O Programa Uirapuru Ecologia, da Rádio Uirapuru, transmitido neste
sábado (23), trouxe à pauta a importância das áreas ambientais protegidas, e os
desafios enfrentados em Passo Fundo e região. Participaram do debate Flávia
Biondo da Silva, presidente do GESP, e a bióloga Gilda Maria Spanhol da Silva.
As convidadas destacaram que, em um passado recente, o
território local contava com florestas, campos e rios mais preservados,
abrigando uma fauna abundante e diversificada. Com o avanço da urbanização e da
agricultura, porém, esses espaços vêm sendo reduzidos, gerando impactos na
qualidade ambiental.
As participantes apresentaram a importância das Áreas de
Preservação Permanente (APPs) de garantir a proteção dos recursos hídricos,
assegurando a qualidade e a disponibilidade da água para a população, além de
conservar a paisagem natural e contribuir para a manutenção do equilíbrio
ambiental. Essas áreas também são fundamentais para a estabilidade geológica,
evitando deslizamentos, erosões e o assoreamento de rios e lagos, bem como para
a conservação da biodiversidade, ao oferecer abrigo e conectividade para a
fauna e a flora, permitindo o fluxo genético entre espécies. Além disso, protegem
o solo contra processos de degradação e desempenham um papel essencial no
bem-estar humano, ajudando no controle de enchentes, na regulação do microclima
e na preservação de espaços verdes que melhoram a qualidade de vida.
Entre os pontos abordados, esteve a situação dos campos
nativos, os remanescentes florestais, cada vez mais escassos, e a importância
estratégica da região do Planalto, berço de nascentes e rios que deságuam nos
rios Guaíba e Uruguai. As constantes enchentes no Estado evidenciam a
responsabilidade de Passo Fundo em adotar políticas de preservação, para reter
a água no município.
O programa também explicou os principais instrumentos legais
de proteção ambiental, como o Código Florestal Brasileiro e o Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), destacando a função de
preservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Reservas
Legais e a função de conservação das Unidades de Conservação.
O momento mais relevante do Programa foi a participação dos ouvintes,
que ligaram e falaram sobre a falta de fiscalização, os depósitos irregulares
de resíduos e a destruição das APPs, com a preocupação pela falta de conscientização
da população.
Segundo as especialistas, garantir a integridade dessas
áreas é essencial para a manutenção da biodiversidade, a proteção de nascentes
e rios, a estabilidade geológica e o bem-estar humano. No entanto, alertaram
para a pressão constante que as APPs sofrem, tanto em áreas rurais quanto
urbanas.
Flávia Biondo e Gilda Spanhol reforçaram que a preservação
depende não apenas da legislação, mas também de uma mudança cultural que
envolva a sociedade como um todo, e ressaltaram a responsabilidade dos poderes
públicos de orientar e fiscalizar.