Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Por Flávia Biondo da Silva, bióloga, presidente do GESP
O planeta vive uma emergência climática diante de uma humanidade estagnada entre a disputa pelo poder econômico e político, de um lado, e a sobrevivência humanitária diante de desastres ambientais, do outro. Nesse cenário, permanece uma consciência superficial que continua ampliando as desigualdades sociais.
Enquanto o meio ambiente exige restauração, resiliência, integração, cooperação e ação para equilibrar o clima do planeta, os grandes poderes continuam provocando e incentivando a degradação ambiental por meio de guerras, poluição e uso descontrolado dos recursos naturais. Como consequência, milhões de pessoas vivem sem acesso às necessidades humanas mais básicas e sofrem diretamente os impactos das mudanças climáticas.
No Brasil, a questão ambiental vive hoje uma repressão da legislação e uma maquiagem da consciência coletiva. De uma legislação ambiental considerada exemplar para o mundo, passamos a enfrentar constantes ataques de desintegração das políticas de proteção ambiental, flexibilizando normas e incentivando o uso inadequado dos ecossistemas e recursos naturais.
Pagamos um preço cada vez mais alto por isso. O custo da restauração e recuperação ambiental é muito maior do que o investimento necessário para manter áreas protegidas que garantem o equilíbrio ecológico. Ainda assim, a educação ambiental permanece na superficialidade diante do negacionismo científico e do abafamento dos grandes pensadores da educação.
Como avançar se a consciência crítica é reprimida e submetida a um sistema político polarizado? O ser humano jamais controlará a natureza se continuar confrontando-a sem respeito, cooperação e resiliência.

As respostas para um mundo melhor precisam estar ancoradas nas soluções da própria natureza e na integração entre conhecimentos científicos, tecnológicos e ancestrais. Um modelo de desenvolvimento desenfreado apenas acelera a ameaça de extinção desta proposta de humanidade.
Pequenas iniciativas de sustentabilidade tornam-se insuficientes diante da exploração ilimitada dos recursos naturais, do incentivo massivo ao consumo e da desigualdade no acesso ao que é produzido. É necessário estabelecer políticas ambientais com metas claras, fiscalização efetiva e compromisso real com a preservação da vida.
O tema do Dia Mundial do Meio Ambiente da ONU reforça essa urgência e aponta áreas fundamentais de atuação:
Áreas Prioritárias de Atuação
Ação Climática
Mitigação das emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas.
Biodiversidade e Ecossistemas
Proteção da fauna e da flora, além da reversão da degradação dos solos, florestas e oceanos.
Gestão da Poluição
Combate aos resíduos químicos e tóxicos, bem como à poluição plástica e industrial.