• Análise mostra situação crítica do Rio Passo Fundo

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Avaliações indicaram classe 4 em qualidade de água, diferente do que havia sido apresentado no Plano de Bacia do Rio, em 2012, com classe 2

Rio Passo Fundo – Foto: Divulgação




O Rio Passo Fundo está dentro da Classe 4 em avaliação da qualidade de água, de acordo com resultados apresentados em reunião ordinária do Comitê Rio Passo Fundo. O dado é muito pior do que indicou o Plano de Bacia do Rio Passo Fundo, em 2012, com a colocação em Classe 2, de acordo  com a resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que enquadra os usos dos recursos hídricos. A avaliação é realizada por meio de parâmetros biológicos, químicos e físicos. As análises foram coletadas em diferentes pontos da Bacia Hidrográfica durante as expedições realizadas pela equipe do Projeto no último ano.
A diferença na classificação significa, de uma forma geral, que a qualidade do Rio está abaixo do que o indicado no Plano – documento que deveria ser o norte das ações ambientais e relacionadas aos usos da água dentro da Bacia Hidrográfica. Responsável por realizar parte das coletas, a Etamb – empresa júnior do curso de Engenharia Ambiental da UPF – trabalhou junto com o Muzar para obter o maior número de informações possíveis a respeito das características da água. Foram analisados parâmetros como coliformes, pH, temperatura, Oxigênio Dissolvido, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), DQO (Demanda Química de Oxigênio), Nitrato, Fósforo, Sólidos Suspensos Totais, Eletrocondutividade, Cor e Turbidez e, ainda, bioindicadores – que são grupos de espécies ou comunidades biológicas cuja presença, abundância e condições são indicativos biológicos de uma determinada condição ambiental.
Alguns dados mostraram uma situação grave em alguns arroios. Isso nos deixou extremamente preocupados em razão, Paulo Fernando Cornélio
O diretor do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP), Paulo Fernando Cornélio, declara que a situação é grave. Além disso, ao ter conhecimento dos resultados, ele relatou surpresa ao saber que os tributários – rios que formam o Rio Passo Fundo, em outros municípios – estão numa situação de gravidade extrema. “Os tributários do rio, em alguns locais, estão em situação mais grave que o próprio rio. Essa primeira apresentação nos trouxe que a falta de saneamento básico nos arroios que formam o Rio estão numa situação de muita gravidade. Não esperávamos que estivessem numa situação tão deprimente, principalmente em nível de coliformes fecais”, afirma.
Segundo ele, o índice de coliformes fecais está muito alterado. “Alguns dados mostraram uma situação grave em alguns arroios. Isso nos deixou extremamente preocupados em razão do Plano que existe dentro do Comitê. Teremos que ter uma qualidade maior do rio e da bacia toda nos próximos anos. Isso mostra que vamos ter que avaliar o plano para ver o que podemos fazer para buscar diminuir esse grave problema constatado”, afirma o diretor do Gesp.
Resultados preocupantes
Os resultados obtidos apontam, de uma forma geral, para um Rio bastante prejudicado. O Índice de Qualidade da Água (IQA), nos 28 pontos de coleta – realizados em Passo Fundo e em diferentes municípios da Bacia – variam de médio a ruim em todos os pontos. Já o Índice BMWP (Avaliação da Qualidade da Água Através dos Macroinvertebrados Bentônicos), varia entre poluídas e fortemente poluídas. O único ponto que fica um pouco abaixo dessa característica foi encontrado em Pontão, onde está localizada a Unidade de Conservação da Sagrisa. O ponto mais crítico, de acordo com as coletas, está no Arroio Santo Antônio que recebe grande carga de esgoto doméstico e efluentes industriais.
Análises
As análises realizadas pelo Projeto Rio Passo Fundo – desenvolvido pelo Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), com o apoio do Museu Histórico Regional (MHR), do Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar) e do Comitê Rio Passo Fundo e realizado a partir do patrocínio do Programa CAIXA de Apoio ao Patrimônio Cultural Brasileiro 2017/2018 – envolveram profissionais e acadêmicos da Biologia e Engenharia Ambiental e foram realizados em pontos diferentes de afluentes do Rio Passo Fundo que não coincidem com os escolhidos e apresentados no Plano de Bacia.
Análises realizadas pelo Projeto Rio Passo Fundo – desenvolvido pelo MAVRS, com o apoio do MHR, do Muzar e do Comitê Rio Passo Fundo
Entenda a classificação
A classificação do Conama é o enquadramento que define os usos da água, de acordo com a sua qualidade, em todo o país. Assim, o Rio Passo Fundo que, segundo o Plano de Bacia, estaria em Classe 2 poderia, então, ser utilizado para a proteção das comunidades aquáticas; recreação de contato primário e secundário; aquicultura; abastecimento para consumo humano – após tratamento; pesca; irrigação; dessedentação animal e harmonia paisagística.
De acordo com as análises realizadas, as condições da água indicam que, na realidade, ele se enquadraria na Classe 4 e, dessa forma, os únicos usos possíveis para o Rio Passo Fundo seriam a navegação e a harmonia paisagística. “É fato que estamos longe de atingir as metas definidas pelo enquadramento do Plano de Bacia. E ficamos felizes de ter o Projeto Rio Passo Fundo para nos apresentar esses dados e colaborar com ações para entender o cenário onde está o rio Passo Fundo. Precisamos de ações assim, que esse seja um primeiro passo”, comenta o presidente do Comitê Rio Passo Fundo, Claudir Luiz Alves. Ele acrescenta, ainda, que a expectativa é que a última fase do Plano de Bacia apresente planos de ações que busquem a melhora da qualidade da água do Rio.
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