• Mudanças climáticas: estratégias de mitigação, adaptação e convivência

  • Voltar
 by 


Por Anderson
Santi

Pesquisador Embrapa Embrapa
Trigo – Passo Fundo, RS.

A
mudança climática, acelerada pela atividade humana, especialmente pelo uso
desenfreado de combustíveis fósseis, é realidade e seus efeitos estão cada vez
mais presente no nosso cotidiano. A maioria dos cientistas climáticos nos
alertam para os riscos a que estamos expostos, e que cada vez mais estaremos,
se não seguirmos os caminhos que a ciência tem buscado para o enfrentamento desse
problema que aflige o mundo.

Embora
o negacionismo climático tenha seu papel de desinformação e até intimidação ao
atribuir  o termo “terrorismo climático”
aos que defendem a importância da luta contra a mudança climática, este grupo é
limitado e, geralmente, desprovido de dados científicos capazes de refutar suas
teorias negacionistas. No entanto, essa disputa, nada saudável ao planeta e ao
ser humano, resulta em dispersão e perda de foco do problema real: as mudanças
climáticas estão em curso. O papel da ciência é, com base em dados, antever,
prevenir e oferecer soluções para os desafios complexos deste fenômeno. Historicamente,
tem se observado que é dos maiores desafios que emergem grandes soluções. No
contexto da mudança de clima, estamos experimentando uma revolução científica e
tecnológica em áreas de produção e utilização de energia, novas formas de
capitalização de processos e produtos, produção sustentável, inovações em
sistemas agropecuários/agrossilvipastoris, criação de novos mercados, a exemplo
do mercado de carbono, entre tantos outras, sendo tudo isso associado a
estratégias de mitigação, adaptação e convivência com a mudança climática. Neste
cenário, a pergunta que devemos fazer é: que mundo queremos deixar para os
nossos filhos?

Atualmente, o Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão responsável por 6
relatórios sobre mudanças climáticas desde 1994, cujo conteúdo, escrito por
milhares de cientistas e cada vez mais acurado, vem alertando para os efeitos
devastadores das mudanças climáticas sobre o planeta. A segunda parte do Sexto
Relatório de Avaliação do IPCC: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade (28/02/22),
capitaneada por cientistas de 195 países, afirma que temperatura global subiu 1,1°C,
em relação a 1850, e é causa de perdas e danos, em especial às populações em
situação de vulnerabilidade. Atribui-se o aumento da temperatura global à
emissão de gases de efeito estufa, em especial o gás carbônico advindo da
queima de combustíveis fósseis cuja concentração na atmosfera aumentou em mais
de 50% desde o começo da era industrial, atingindo, atualmente, a marca de 422
partes por milhão. Nesse contexto, a temperatura global poderá elevar de 1,4 a
4,4 ºC até 2100, trazendo efeitos devastadores sobre todos os sistemas
terrestres, especialmente, se nada for feito.

Integrar ação climática
eficaz e equitativa agora reduzirá perdas e danos para a natureza e às pessoas.
Múltiplas opções viáveis e eficazes estão disponíveis para reduzir as emissões
de Gases de Efeito Estufa e adaptar-se às alterações climáticas causadas pelo
homem. Mas, para que estas ações sejam implementadas, há necessidade de
compromisso político, governança multinível bem alinhada, estruturas
institucionais, leis, políticas e estratégias, além melhor acesso ao
financiamento e à tecnologia. Medidas eficazes e necessárias estão associadas
ao maior acesso a fontes de energia limpa, aproveitamento de fontes naturais de
energia, melhoramento genético de culturas, gerenciamento e armazenamento de
água, conservação da umidade do solo, irrigação, florestamento e
reflorestamento, uso de bioinsumos, diversificação e rotação de culturas, práticas
sustentáveis voltadas ao sequestro de carbono no solo, agricultura
conservacionista, agricultura regenerativa, entre outras.

Por fim, todas ações
executadas neste contexto terão como resultados grandes avanços científicos e
tecnológicos, novos marcos regulatórios e políticas públicas implementados, bem
como toda a necessária mudança associada ao comportamento humano para hábitos
focados em sustentabilidade. Ou seja, teremos deixado um legado com mais
segurança e desenvolvimento para as gerações futuras.

Dessa forma, a palestra tem
o objetivo de contribuir para a formação crítica de conceitos sobre a mudança
do clima global, a partir da exposição estruturada sobre fundamentos, efeitos,
formas de mitigação, adaptação e convivência com este fenômeno.


(Graduado em Agronomia e Mestre em Agronomia – Biodinâmica do
Solo – pela UFSM. Foi pesquisador e diretor de centro de pesquisa na FEPAGRO.
Atualmente é pesquisador da EMBRAPA. Experiência em Agronomia, com ênfase em
Ciência do Solo, com atuação em temas de mudanças climáticas, fluxo de gases de
efeito estufa em sistemas agropecuários, dinâmica do carbono em sistemas
agrícolas e na relação em conservação e fertilidade de solo.)

Siga nossas redes sociais @gesp.sentinela


Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *