• CASA DO CHEFE DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA EM SITUAÇÃO DEPLORÁVEL

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 A preservação dos bens arquitetônicos históricos em Passo Fundo, sempre enfrentou desafios que vão muito além do crescimento urbano descontrolado e desordenado. 

A falta de uma legislação comprometida com a história e cultura, esvaziamento de áreas urbanas para a construção civil, problemas fundiários, falta de comprometimento dos governos municipais, poder econômico sobrepondo à história e cultura de um povo, entre outros, comprometem a proteção e valorização desses importantes espaços históricos.

O patrimônio histórico é essencial para as áreas urbanas e rurais, pois preserva a identidade local, a memória de uma coletividade, educa sobre o passado e o presente, impulsiona o turismo e a economia. Desse modo, harmoniza os espaços públicos e privados para o bem estar de seus habitantes.        

Em nossa cidade, Passo Fundo, existe um prédio que faz parte do Inventário Provisório de Bens Tombados, conhecido como “Casa do chefe da Estação”, que foi residência do engenheiro chefe da estação férrea de Passo Fundo, construída na década de 1920 no plano de modernização da estrutura da Viação Férrea do Rio Grande do Sul.

Este importante elemento histórico é integrante do Parque da Gare, que é umas das áreas mais importantes de lazer, cultura, e gastronomia, que abriga conjuntos históricos e culturais únicos para a nossa cidade.

O parque foi revitalizado em 2016, mas, até este momento, este importante prédio continua imperceptível para a Administração Municipal em reconhecê-lo como edificação indispensável como patrimônio histórico tombado.

Recentemente, e com o intuito de providenciar informações para o “Projeto Trilhas Urbanas nos Parques” o Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP) se deparou (novamente) com uma situação gravíssima, o estado de abandono e de destruição da Casa do Chefe da Estação.

Portas e janelas quebradas, beirais destruídos, piso de madeira em decomposição, soleiras caindo e em decomposição, lajes e assoalhos danificados, telhado/cobertura desabando, infiltração de água em todos os cômodos, quartos e salas avariadas, pilares e colunas rachadas, paredes de alvenarias com reboco caindo, entre outros.

No prédio, também foi encontrado, alguns moradores que residem de forma inadequada no local, identificadas como pessoa em situação de rua.

Além destes graves problemas estruturais e social, foi encontrado grande quantidade de resíduos e lixo doméstico dentro e fora da casa, como: garrafas plásticas e de vidro, roupas, móveis quebrados, resíduos orgânicos, madeiras, lixo doméstico,  metais, entre outros. 

Em relação da gravidade do estado do imóvel, foi protocolado um ofício com relatório e fotos ao Ministério Público Estadual, através da 1ª Promotoria de Justiça Especializada, para solicitar providências e mobilização em relação à regularização como bem histórico tombado, limpeza da área, cercanias do espaço e realocação das pessoas que residem no local, em estado de vulnerabilidade social.

O GESP também, providenciará documento com estas informações para o Conselho Municipal de Cultura de Passo Fundo.

                                                                                             PEQUENO HISTÓRICO

No ano de 1898, iniciou o funcionamento da Estação Férrea de Passo Fundo, viabilizando o transporte por trem para várias cidades do estado e do Brasil.

Na década de 1920 foi construída diversos prédios, casas residenciais para os funcionários, marcenarias, galpões, áreas de embarque, entre outros, viabilizando uma central ferroviária em nossa cidade.

Neste mesmo período, foi construída a Casa do Engenheiro Chefe da Estação, prédio imponente para a época e importante para a nossa história local.  

No ano de 1991, pela sua importância histórica e arquitetônica, o Prédio da Antiga Gare foi tombada como patrimônio histórico.

No ano de 2016, o Parque da Gare foi inaugurado e entregue para a população, com suas obras de arte e prédios históricos como um importante espaço de lazer,  esporte , cultura e elementos da flora da nossa região para a nossa cidade.

Fotos: Paulo Fernando Cornelio

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