13/07/2026 | RD Uirapuru / Suélen Kommers
O aumento da presença de animais silvestres próximos a áreas urbanas e rurais tem despertado a atenção da população e levantado dúvidas sobre como agir diante desses encontros. Em Passo Fundo, o tema ganhou repercussão após relatos de um possível avistamento de uma onça na localidade de Bela Vista. Para esclarecer o assunto, as biólogas Gilda Maria Spanhol da Silva e Rhaissa Biondo da Silva explicaram as causas desse fenômeno, os cuidados necessários em situações de risco e a importância da convivência harmoniosa entre seres humanos e a fauna silvestre.
Segundo Rhaissa Biondo da Silva, a principal explicação para a presença cada vez mais frequente de animais silvestres próximos às cidades é a redução dos habitats naturais. Com a expansão urbana e a ocupação de áreas antes preservadas, diversas espécies acabam sendo empurradas para locais onde há maior circulação de pessoas. Ela destaca que, muitas vezes, a sensação é de que os animais estão invadindo as cidades, quando, na realidade, é o ser humano que avançou sobre o espaço onde eles vivem.
A bióloga explica que esse processo também aumenta o contato entre a fauna silvestre e os animais domésticos, principalmente nas propriedades rurais. Além disso, orienta que, ao encontrar um animal silvestre, a população deve evitar qualquer tentativa de aproximação ou captura. Caso o animal tenha condições de deixar o local, a recomendação é apenas permitir que ele siga seu caminho. Situações em que o animal esteja preso ou ferido devem ser comunicadas aos órgãos ambientais competentes.
Durante o programa, Rhaissa também respondeu à dúvida de uma ouvinte sobre uma ave encontrada caída do ninho. Segundo ela, nem sempre é necessário recolher o animal, já que muitos filhotes permanecem no solo enquanto aprendem a voar e continuam sendo alimentados pelos pais. Nos casos em que houver ferimentos, a orientação é encaminhar a ave para atendimento especializado, como o serviço prestado pela Universidade de Passo Fundo (UPF).
Outro ponto abordado foi o hábito de alimentar aves silvestres. Embora seja uma atitude comum entre muitas pessoas, a bióloga alerta que oferecer ração ou outros alimentos pode causar desequilíbrios ambientais, favorecendo determinadas espécies e alterando a dinâmica natural dos ecossistemas. O ideal é permitir que os animais encontrem alimento de forma natural.
Na sequência da entrevista, Gilda Maria Spanhol da Silva explicou que os grandes felinos necessitam de extensas áreas de vegetação para sobreviver. Com a fragmentação das florestas, esses animais passam a ocupar espaços cada vez mais próximos das áreas urbanas e rurais, principalmente em busca de alimento.
Sobre o possível avistamento de uma onça na localidade de Bela Vista, Gilda esclareceu que não existe confirmação oficial e ressaltou que a ocorrência de uma onça-pintada em Passo Fundo é considerada extremamente improvável. A espécie está extinta no Rio Grande do Sul, permanecendo apenas um indivíduo monitorado na região do Parque Estadual do Turvo. Já a onça-parda continua presente no Estado e pode ser observada em áreas de campo, florestas e até plantações.
A especialista também reforçou as orientações de segurança para quem encontrar um grande felino. A recomendação é manter distância, não correr, não dar as costas ao animal e evitar qualquer tentativa de afugentá-lo com objetos. O ideal é recuar lentamente, sem fazer barulho e permitir que o animal encontre uma rota de fuga. Ela também alertou para o risco de aproximação de filhotes, já que a mãe pode estar nas proximidades e agir para protegê-los.
Outro tema abordado por Gilda foi o crescimento da população de javalis no Brasil. Segundo ela, a espécie exótica representa um dos principais desafios ambientais da atualidade. Além de provocar prejuízos às lavouras e às propriedades rurais, os javalis degradam nascentes, alteram o equilíbrio dos ecossistemas e apresentam alta capacidade de reprodução, dificultando o controle populacional.
Para reduzir a aproximação de grandes predadores nas propriedades rurais, a bióloga recomenda que produtores não deixem carcaças de animais próximas às áreas de mata, mantenham cães protegidos durante a noite e evitem deixar animais mais vulneráveis, como bezerros e aves domésticas, em locais próximos aos fragmentos florestais.
As especialistas encerraram a entrevista reforçando que a melhor forma de reduzir os conflitos entre seres humanos e animais silvestres é preservar os habitats naturais. A conservação das florestas, o combate ao tráfico de animais e o respeito ao comportamento da fauna são medidas consideradas fundamentais para garantir o equilíbrio ambiental e favorecer a convivência segura entre pessoas e vida silvestre.
