• Passo Fundo tem responsabilidade no enfrentamento da crise climática no RS!

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Berço das Águas na divisa de Passo Fundo e Mato Castelhano
Foto: Projeto Rio Passo Fundo UPF/CAIXA

Por Flávia Biondo da Silva

Presidente do Grupo Ecológico
Sentinela dos Pampas (GESP)

O município de Passo Fundo tem
uma responsabilidade muito grande diante da sustentabilidade ambiental do Rio
Grande do Sul. É o maior município em número de população do norte do Estado e
representa o centro de uma região de municípios que se ancoram aqui em várias
áreas, como saúde, educação, agricultura, entre outras inter-relacionadas.

Se olharmos superficialmente,
Passo Fundo é pouco atingido pela crise climática que está acontecendo no Rio
Grande do Sul. Mas, ao considerarmos suas características geográficas e
econômicas, percebemos que há muita responsabilidade, pois podemos provocar
impactos que causam problemas na maior parte do Estado.

A crise hídrica – seja pela falta
ou pelo excesso de água – está implicada em nossa localização geográfica, que
deve ser levada em consideração em todos os empreendimentos implantados no
município de Passo Fundo, para além das exigências legais atuais. Diversos
municípios da Região estão localizados sobre divisores de águas,
consequentemente em cabeceiras de rios, onde trazemos como exemplo Passo Fundo
e Mato Castelhano. Na divisa desses dois municípios, em uma distância de 500 a
1000 metros, estão localizadas as nascentes primeiras (nascentes-mães) de
quatro bacias hidrográficas – o Berço das Águas – que somando as inúmeras
nascentes dos seus percursos, contribuem com a alimentação em águas para 253
municípios do Estado. Além disso, fornecerem volume significativo de água para
as grandes bacias hidrográficas, como a do rio Uruguai pelos rios Passo Fundo,
Apuaê e Inhandava, e a do rio Guaíba pelos rios Taquari, Antas e Jacuí. Em
Passo Fundo, soma-se ainda o rio da Várzea, que banha mais 41 municípios.

Como cabeceira, não se tem rios
volumosos em água, e uma simples estiagem já provoca falta de água para
abastecer os mais de 200 mil habitantes de Passo Fundo. Conforme IBGE (G1 RS, 2022),
a população da cidade chegou a 206.224 pessoas no Censo de 2022, o que
representa um aumento de 11,58% em relação ao Censo de 2010. Em 2024, o IBGE
(Nacional, 2024) estima 214.564 habitantes em Passo Fundo – um aumento de 8.349
mil habitantes em relação ao dado do Censo de 2022. Assim, também pelo
crescimento constante em população, justifica-se a necessidade de planejamento
e controle das águas superficiais e subterrâneas no município e,
consequentemente, na região.

Como alimentadora de bacias
hidrográficas que impactam na maioria da população do Rio Grande do Sul, nossa
região tem a responsabilidade de reter as águas nas cabeceiras, e Passo Fundo
deve dar exemplo nesse contexto. Nos arredores do Aeroporto Lauro Kurtz
localizam-se as nascentes que abastecem a cidade e a agricultura de Passo
Fundo, mantidas pelos esforços da sociedade civil organizada, do Ministério
Público, dos agricultures que margeiam, do município de Passo Fundo (por meio do
Parque Municipal Wolmar Salton), do Estado do Rio Grande do Sul (pela Fazenda
da Brigada Militar), e da Universidade de Passo Fundo, por meio da sua RPPN nas
margens do arroio Miranda – afluente do Rio Passo Fundo e principal fornecedor
de água à cidade – um corredor de águas denominado pelo Grupo ecológico
Sentinela dos Pampas (GESP) com Complexo Berço das Águas.

Por fim, diante da grave
realidade de enchentes e inundações ocorridas nos últimos dois anos, e as secas
e estiagens nos últimos cinco anos, a região de Planalto do Estado do Rio
Grande do Sul – especialmente Passo Fundo – tem enorme responsabilidade nos
cuidados na retenção das águas que chovem e com as que permanecem em seus
lenções freáticos. Assim, qualquer empreendimento que venha ser feito ou
ampliado em Passo Fundo deve considerar mais do que as regras atuais de
licenciamento, pois a realidade mudou e exige novas formas de proteção e gestão
das águas.

É essencial que os Comitês de
Bacias Hidrográficas
do Estado, sejam mantidos e fortalecidos, pois são
espaços legítimos de deliberação sobre as necessidades regionais. No âmbito
municipal, é fundamental que se elaborem as Políticas e os Planos Municipais
de Recursos Hídricos e da Mata Atlântica e Pampa
, com ampla discussão com a
sociedade, para planejar a proteção, conservação, uso e acesso à água com
qualidade e equidade, tanto para esta quanto para as futuras gerações.

Referências bibliográficas

1. G1 RS – Rio Grande
do Sul.
População de Passo Fundo (RS) é de 206.224 pessoas, aponta o Censo
do IBGE. G1, Rio Grande do Sul, 28 jun. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/06/28/populacao-de-passo-fundo-rs-e-de-206-224-pessoas-aponta-o-censo-do-ibge.ghtml.
Acesso em: 21 jun. 2025.

2. O Nacional. IBGE
estima 214.564 habitantes em Passo Fundo. O Nacional, Passo Fundo, 29 ago.
2024. Disponível em: https://www.onacional.com.br/cidade,2/2024/08/29/ibge-estima-214564-habitantes-em,129109.
Acesso em: 21 jun. 2025.

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