra a implantação da indústria nuclear em defesa da
vida integral;
– lutou pelas Diretas Já e colaborou na elaboração e
aprovação da constituinte, defendendo várias pautas e principalmente o artigo
225, do meio ambiente;
– participou da construção das políticas públicas ambientais
do Rio Grande do Sul que se espraiaram por todo o Brasil, como a Lei das Águas
e os Códigos Ambientais;
– lutou contra a degradação do solo agricultável e a sua
contaminação por agrotóxicos;
– contestou a implantação de barragens de alagamento,
defendendo os atingidos;
– defendeu e lutou pela reforma agrária, denunciando o êxodo
rural e pelos povos originários, na defesa de seus territórios;
– contribuiu na formação da Lei 8080/90, que institui o
Sistema Único de Saúde/SUS;
– defendeu a Carta da
Terra na Rio 92, implantando a Agenda 21 em Passo Fundo;
E desde sempre, lutou pela conservação das águas que
abastecem nossa cidade e pela defesa do Berço das Águas que alimenta em água,
aproximadamente, 70% do estado do Rio Grande do Sul;
– lutou pela proteção dos Biomas Pampa E Mata Atlântica,
fiscalizando a destruição de campos e florestas, hoje remanescentes florestais
que oxigenam a água e o ar e mantém a sustentabilidade ambiental pelo Rio
Grande do Sul;
– foi eco “louco”, eco “chato” e hoje “xiita”,
porque se mantém na ativa, também na defesa da fauna silvestre, por áreas
verdes que as abrigam e alimentam e contra os maus tratos aos animais
domésticos e nativos;
– e ainda, contribuiu na construção de políticas públicas
municipais, lei orgânica, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Fórum da
Agenda 21, entre outros.
– acompanhou e contribuiu com a construção das políticas de
coletas e destinos de resíduos sólidos, coleta seletiva, entre outras;
– e contribuiu no planejamento e controle de cada plano
diretor do município, desde o início dos seus trabalhos.
Atualmente, é a Organização Não Governamental com presença
constante no Conselho Municipal do Meio Ambiente, no Comitê da Bacia
Hidrográfica do Rio Passo Fundo, na Assembleia Permanente pela Preservação
Ambiental (APPA), junto ao Ministério Público Estadual, no Fórum Agenda 21
Passo Fundo, na Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente
do Rio Grande do Sul (Apedema/RS) e no Conselho Deliberativo do Fundo Municipal
de Gestão Compartilhada/Corsan.
Além disto, ajudou a formar diversas ONGs nos rincões do
nosso Estado, contribuindo na educação ambiental e patrimonial.
E por fim, mas jamais conseguindo finalizar, contribuiu com
a evolução da consciência ambiental, sendo pioneiro, em nossa cidade, na
educação ambiental lúdica para crianças com teatro infantil e injetando consciência
ecológica, que hoje ferve no sangue da juventude. Consciência que precisa ser
mantida, em plena Pandemia Sanitária, para que se possa continuar salvando o
Planeta e defendendo cada árvore, no dia 21 de setembro e em todos os outros
dias do ano!
Militantes Flávia Biondo da Silva e Paulo Fernando Oliveira
Cornelio
