Araucárias (Araucaria angustifolia), espécie nativa protegida pelo Parque Estadual do Papagaio-Charão. | Foto: Gabrielly Flores
Por Maria Caroline | Bolsista do PET Educom Clima
Fonte: https://ufsm.br/r-955-411
Publicado em 05/08/2026, 15h34
Na região do Alto Uruguai, há um ator relevante para a preservação necessária de fragmentos da Mata Atlântica: o Parque Estadual do Papagaio-Charão (PEPC), localizado no município de Sarandi, na parte centro-norte do Rio Grande do Sul. A unidade de conservação atua na proteção da fauna e da flora, destacando-se principalmente na defesa de espécies ameaçadas de extinção.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), o Parque teve sua origem na Antiga Reserva Florestal criada em 1949, transformando-se, no ano de 1954, em Parque Estadual. Já em 1982 foi renomeado para Parque Florestal Estadual de Rondinha, uma área de aproximadamente mil hectares. Mas foi apenas em 2010 que a unidade de conservação passou a ser nomeada, definitivamente, Parque Estadual do Papagaio-Charão, homenageando a espécie originária do RS.

Papagaio-Charão: o grande protagonista
O papagaio-charão é considerado uma ave símbolo da área de preservação. De acordo com o biólogo Roberto Tomasi Junior, na década de 1990, a população da ave era estimada em oito mil indivíduos, mas com o surgimento de iniciativas de conservação se reergueu e atualmente vem totalizando aproximadamente 20 mil indivíduos. “Na região do entorno do parque, é possível visualizar alguns bandos, que frequentam nas épocas de primavera onde estão em fase reprodutiva. No verão, iniciam-se rotas migratórias pelo RS, agregando bandos, enquanto no outono/inverno se concentram na Serra Catarinense, com toda a sua população, para se alimentar basicamente de pinhão”, destaca Roberto.

Fauna e flora do parque
Com uma extensão territorial de mil hectares, o PEPC abriga uma rica e importante biodiversidade regional, sendo encontradas no local algumas espécies da fauna e da flora em extinção, como araucárias (Araucaria angustifolia), butiás (Butia exilata), grápia (Apuleia leiocarpa), papagaio-do-peito-roxo (Amazona vinacea) e o gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi).
A unidade de conservação serve como local de refúgio para os animais, que ali encontram abrigo e alimentos para sobreviver. “O parque preserva uma importante área de transição entre a vegetação da floresta de araucárias e dos campos, mantendo preservadas muitas espécies da flora da nossa região e, dessa forma, sendo refúgio para várias espécies […], destaca a bióloga e assessora de Secretaria e Departamento de Sarandi, Gabrielly Flores.

Desafios para a conservação do PEPC
O PEPC é administrado diretamente pelo Estado, enquanto que a gestão municipal de Sarandi presta serviços de apoio à unidade de conservação quando solicitada pelo órgão estadual. De acordo com Gabrielly, as duas administrações, sempre que possível, realizam em conjunto ações de fiscalização e preservação na área ambiental.
Para preservar toda a área verde, muitos desafios são encontrados e precisam de atenção. Roberto destaca que o PEPC enfrenta a invasão de espécies exóticas, a caça ilegal e a falta de corredores florestais que unam o parque a outras áreas verdes. Dessa forma, os pontos que frequentemente sofrem essas movimentações, tanto humanas quanto naturais, precisam de mais atenção.
“Um Parque Estadual deve ser protagonista ambiental na sua região”, destaca a bióloga Flávia Biondo da Silva, falando sobre a importância de áreas de preservação para cada região do Brasil. Flávia atua em projetos de conservação, como o Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP) de Passo Fundo, que desenvolve ações na fiscalização, denúncias de problemas ambientais, participações em fóruns e projetos regionais voltados ao meio ambiente.
Iniciativas como a GESP também têm papel importante no enfrentamento aos desafios nas áreas de conservação. A entidade ajuda na manutenção e na fiscalização de áreas protegidas da região. “As ações do GESP são de abrangência tanto local quanto regional, como representar a sociedade em fóruns regionais. Recebemos e encaminhamos denúncias de problemas ambientais não só de Passo Fundo, mas de diversos municípios da região”, comenta Flávia.
Quanto ao papagaio-charão que dá nome ao Parque, é uma espécie vulnerável, ameaçada de extinção, pois de acordo com a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), fatores como a perda de seu habitat e o tráfico ilegal colocam a espécie em risco. Ele tem cores que o identificam (verde e vermelho) e pode ser avistado em várias partes do Rio Grande do Sul.
As ações desenvolvidas por órgãos públicos, pesquisadores e entidades ambientais formam um conjunto capaz de preservar e proteger as unidades de conservação, como, o PEPC, contribuindo para a manutenção dos patrimônios ambientais do Rio Grande do Sul.

Em tempo: o papagaio-charão inspirou o mascote do PET Educom Clima, o Charito. Esta reportagem é uma forma de homenagem e de alerta em prol de sua conservação.
Saiba mais:
Sobre a espécie: https://apremavi.org.br/o-pequeno-gigante-da-floresta-com-araucarias-a-jornada-do-papagaio-charao/
Parque Estadual do Papagaio Charão: https://sema.rs.gov.br/parque-estadual-do-papagaio-charao
Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP): https://sentineladospampas.eco.br/