Dois andares e muita sustentabilidade
Ideias ecologicamente corretas são possíveis, prova disso é a casa que tem como principal matéria prima a terra e utiliza inúmeros materiais reciclados
O que você faria com 33 caminhões de terra, 27 postes de luz e mais de 500 pneus? Eles fizeram uma casa! As paredes de terra, com materiais reciclados e reutilizados, tudo encaixado cuidadosamente para uma harmonia perfeita, assim é a nova residência de Alexandre e Analice Zaffari, que depois de dois anos está há um passo de ficar pronta. “Era uma casa, muito engraçada”, já dizia a canção, mas no caso deles a casa foge a construção convencional e busca uma nova arquitetura sustentável. O casal, ambos de 39 anos, são casados há 7 e dividiram a mesma ideia, cuidando juntos de todos os detalhes da casa ecológica.
Para quem não acreditava que a engenhosidade do João-de-Barro na construção do seu ninho desse certo, eles provaram que é possível, falta apenas a genialidade e a vontade de tentar inovar. Que tal usar materiais diferentes para uma casa ecologicamente sustentável? Foi o que eles fizeram: pneus na base da casa, que teve paredes construídas com terra em sacos de ráfia e revestido por reboco. A ideia surgiu em julho de 2010, quando o casal estava se preparando para fazer a casa no modo convencional, quando Zaffari reencontrou um amigo. “Ele estava fazendo um curso com essa técnica de construir em Super Adobe, que é com terra, arame farpado e saco. Pesquisei um pouco e fomos fazendo. Boa parte dela fui eu que fiz”, conta ele.
Novas utilidades aos materiais
Mais de 500 pneus formam a base da casa ecológica que tem como matéria prima principal a terra dentro de sacos de ráfia que serviram para edificar as paredes e entre cada saco tem arame farpado para garantir o assentamento da casa, que tem dois andares e muita sustentabilidade. “Depois de arranjada a terra, foi queimado o saco e colocado uma tela para o cimento aderir melhor e feito o reboco a mão”, explica Zaffari. No banheiro, o piso que reveste a parede veio de materiais que estavam quebrados e foram sendo cortados e encaixados como num quebra-cabeças, a banheira foi feita de tijolo e revestida de fibra de vidro, material que ele teve que estudar para aprender fazer e aplicar.
As madeiras que fazem as escadas provem de uma demolição e também serviram de base para a edificação. “Não foi derrubada nenhuma árvore e a base principal foi feita com postes de luz que a RGE utiliza na cidade, além de pneus”, comenta. As divisórias internas são feitas de chapa de câmara fria que estavam inúteis no depósito de um supermercado e caixas de leite foram colocadas no telhado para isolamento térmico. Ainda, o aquecimento da água é feita por meio de energia solar. O closet é feito em bamboo, material que também decora paredes em uma das salas.
Os vidros utilizados em vários ambientes provem de restos de uma vidraçaria, que por serem temperados e não serem utilizados de outra forma seriam moídos e destinados à reciclagem. No forro da casa os vidros garantem a luminosidade do ambiente por meio de um poço de luz que tem sistema de fechamento. Além disso, se tornaram portas dos quartos e banheiros, são prateleiras do closet feito em bamboo, é a mesa do escritório, é o detalhe no chão do segundo andar, que causa frio na barriga de quem pisa na superfície transparente, enfim, foram utilizados conforme suas formas, sendo adaptados aos ambientes. Garrafas de vinho, água e cerveja formam um desenho na parede permitindo a entrada de luminosidade.
Destino dos resíduos
Além de todo o material utilizado e da produção de energia solar para o abastecimento da casa, a destinação dos resíduos será feita de duas formas, também buscando a forma mais correta de aproveitamento. Zaffari conta que os resíduos cinza, que corresponde à água utilizada no chuveiro, máquina de lavar e pia serão encaminhados para uma caixa com britas, que vai filtrar o material e depositar em um lago, para ser reutilizado nas plantas e a água negra, proveniente dos sanitários, vai ser destinada para uma caixa com pedras abaixo do solo, onde terá um pé de bananeira que vai reaproveitar o resíduo. Ainda, o casal vai instalas cisterna para coletar água da chuva, para que possa ser reutilizada conforme a necessidade.

Um lar diferente
Cada pedacinho da casa foi pensado pra ser diferente. “É uma novidade, o Alexandre tentou fazer diferente e eu apoiei ele, pois gosto de coisas diferentes e somos muito parecidos neste aspecto. Eu dou opinião, alguma coisa ajudo”, afirma Analice, que por gostar de pintar também coloca seu trabalho na casa. Ela conta que sempre fez reciclagem e reaproveitamento de materiais. “Podendo usar e reutilizar é melhor. Reciclo tudo e como moramos no sítio é muita coisa que acabamos comprando. Então tem uma pessoa que junta pra mim ou trago pra cidade”, comenta ela. Zaffari reitera a postura da esposa. “Temos por filosofia essa ideia de aproveitamento. Nossa é agradável de ficar, são materiais naturais que nos fazem bem”, justifica ele.
Segundo Zaffari, a desvantagem é que está lidando com problemas que não tem solução. “A construção convencional já foi testada milhares de vezes e é possível prever qualquer mudança”, salienta. Ele tem a consultoria de engenheiros, mas aprendeu muitas coisas para poder fazer a casa. “O primeiro engenheiro, quando viu a ideia não quis fazer, então tive que aprender e fazer o projeto. Tive que aprender muitas coisas e fiz. Ver que está quase pronto e é algo diferente compensa”, esclarece. As paredes tem 36 a 40 cm de espessura, que ajuda no isolamento térmico. “É uma toca”, brinca ele.

