A segunda edição da maior conferência realizada pelo ONU começou. Entre euforia e preocupação, os participantes buscam preencher as lacunas deixadas há 20 anos e debater sobre todos os setores da sustentabilidade.
*Colaboração Ângela Prestes
A cidade conhecida mundialmente por suas praias e pontos turísticos naturais é sede da segunda maior conferência promovida pela ONU. Vinte anos depois da Eco-92, o Rio de Janeiro é palco – mais uma vez – do grande evento sobre sustentabilidade, a Rio+20, e se torna um símbolo para quem se preocupa com a crise contemporânea. A ideia da grande conferência, que está sendo realizada de13 a22 de junho e reúne chefes de Estado de todo mundo, é frear a degradação do planeta, injetando ânimo à agenda da sustentabilidade.
Em 1992, na primeira grande conferência, muitas medidas foram adotadas: a criação da Agenda 21, que traçou um programa de ações pelo desenvolvimento sustentável, além das convenções internacionais, como a Convenção do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica. Em 2012 não haverá aprovações desse porte e, sim, um mapeamento das lacunas no cumprimento dos acordos firmados na Eco92. As medidas que preenchem essas lacunas devem ser definidas nesses dias.
No local foi montada uma exposição, aberta ao público. O Forte de Copacabana abriga a C40, conferência dos prefeitos de todo o mundo. (Foto: Fabiana Beltrami)
Além dessas providências, a Rio+20 traz dois grandes temas para debate: a transição para uma economia verde socialmente inclusiva e uma reforma da ONU para a criação de um novo órgão, a Organização Mundial do Meio Ambiente (Omma). No evento, as mudanças na economia e nos processos de produção e consumo mais limpos, que respeitam os direitos humanos, também estão sendo discutidas. Outras atividades acontecem em paralelo às reuniões em outras localidades do Rio.
Segundo a vice-presidente do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Flávia Biondo da Silva, as conferências são sempre válidas, já que “as conferências não se resumem única e exclusivamente a elas próprias, ou seja, elas não acontecem apenas nos dias em que decorrem o evento, pois se baseiam em muitas outras discussões precedentes e nos dão direções a seguir”. Ela explica que, independentemente do resultado – positivo ou negativo – a conferência é uma forma de suprir as falhas. Quando negativas, organizar a população para combater as faltas e, quando positivas, seguir e ressaltar os pontos.
Entre avanços e retrocessos, Flávia acrescenta que a Eco92 embasou muitos movimentos ecológicos e políticas públicas mundialmente. O diretor da Gesp, Paulo Fernando Cornélio, conta que o Gesp esteve na Eco92 e participou na elaboração dos tratados. “Nós somos a única instituição em Passo Fundo signatária da Rio92 – como também é conhecida a primeira conferência de sustentabilidade. Estivemos lá e participamos dos tratados. Foram quatro pessoas daqui e influenciaram, principalmente, no tratado de educação ambiental”. O grupo estendeu as questões em Passo Fundo, em 1993.
Prós e Contras
Uma publicação na revista Planeta de março deste ano apontou o que deu e o que não deu certo. Em vinte anos não foram poucos os pontos negativos: as emissões de gás carbônico, principal dos gases de efeito estufa que esquentam a temperatura do planeta, aumentaram em 36%; o número de megacidades – com mais de 10 milhões de habitantes – aumentou em 110%; os desastres naturais com impactos sociais tiveram um aumento de 100%; a agricultura aumentou em 35% e o consumo dos fertilizantes nitrogenados e em 21% a irrigação. Além disso, como grande agravante, temos as 300 milhões de florestas que desapareceram em países tropicais.
Apesar desses aspectos negativos, houve avanços, estes, significativos: 93% dos gases poluidores que causam o buraco na camada de ozônio deixaram de ser gerados, atendendo ao Protocolo de Montreal; o consumo de biodisel subiu em 300.000% e o uso de biocombustíveis aumentou em 3.500%; a energia solar cresceu 30.000% e a energia eólica, 6.000%; o ecoturismo cresceu três vezes mais em relação ao turismo de massa e a média anual de agricultura orgânica cresceu em 13%.
Entre altos e baixos, as discussões continuam no Rio de Janeiro, e o ambientalista da Agenda 21 de Passo Fundo, Carlos Eduardo Sander, que tem diversificado sua participação em diferentes setores da conferência, conta sobre o debate no setor da economia, que aconteceu ontem à tarde: “Os economistas do mundo inteiro dizem que nada melhor que uma grande crise para nos capacitarmos de soluções. Na visão chinesa, dinamarquesa, alemã e brasileira – os países que estiveram participando do debate acreditam que precisamos ir além da forma tribal”, explicando que é necessário ver o planeta e as formas de comportamento de forma globalizada, como acontece na economia, que globaliza suas mercadorias.
O setor econômico sugeriu na Rio+20 transparência como o grande mote para superar essas perspectivas. Um ponto em destaque nesse setor é a concordância no que diz respeito às emissões de gás carbônico, sendo mais fácil conseguir uma diminuição desses gases com a população norte-americana, mesmo modelo europeu, do que convencer as populações menos desenvolvidas e mais pobres de reduzir suas emissões. Carlos Eduardo deixa a dica: “Lembrem-se: todos cuidando de tudo!”
Via: Agecom / Nexjor


