• Passo Fundo preserva história do ambientalismo com acervo digital do Gesp

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Projeto financiado pelo Pró-Cultura RS vai disponibilizar documentos do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas até 2026. Arquivo reune fotos, jornais e dossiês de denúncias desde os anos 1970

Por Tatiana Tramontina

Reportagem completa no link

https://gauchazh.clicrbs.com.br/passo-fundo/geral/noticia/2025/11/passo-fundo-preserva-historia-do-ambientalismo-com-acervo-digital-do-gesp-cmi7r799e01kn0150vu8fzvtq.html

Documentação da antiga Sociedade Botânica de Passo Fundo foi encontrada durante triagem.
Tatiana Tramontina / Agencia RBS

O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp) de Passo Fundo está executando um dos maiores processos de preservação documental dos seus 45 anos de atuação. O projeto vai garantir digitalizaçãocatalogação e acesso público ao arquivo produzido desde o final da década de 1970.

Financiada com recursos do Pró-Cultura RS — por meio da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) — a iniciativa “Pelos Caminhos da Ecologia: Resgate e Preservação Digital do Acervo do GESP” prevê que parte do acervo esteja disponível ao público já no final de fevereiro de 2026, com continuidade dos trabalhos ao longo dos próximos anos. 

A museóloga Tania Aimi, responsável pela organização técnica do acervo, explica que o processo começou em março deste ano, após a chegada dos recursos, compra de equipamentos e preparação de um local próprio no Espaço Roseli Doleski Pretto, onde funciona a sede do Gesp.

— O grupo tem um volume imenso de material acumulado em mais de quatro décadas. Antes de organizar, precisei conhecer melhor esse universo para pensar na melhor estrutura possível — afirma.  

O trabalho envolve várias etapas simultâneas: triagem do que é relevante para o acervo institucional, higienização das peçasremoção de grampos clipescatalogação e acondicionamento em arquivos metálicos.

Ao mesmo tempo, os voluntários também estão digitalizando os documentos que serão disponibilizados na plataforma Tainacan, sistema utilizado por museus e centros de documentação do país: 

— É um processo demorado. A parte mais difícil é a seleção do que entra no arquivo permanente e o que pode ser encaminhado para outras instituições. Mas está sendo muito prazeroso, porque o arquivo do Gesp é único e conta com uma história do ambientalismo de Passo Fundo. 

Acervo revela história ambiental do Estado

Projeto vai garantir a digitalização, catalogação e o acesso público aos arquivos produzidos desde o final da década de 1970.

Tatiana Tramontina / Agencia RBS

Para o diretor do Gesp, Paulo Fernando Cornélio, o projeto atende uma preocupação antiga: preservar documentos que registram a participação do grupo em movimentos ecológicos locaisestaduais e nacionais

— O Gesp começou em 1979. A entidade foi regularizada em 1983. Participamos de encontros estaduais e nacionais, da Rio-92, de estudos científicos, produzimos levantamentos de denúncias ambientais que influenciaram políticas públicas. Isso tudo foi se acumulando — relata. 

O acervo inclui fotografias de eventos, campanhas e fiscalizações, correspondências, dossiês de denúncias ambientais, recortes de jornais extintos da cidade, estudos acadêmicos, revistas internacionais como Greenpeace, além de parte da documentação da antiga Sociedade Botânica de Passo Fundo, fundada na década de 1970. 

— Ao longo desses 45 anos, nos tornamos um arquivo histórico-ambiental da cidade e do Estado. Preservar esse material e torná-lo acessível é fundamental para pesquisadores, educadores e para a própria memória ambiental da região — destaca. 

Acesso público e preservação

Documentos serão disponibilizados para a comunidade através da plataforma Tainacan.

Tatiana Tramontina / Agencia RBS

A previsão é de que a primeira parte do acervo esteja disponível até o final de fevereiro, tanto fisicamente (em salas preparadas com novos arquivos metálicosbiblioteca e espaço para a consulta), quanto digitalmente no Tainacan, com recursos de busca avançada e categorização por temas. 

Através da verba recebida do governo, grupo pode comprar materiais para armazenar documentos corretamente. 

Tatiana Tramontina / Agencia RBS

O projeto também inclui oficinas para estudantes do Ensino Médio e atividades educativas com integrantes da Associação de Cegos de Passo Fundo (Apace), além de ações de divulgação e uma exposição temática. 

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