Uma foto com uma criança sorrindo em um quadro, mostra a ternura e a pureza que, nós adultos, sentimos que estes pequenos “seres humanos”.
Quando esta imagem está associada a um local onde é um dos símbolos da educação e formação da sociedade – uma escola – esta imagem torna-se mais valiosa.
A foto apresentada está exposta na parede da Escola Municipal Padre Antônio Vieira, a única Brizoleta ainda sobrevivente em Passo Fundo, que foi tombada como Patrimônio Histórico no ano de 1989. Nos inícios dos anos 2000, a escola estava em péssimo estado de conservação e necessitava de restauração.
O Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas, preocupado com a situação, providenciou relatório e protocolou no Ministério Público Estadual (1ª Promotoria de Justiça Especializada – MPE) sendo aberto inquérito civil. Anos após, a mesma foi restaurada e devolvida para a comunidade.
Durantes alguns anos, ela foi utilizada com atividades sociais, educacionais e religiosas pela comunidade de Capinzal e Santo Antônio do Capinzal, interior do município.
Posteriormente, os grupos não receberem mais apoio da municipalidade e este importante espaço histórico foi ocupado por uma família. Novamente o GESP procurou o MPE, que foi providenciada a relocação da família e restauração da escola.
Coordenado pelo MPE, foi formado um grupo de trabalho com a participação da Secretaria Municipal de Planejamento/SEPLAM, Secretaria Municipal do Meio Ambiente/SMAM, Universidade de Passo Fundo/UPF e Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas/GESP.
Naquele momento, foi proposto :
1) Apoio a reativação do Grupo DATI “Amigos da Paz” e/ou criação de um novo grupo conforme a ansiedade da comunidade;
2) Instituir um agente público que articule com a comunidade atividades para integração, conforme já existia, realizando danças e ginástica, bem como cursos de formação para empoderar a comunidade com possibilidade de produzir atrativos de artesanato e gastronomia para consumo e comercialização;
3) Através de levantamento junto à comunidade, mapear pontos atrativos para o turismo, como cachoeiras, pontos históricos e religiosos, artesanato, gastronomia, o saber e fazer dos moradores;
4) Incluir a Escola Brizoleta em roteiros turísticos pelo interior do município e incentivar a comunidade local para atender visitantes e comercializar produtos;
5) Criar trilhas ecológicas em locais atrativos e capacitar jovens e adultos da comunidade para serem guias nesses espaços;
6) Fazer parcerias com a Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Paulo Jacques para atividades educativas na Brizoleta e nas trilhas ecológicas.
Mesmo com esforços contínuos do GESP e do MPE, este importante elemento arquitetônico com estas características, continuou em péssimo estado de conservação, em virtude da inércia e incompetência da Administração Municipal em reconhecer este relevante bem patrimonial como elemento da memória, da história e da educação local.
Recentemente, o que restava da Escola Brizoleta, veio literalmente “a baixo”.
Esperamos que a criança do quadro, visite este local o mais breve possível, com a mesma felicidade estampada e a escola Brizoleta seja reconstruída e esteja de fato reconhecida como um bem patrimonial.
Paulo Fernando O. Cornelio – Geógrafo Ecologista – Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas/GESP
