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Órgão solicitou a manifestação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Integrado (CMDI) que aprovou as mudanças no PDDI

O Ministério Público Estadual, através da 1º Promotoria de Justiça Especializada, instaurou procedimento de investigação sobre a aprovação de alterações no Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) que permite a construção de um conjunto de empreendimentos em área próxima a unidades de conservação. No último dia 06 de dezembro, o Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), o Grupo Ecológico Guardiões da Vida (GEGV), a Associação Conservar e a Associação para Conservação da Vida Silvestre (Convidas) solicitaram a intervenção do MP para impedir a alteração do PDDI aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Integrado (CMDI) ocorrido no dia 07 de novembro. As entidades ambientalistas alegam que a construção de um grande empreendimento no local poderá causar danos ambientais.


Diretor do Gesp, Paulo Cornélio e o presidente da Associação Conservar, Rogério Benvegnú Guedes


A alteração do PDDI refere-se a uma área de 140 hectares, nas imediações da ERS 324, saída para Carazinho. O pedido de mudança no zoneamento foi feito por uma empresa que visa a construção de um conjunto de empreendimentos composto de parcelamentos do solo e edificações para indústria, comércio e residências domiciliares.

O CMDI aprovou a mudança do zoneamento em audiência pública, no mês passado, mesmo depois de manifestações contrárias e um relatório com considerações técnicas sobre a área ambiental, jurídica, engenharia técnica, mercado imobiliário e de ambientalistas com observações sobre a importância da área em questão e da fragilidade ambiental do local. As mudanças do plano diretor que permite a instalação do referido empreendimento ainda terá que ser apreciada e votada pela Câmara de Vereadores e, posteriormente, sancionadas pelo Executivo.

Paulo Cirne recebeu na semana passada, documentos das entidades ambientalistas, que foram inseridos no procedimento. O MP expediu ofício para o CMDI solicitando manifestação sobre a forma como ocorreu a aprovação das alterações e também irá solicitar a empresa para apresentar informações do empreendimento.

O que dizem as entidades
As entidades ambientalistas afirmam que as mudanças no zoneamento poderão provocar danos ambientais irreversíveis. Segundo o diretor do Gesp, Paulo Cornélio, a área em questão está localizada muito próxima de unidades de conservação como o Parque Municipal Natural Pinheiro Torto, Reserva Particular do Patrimônio Natural Maragato e ecossistemas associados a micro-bacia do Lajeado Pinheiro Torto. A urbanização da forma como está poderá causar danos ambientais porque o local não comporta grandes índices de adensamento. “O empreendimento é de grande porte e o local possui uma fragilidade ambiental significativa. O projeto prevê altos índices de ocupações semelhantes a da área central do município”, argumentou Cornélio.
Conforme o presidente da Associação Conservar, Rogério Benvegnú Guedes, o projeto também prevê a instalação de eixos indutores e prolongamento das ruas ligando o local a outros bairros. O problema é que eles estão previstos em locais muito próximos das unidades de conservação. “Estão previstas a construção de duas pontes sobre o Rio Pinheiro Torto e uma rua passando dentro de uma unidade de conservação. Eles não estão considerando os danos e a importância das unidades de conservação”, declarou Guedes.

As entidades salientaram que não são contra a ocupação deste espaço vazio, mas solicitam a redução dos índices de ocupações próximos as unidades de conservação. “Queremos discutir esta proposta com o empreendedor e com o município”, salientou Cornélio.



Via: O Nacional




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A aprovação da alteração do plano diretor que possibilita a implantação de um empreendimento fez com que ONGs ambientais abrissem inquérito civil

A preocupação acerca da preservação permanente fez com que Organizações Não–Governamentais se reunissem para elaborar um levantamento técnico-científico sobre uma área localizada na região Oeste da cidade de Passo Fundo, perto do Arroio Pinheiro Torto e do Parque Municipal Natural Pinheiro Torto. Uma alteração do plano diretor municipal possibilita a instalação de um empreendimento no local, que segundo ambientalistas teria índices urbanísticos muito elevados. Para a prefeitura, o projeto apresentado pela empresa não infringe a lei ambiental e ainda se encontra dentro do aceitável.



