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Dia da Árvore é Dia do GESP

Foto: Flávia Biondo da Silva


Todo jardim começa com um sonho de amor.

Antes que qualquer árvore seja plantada

ou qualquer lago seja construído,
é preciso que as árvores e os lagos
tenham nascido dentro da alma.
Quem não tem jardins por dentro,
não planta jardins por fora
e nem passeia por eles…
Rubem Alves

O Papel das ONGs na Gestão do Desenvolvimento
Sustentável: O Caso do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP)

Por Gisele Sana Rebelato Flávia Biondo da Silva

As
organizações não governamentais (ONGs) desempenham um papel crucial na promoção
do desenvolvimento sustentável, atuando como mediadoras entre a sociedade civil
e o poder público. Este artigo analisa a atuação do Grupo Ecológico Sentinela
dos Pampas (GESP), uma ONG localizada em Passo Fundo, Rio Grande do Sul,
destacando suas contribuições para a sustentabilidade ambiental e social.

O GESP tem como missão lutar pela preservação do planeta e de todos os seres
vivos, promovendo uma sociedade ecologicamente sustentável e socialmente justa.

Contexto Histórico

O movimento
ambientalista mundial ganhou destaque na década de 1960, especialmente após a
publicação de “Primavera Silenciosa” por Rachel Carson em 1962, que
alertou sobre os impactos dos pesticidas na natureza. No Brasil, o movimento
ambientalista emergiu na década de 1970, em um contexto de ditadura militar,
manifestando a defesa da natureza e da participação popular.

No Rio
Grande do Sul, a fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural
(AGAPAN) em 1971 marcou o início de uma série de iniciativas ambientais. Em
1983, foi fundado o GESP, refletindo a convergência de interesses de pessoas da
sociedade e academia preocupados com questões ambientais globais e locais, como
a destruição dos ecossistemas e os perigos da energia nuclear.

Atuação do GESP

Desde sua
fundação, o GESP tem desempenhado um papel significativo em Passo Fundo e em
outros locais, realizando diversas atividades:

1.      Atividades
de Educação Ambiental
: O GESP realiza diversas atividades educacionais
para sensibilizar e educar a comunidade sobre a importância da conservação
ambiental e práticas sustentáveis.

2.      Mobilização
Social
: A ONG organiza e participa de protestos, manifestações e
campanhas de conscientização para defender causas ambientais e influenciar
políticas públicas em favor da proteção ambiental.

3.      Consultoria
e Denúncia Ambiental
: O GESP oferece consultoria técnica e realiza
denúncias de crimes ambientais, colaborando com autoridades como o Ministério
Público e a polícia ambiental para garantir a aplicação de leis e regulamentos
ambientais.

4.      Participação
em Políticas Públicas
: A entidade participa ativamente na formulação e
implementação de políticas públicas ambientais.

5.      Projetos
de Conservação
: O GESP está envolvido em projetos específicos de
conservação, como a criação de unidades de conservação, a revitalização de
parques e a conservação de nascentes, demonstrando um compromisso concreto com
a proteção dos recursos naturais.

Impacto e Políticas Públicas

O GESP se denomina um movimento ecológico devido à sua
atuação proativa na construção de políticas públicas. A entidade é reconhecida
por sua participação direta nos processos de formulação e implementação de
políticas ambientais. Suas representações contribuem para o desenvolvimento de
planos diretores municipais e propostas legislativas em diversos níveis
governamentais. Essa participação efetiva é evidenciada pela atuação do GESP em
fóruns e conselhos, incluindo a Agenda 21 Local, que resultou em políticas
significativas como a Política e o Plano Municipal de Resíduos Sólidos e o
Plano Municipal de Educação.

Desafios e Considerações Finais

Apesar
dos avanços, o GESP enfrenta desafios relacionados à predominância de
interesses econômicos sobre os socioambientais. Para superar essas barreiras, é
crucial fortalecer a governança ambiental e incorporar a participação
descentralizada nos processos de decisão (
Jacobi e Sinisgalli (2012, p. 1477)

O GESP desempenha um papel vital na gestão do desenvolvimento
sustentável em Passo Fundo, articulando-se entre diferentes setores da
sociedade para promover a sustentabilidade. O fortalecimento das ONGs e a
promoção de uma governança ambiental inclusiva são essenciais para alcançar um
desenvolvimento sustentável.

Referências

  • Brundtland, G. H. (1987). Our common
    future: The World Commission on Environment and Development
    .
    Oxford:
    Oxford University Press.
  • Diamond, J. (2009). Colapso:
    como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso
    . Rio de Janeiro:
    Record.
  • Gohn, M. da G. (2013). Sociedade
    civil no Brasil: movimentos sociais e ONGs
    . Meta: Avaliação, 5(14),
    238-253.
  • Jacobi, P. R., &
    Sinisgalli, P. A. (2012). Governança ambiental e economia verde. Ciência
    & Saúde Coletiva
    , 17, 1469-1478.
  • Pereira, E. M. (2018).
    Movimentos ambientalistas no Rio Grande do Sul (décadas 1970-80). Oficina
    do Historiador
    , 11(1), 21-42.
  • Pinto, C. R. J. (2006). As
    ONGs e a política no Brasil: presença de novos atores. Dados,
    49(3), 651-670.
  • Sachs, I. (2002). Caminhos
    para o desenvolvimento sustentável
    . Rio de Janeiro: Garamond.
  • Weiss, J. S. (2016). O papel
    da sociedade na efetividade da governança ambiental. In: Moura, A. M. M.
    de (Org.), Governança ambiental no Brasil: instituições, atores e
    políticas públicas
    (pp. 329-346). Brasília: Ipea.
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