Por Conecta Cultura e Comunidade Fág Nor
Oficinas, exposições, rodas de conversa e ações educativas movimentaram Passo Fundo ao longo do último ano com o projeto “Centro de Cultura e Educação: Comunidade Fág Nor”. A iniciativa, que uniu arte, ancestralidade e formação cidadã, envolveu centenas de pessoas em atividades voltadas à valorização da cultura Kaingang.
Idealizado pelo produtor cultural e líder indígena Gerson Farias, o projeto foi executado entre junho de 2024 e junho de 2025, através do apoio financeiro do Edital de Concurso Lei Paulo Gustavo N⁰10/2023 3, da Secretaria da Cultura do Estado do RS e como realização do Governo Federal – União e Reconstrução. O objetivo principal foi promover o fortalecimento da identidade indígena por meio do intercâmbio cultural e da transmissão de saberes tradicionais.
Oficinas práticas com foco na ancestralidade
Entre as atividades realizadas, destacam-se oficinas de cestaria, confecção de cocares, pintura corporal, cantos e danças tradicionais. A primeira fase ocorreu em dezembro de 2024 com o artesão Woia Xokleng, que ensinou técnicas de produção de cocares Kaingang. Em março de 2025, novas oficinas foram ministradas por artesãs da própria comunidade — Elisete Mendonça, Elenir da Silva e Joseli Farias.
Ações educativas também foram levadas às escolas públicas. Alunos da EMEF Cel. Sebastião Rocha participaram de oficinas com a artesã Salete Mendonça e rodas de conversa com Gerson Farias. As atividades chegaram ainda à EMEF Romana Gobbi, reforçando o diálogo entre comunidade escolar e população indígena.
Exposições e celebrações culturais
Três exposições marcaram o cronograma do projeto. Na Universidade de Passo Fundo, uma mostra em homenagem ao Dia dos Povos Indígenas incluiu apresentações de dança, pintura corporal e exibição de objetos típicos, como cestos e cocares. A Escola Estadual Prestes Guimarães recebeu outra exposição, que também incluiu música e gastronomia indígena.
Na Aldeia Fág Nor, situada na antiga CEASA de Passo Fundo, a comunidade realizou uma celebração com murais e apresentações artísticas, reunindo lideranças, convidados e representantes do poder público.
Inclusão, acessibilidade e formação docente
O projeto também proporcionou visitas da comunidade à Universidade de Passo Fundo, com passagens pelo Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (Lacuma) e pelo Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar). Educadores da rede pública participaram de workshops sobre educação indígena, incentivando a valorização dos saberes tradicionais na prática pedagógica.
Outro destaque foi a criação do site www.comunidadefagnor.com.br, desenvolvido com recursos de Libras e audiodescrição, reforçando o compromisso com a inclusão digital.
Impacto direto e legado cultural
O projeto superou suas metas iniciais: foram realizadas 10 oficinas, 5 palestras, 3 exposições, 4 workshops com professores, além de rodas de conversa e visitas técnicas. Cerca de 700 pessoas participaram diretamente das ações.
“A proposta não era só mostrar a nossa cultura, mas criar espaços de troca, onde pudéssemos ensinar e também aprender”, resume Gerson Farias. A iniciativa deixa como legado o fortalecimento da identidade Kaingang, o reconhecimento de seus saberes e a ampliação do diálogo entre culturas.