A expectativa para poder morar na casa nova está grande. “Já queria ter me mudando antes do inverno, mas como as coisas tem seu caminho natural estou esperando quando ficar pronta” ressalta Analice, comentando que o casal já vai curtir o novo espaço. “Já fizemos churrasco e outro dia fomos dormir, pra olha o céu. Vamos curtindo, mas nada como morar na casa”, define ela, mostrando outras soluções sustentáveis que serão aplicadas posteriormente no espaço, como o jardim com pneus e a cortina de fundo de garrafa. “É inovador, tudo o que puder utilizar é sempre válido, para fazer um cantinho diferente”, frisa ela.
Construções ecológicas
Para arquiteto e professor da UPF, Rodrigo Carlos Fritsch, a viabilidade de se edificar construções ecológicas é maior do que em alguns anos atrás e isso se deve tanto ao avanço tecnológico, quanto à gama de materiais que antigamente não existiam ou existia mas ou seu uso não era tão conhecido. “Hoje são utilizados tijolos de solo-cimento que secam ao sol, sem ir ao forno, evitando queima de madeira. Temos madeira certificada da origem, que é ecológica porque vem com selo que atesta a procedência e que foi extraída sem degradar”, explica ele, observando que ainda é comum a utilização de energia solar para aquecimento da água e geração de eletricidade, além da energia eólica que também produz energia.
Outra questão importante apontada por Fritsch é a captação da água da chuva e a reutilização cada vez maior de água cinza, que provem do esgoto doméstico. Além disso, hoje tem a possibilidade de utilizar lâmpadas econômicas. “Temos disponíveis uma série de estratégias, além do arquiteto do projeto poder adaptar a edificação ao clima do local que está inserida”, afirma ele.

Vantagens da sustentabilidade
Uma casa ecológica pode ser feita de diversas formas, utilizando diferentes estratégias sustentáveis, que além de ganho ambiental, o arquiteto sabendo utilizar os materiais adequados, vai proporcionar conforto térmico e acústico. “Muitas vezes uma casa ecológica pode ser num primeiro momento mais cara, mas a longo prazo se torna mais barata, também por ser um ambiente saudável e de quebra não impacta ou impacta menos”, destaca o arquiteto.
A durabilidade das edificações construídas com o mesmo material da casa de Alexandre e Analice é relativamente alto. “Temos casas de barro da época dos Egípcios. A durabilidade é até maior do que construções convencionais, como a habitação popular de baixa renda que não dura 15 anos”, frisa, lembrando que pode ser maior do que uma construção normal por ter paredes mais espessas, mas se assemelha às feitas com bons materiais no formato convencional.
Fritsch explica que não existe uma edificação 100% sustentável e reitera que em algum ponto, de alguma maneira vai haver impacto no ambiente. “Para construir a casa ecológica é importante que todos os materiais tenham uma análise do ciclo de vida, avaliando o quanto impactam desde a extração da matéria prima, até a confecção do material, transporte, analisando quanta energia se gasta no processo, para saber se é mais ou menos ecológica”, justifica ele, observando que além de impactar menos, é preciso que tenha custo energético mais baixo.
Via: Diário da Manhã
Unknown
20 de novembro de 2012 em 12:41.
Soluções para edifícios verdes e sustentáveis são temas muitos discutidos atualmente.
Grandes empresas oferecem alternativas e conceitos interessantes que abrangem eficiência e sustentabilidade para área de casa ecológica.
Vale a pena conferir as inovações apontadas por esse site.
http://www.siemens.com.br/desenvolvimento-sustentado-em-megacidades/edificio-verde.html
Alessandra Ribeiro
Unknown
25 de março de 2014 em 15:47.
acho mto interessante este tipo de construçao,descobri isto a pouco tempo e pra mim foi como uma injeçao de animo,porque queria fazer algumas coisa a qui em casa e nao tinha condiçoes financeiras,depois que vi alguns videos percebi que o que eu precisava estava jogado pelo lixo da minha cidade,entao resolvi buscar estes materias,eu mesmo coloquei piso no meu quarto,piso que eu busquei no lixao perto de onde eu moro,ja fiz fossa de pneus,to fazendo o piso da minha area tbm com material reciclado,vou fazer uma parede da minha casa de tijolo a vista que juntei no lixo,e a metade da parede sera com garrafas do lixo tbm,nao paro mais,meu objetivo e construir uma casa de 2 andares com material reciclado,esta sendo mto bom.