Um documento foi protocolado no Ministério Público pelo Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Grupo Ecológico Guardiões da Vida (Gegv), Associação Conservar e Associação para Conservação da Vida Silvestre (Convidas). Conforme o diretor do Gesp, Paulo Fernando Cornélio, o documento pede que seja aberto um inquérito civil para avaliar o aspecto ambiental relacionado a alteração no plano diretor, aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento 

Integrado (CDMI).

Audiências e aprovação

Segundo ele, a alteração foi apresentada e as ONGs pediram tempo para realizar um estudo mais aprofundado. Mesmo com o levantamento, a alteração foi aprovada. “Todas as ONGs estiveram presentes na audiência solicitando que não fosse aprovado da maneira como estava, pois achamos que é muito impactante. Todas as instituições se reuniram, elaboramos o documento, um contraponto aos itens apresentados pela empresa, que vai causar um impacto muito grande na região. Mesmo assim, pedimos que não fosse votado porque era um elemento muito relevante e não poderia passar sem uma discussão aprofundada. O conselho de desenvolvimento não acatou e colocou em votação, onde foi aprovado”, explica Cornélio.


(Presidente da Associação Conservar, Rogério Benvegnu Guedes e diretor do Gesp, Paulo Fernando Cornélio / FOTO ALESSANDRA PASINATO)



Para o presidente da Associação Conservar, Rogério Benvegnu Guedes, a aprovação não levou em conta pareceres significativos, já que foram oito votos a favor da aprovação enquanto quatro contra. “IBGE, UPF, Guardiões da Vida e Associação de Engenheiros e Arquitetos, pareceres de peso que não foram considerados. Não foi apresentado um estudo técnico que essa alteração exige, sem discutir com a sociedade. Não se discutiu com moradores do entorno, não cita na proposta de alteração as unidades de conservação e se prevê ruas inclusive dentro da área de APP da Maragato, o que prova o desconhecimento da área”, avalia ele.

O plano diretor ainda precisa passar pelas comissões da Câmara para ser aprovado.


Órgão municipal
O secretário municipal de Meio Ambiente, Clóvis Alves, comenta que a secretaria tem uma cadeira no CDMI e, para ele, o que as organizações pedem é um estudo e cautela com relação a área. “Como secretaria que tem que atuar de forma protetiva, somos solidários ao máximo de preocupação com relação a todas as áreas. Evidente que temos limite legal para proibir e permitir e a princípio seguem o que a legislação permite”, aponta ele.

De acordo com Alves, não existe nenhum empreendimento autorizado para ser edificado no local. “Estaremos atentos a tudo que venha a ser instalado, mas no momento não vejo empecilho legal em relação a alteração. Da nossa parte, enquanto não houver ilegalidade, não podemos atuar, não temos elementos, porque foi alterado pelo índice de ocupação”, comenta.



Alves ainda ressalta que aquilo que a legislação prevê que é possível ser feito dentro do projeto, ainda passa pela anuência da Fepan e órgãos estaduais. “Nenhuma obra que vai atingir APP será dada a licença apenas pelo órgão municipal. Dentro da urbanização são freqüentes as intervenções nessas áreas. Na cidade temos dezenas de pontes, ruas com bueiros e isso tem previsão legal desde que licenciado e aprovado pelos órgãos competentes”, prevê, concluindo: “Lutamos pra criar a RPPN Maragato e o Parque do Pinheiro Torto, que foi um projeto municipal, primeiro da história do município, então reconhecemos a importância e a fragilidade da área e seremos criteriosos a qualquer empreendimento nessa área”, conclui.



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